Inicialmente, quando se pensa em doenças psicossomáticas, a maioria pode já se assustar com o nome dado a essas categorias de doenças, contudo, nada mais é do que a integração entre saúde mental e física.
Deixe-me explicar: quando ocorrem fortes alterações emocionais, por vezes essa alteração e sofrimentos psíquico influi sobre a saúde física, ocasionando sintomas físicos como vômito, tremores e taquicardia.

O que são doenças psicossomáticas?
As doenças psicossomáticas são aquelas que possuem origem no estresse emocional e manifestam sintomas físicos, originando queixas e sintomas nas mais diversas partes do corpo.
Nesse contexto, o diagnóstico das doenças psicossomáticas — ou transtornos somatoformes — é complexo por ser realizado por exclusão. Após exames descartarem causas orgânicas, inicia-se a investigação da somatização. Nisso, o desafio reside na frustração do paciente que, ao ouvir que “não tem nada”, sente sua dor real ser invalidada pela medicina tradicional.
Embora seja um diagnóstico complexo e até de difícil compreensão para o próprio paciente em um primeiro momento, possui uma taxa de erro de diagnóstico de apenas 4%.
Principais causas de doenças psicossomáticas
Não é possível definir apenas uma única causa, contudo existem fatores e acontecimentos da vida que podem facilitar ou dificultar o aparecimento dessas doenças psicossomáticas.
Há estudiosos que indicam fatores genéticos e sociais como principais influenciadores dessas doenças, como uma predisposição orgânica por ter pais e parentes próximos com outros transtornos mentais.
Assim como a convivência com pessoas com doenças psicossomáticas pode acabar desencadeando uma maior possibilidade de desenvolvimento.
Traumas
Como a principal causa desencadeadora das doenças psicossomáticas é o estresse emocional, traumas de perda, luto, abusos físicos, sexuais e psicológicos, sobretudo na época do desenvolvimento infantojuvenil pode potencializar a chance de uma doença psicossomática.
Primordialmente, a somatização funciona como uma “válvula de escape” biológica para uma angústia que a mente não consegue suportar. Nesse sentido, o mecanismo de repressão protege o indivíduo do impacto imediato, mas mantém a carga emocional ativa no sistema nervoso. Ademais, a revisitação de um trauma pode disparar sintomas físicos intensos, como dores inexplicáveis ou crises de pânico. Portanto, o corpo frequentemente “fala” o que a boca não consegue dizer, exigindo uma abordagem terapêutica para desatar esses nós emocionais.
Depressão

Por ser um transtorno mental de intensa carga emocional e de humor, assim como incapacitante, a depressão pode sim desencadear quadros de doenças psicossomáticas.
Não apenas a depressão, mas também outros transtornos mentais que modificam o campo do humor e das emoções, como transtorno bipolar, transtorno de personalidade borderline e transtornos ansiosos podem levar a doenças psicossomáticas.
No caso da depressão, ocorre o acúmulo de sentimentos e emoções negativas como angústia e a falta de autocuidado, fazendo com que a pessoa a pessoa manifeste os sintoma psicossomáticas.
Luto
O momento de luto naturalmente é um momento de fragilidade emocional, pois estamos lidando com uma perda inesperada, muitas vezes súbita e que não podemos fazer nada sobre.
Dessa forma o luto pode sim levar a uma condição de doença psicossomática, pois quando o luto não é bem processado, ou é em demasiado sofrimento, esse estresse emocional leva a somatização.

Mudanças de padrões de relacionamento
Quando há mudanças nos padrões de relacionamento familiar, de amizade ou romântico, costumamos ficar num período de incerteza, assim ficamos suscetíveis e mais frágeis a outras demandas emocionais.
As mudanças nos padrões de relacionamento se dão em términos, distanciamentos, brigas sérias e até mesmo perda de um desses entes queridos; e quando isso acontece geralmente ocorrem fortes alterações emocionais.
Questões profissionais
O trabalho faz parte do cotidiano da maioria das pessoas, assim como pode ser um fator incentivador benéfico para a saúde, facilmente também pode ser um fator de grande adoecimento.
Nesse contexto, ambientes de trabalho tóxicos, relações profissionais abusivas ou a perda do emprego são fontes severas de angústia, pois o trabalho ocupa grande parte da nossa identidade e tempo. Logo, frustrações nesse setor podem desestabilizar a saúde mental, gerando sofrimento que transborda para a vida pessoal.
As doenças psicossomáticas desse caso também podem estar relacionadas a uma possível síndrome de Burnout, que é um transtorno mental ocasionado pelo estresse e esgotamento elevado relacionado ao trabalho.
Vítimas de violência
É verdade que toda violência deixa marcas, contudo estou falando aqui das vítimas de violência, física, psicológica, sexual, doméstica que sofreram essa violência de forma contínua, por um período considerável.
Pois nesses casos em específico há uma chance de incidência muito maior de doenças psicossomáticas, uma vez que toda a angústia, dor e ódio reprimido durante esse tempo pode se transformar em somatização.
Doenças psicossomáticas: Quais são os sintomas?

As doenças psicossomáticas se manifestam de diferente formas e os sintomas variam junto com a forma manifestada, assim como sua intensidade, porém se definirmos em termo gerais, os sintomas das doenças psicossomáticas são:
Mudanças no ciclo do sono, no apetite alimentar e sexual, dores de cabeça, dores musculares, ansiedade, constipação, diarréia, exaustão, aumento da pressão arterial, taquicardia, irritabilidade, tristeza, falta de ar, queda de cabelo, mudanças no ciclo menstrual e no sistema urinário.
Lista de doenças psicossomáticas
- Alergias (alimentares e respiratórias)
- Enxaqueca
- Insônia
- Anemia
- Impotência sexual
- Gastrite
- Câncer
- Síndrome do intestino irritado
- Asma
- Bulimia
- Infertilidade
- Obesidade
- Algumas doenças cardíacas
- Herpes
- Gripes
Como tratar de doenças psicossomáticas?
Primordialmente, o tratamento conjunto impede que o paciente fique preso em um ciclo de alívio temporário dos sintomas físicos sem resolver a causa psíquica. Nesse sentido, o psiquiatra pode estabilizar a química cerebral com medicações, enquanto o psicólogo atua na reestruturação dos padrões de pensamento. Ademais, aprender a ouvir as mensagens que o corpo envia através da dor previne futuras somatizações. Portanto, o foco deixa de ser apenas “curar a dor” e passa a ser o fortalecimento global da saúde do indivíduo.
Assim, a psiquiatria não substitui a terapia, mas “prepara o terreno” biológico para que ela funcione. Nesse sentido, equilibrar neurotransmissores reduz a carga de estresse que alimenta a somatização. Ademais, o modelo biopsicossocial reconhece que a saúde não é apenas a ausência de doença, mas o equilíbrio entre todas as áreas da vida. Portanto, o tratamento em clínicas especializadas garante uma vigilância constante e um suporte intensivo para casos de alta complexidade.
Como prevenir doenças psicossomáticas?
Como essas doenças provém do estresse emocional ou ideal é que tenha uma vida de equilíbrio físico e mental, e para isso é preciso estar com uma boa alimentação, realizando a prática regular de algum exercício físico, mentalmente ocupado, porém com momentos de lazer e ócio.

Conclusão
Primordialmente, a doença psicossomática não é “imaginária”; ela causa danos reais a órgãos e sistemas devido ao estresse mental prolongado. Nesse sentido, o diagnóstico diferencial exige uma bateria rigorosa de exames médicos para garantir que nenhuma patologia física direta seja ignorada. Ademais, a conexão mente-corpo é tão profunda que o sofrimento psíquico pode alterar a imunidade e as secreções hormonais. Portanto, tratar o sintoma físico sem investigar o gatilho emocional é apenas remediar o problema temporariamente, sem curá-lo.
Esse tipo de doença num diagnóstico menos paciente e apurado facilmente passará despercebida, enquanto a pessoa sofre e aumenta ainda mais a sua somatização.













