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O que é e quais são os riscos do melzinho do amor?

Nos últimos anos, o chamado “melzinho do amor” se popularizou em festas, redes sociais e plataformas de venda online, principalmente entre jovens que buscam aumentar o desempenho sexual e a disposição física. 

Apesar da propaganda que vende o produto como algo “natural” e afrodisíaco, especialistas alertam que ele pode representar sérios riscos à saúde.

Muitas versões comercializadas clandestinamente possuem substâncias medicamentosas escondidas na composição, o que torna o consumo extremamente perigoso, especialmente quando associado ao álcool ou outras drogas.

O consumo via sachês puros ou misturados a bebidas potencializa danos orgânicos severos. Subsequentemente, a interação química entre a droga e o álcool sobrecarrega o sistema cardiovascular do usuário. 

Usá-la sem o monitoramento pode causar grandes danos físicos e mentais na saúde desse sujeito.

Como ocorre o acesso à droga

A comercialização do melzinho do amor acontece principalmente pela internet, redes sociais, aplicativos de mensagens e vendedores informais.

Certamente, o marketing digital promove o ‘melzinho do amor’ sob a falsa promessa de uma composição puramente natural. Diferentemente dessa propaganda, a substância oculta fármacos sintéticos potentes em sua fórmula clandestina. 

Efetivamente, o livre acesso à compra online ignora os riscos farmacológicos e a falta de controle sanitário. Logo, a omissão dos ingredientes reais engana o consumidor e potencializa as chances de intoxicação medicamentosa.

Certamente, o apelo por desempenho natural mascára a presença perigosa de tadalafila e sildenafila no ‘melzinho’. O uso desses fármacos para disfunção erétil sem rigor médico deflagra desequilíbrios cardiovasculares fatais. 

Consequentemente, a ANVISA baniu a comercialização do produto em 2021 visando interromper o risco sanitário, o que reafirma a toxicidade da substância e protege a integridade física dos consumidores enganados.

Simultaneamente, o consumo excessivo deflagra patologias cardíacas e pulmonares graves de forma acelerada. Ademais, as substâncias sintéticas induzem dependência mental profunda e comprometem o desenvolvimento biológico. 

Portanto, a prevenção imediata constitui a única via para evitar sequelas permanentes no organismo dos jovens.

Composição da substância

A embalagem do ‘melzinho’ destaca ingredientes naturais como mel da Malásia, ginseng e gengibre para atrair consumidores. Entretanto, análises laboratoriais revelam a adição oculta de sildenafila e tadalafila, fármacos sintéticos para disfunção erétil. 

Efetivamente, esses compostos alteram drasticamente a hemodinâmica corporal ao manipular a distribuição sanguínea sistêmica. Assim, o rótulo omite substâncias controladas que transformam um suposto estimulante natural em um risco farmacológico real.

Tongkat Ali

Originária do sudoeste da Ásia, o Tongkat Ali está presente em países como Indonésia, Malásia, e também Vietnã. 

Muitas vezes é usada como combate à malária e como afrodisíaco, além de ser antidiabética e antimicrobiana. 

O problema está na falsificação e na falta de controle das fórmulas vendidas clandestinamente, onde as doses erradas e uma composição diferente são capazes de ocasionar diversos malefícios à saúde. 

Mel da Malásia

É o próprio melzinho do amor, porém, com compostos naturais, sua propriedade é potencializar o desempenho sexual, usando suas propriedades afrodisíacas. 

Seus riscos assim como no componente anterior é a sua falsificação, onde o consumo do mesmo na dose errada também são muito arriscados.

Cafina

A cafeína também costuma estar presente em algumas fórmulas para aumentar a sensação de energia e disposição. Muitos produtos que afetam nossa energia corporal, e aumenta nosso metabolismo, tem a presença da cafeína ou do café. 

Isso não seria diferente no melzinho do amor, mas, seu alto consumo pode ocasionar malefícios à saúde como uma alta pressão arterial, arritmias e outros problemas de coração.

Gengibre e canela

O gengibre é uma raiz que possui compostos ativos responsáveis pelas propriedades termogênicas que aceleram o metabolismo e aumentam a queima de gordura. Podendo ser de grande auxílio na imunidade do organismo entre outras propriedades. 

A canela rica em flavonóides, estas possuem propriedades anti-inflamatórias e anti coagulantes, é um produto famoso e usado no mundo inteiro por conta de seus poderes medicinais. 

A canela pode estar presente no melzinho do amor com o intuito de demonstrar para o cliente que o produto possui ingredientes que podem fazer “bem” ao seu organismo, a intenção se repete quando se fala do gengibre, mas sabe-se que na maioria das vezes serve somente para enganar o consumidor.

Sildenafila

O citrato de sildenafila age relaxando os músculos dos vasos sanguíneos aumentando o fluxo de sangue nas regiões do pênis e dos pulmões, sendo muito indicado para homens que possuem disfunção erétil. 

Esse composto muitas vezes se encontra presente no melzinho do amor, levando para jovens os efeitos colaterais dessa substância, que muitas vezes a consomem em festas e estão com uma frequência cardíaca alta, trazendo um grande risco para a sua saúde, podendo ocasionar problemas cardiovasculares. 

Tadalafila

A tadalafila é um remédio que aumenta o fluxo sanguíneo para o pênis, sendo assim muito receitado para homens que possuem disfunção erétil ou hiperplasia benigna na próstata, este remédio pode ser encontrado em farmácias com outros nomes como cialis.

A tadalafila é um dos compostos que estão presentes no melzinho do amor, sendo ela um fármaco, comprova que essa substância não é totalmente natural, podendo trazer riscos à saúde do sujeito que usa sem a real necessidade. 

A própria tadalafila só pode ser usada com acompanhamento médico, e se utilizada continuamente pode causar maiores danos. 

Principais riscos do uso do melzinho do amor

O seu uso é capaz de trazer grandes riscos à saúde, uma vez que em sua maioria eles apresentam substâncias químicas, perigosas se usadas da forma incorreta, como uma dose alta delas ou uma interação medicamentosa indevida que cause efeitos colaterais.  

Queda de pressão arterial

Como geralmente o melzinho do amor são compostos de tadalafila e sildenafila que são substâncias capazes de aumentar o fluxo sanguíneo em uma parte específica do corpo, consequentemente as áreas subjacentes sofrem uma queda desse fluxo.

Isso faz com que haja uma queda de pressão arterial, sendo um efeito bastante perigoso, pois a mesma causa desmaios, que podem causar uma falta de oxigenação no cérebro aumentando o risco de morte.

Dores de cabeça

Dores de cabeça são muitas vezes recorrentes da baixa pressão, além das consequências das propriedades energéticas advindas da droga, através da cafeína e do gengibre que aumenta o metabolismo, fazendo com que o sangue corra rápido pelo corpo, ocasionando cefaleia. 

Problemas cardíacos

Por conta da sua influência na vascularização sanguínea, o melzinho do amor ainda pode acabar causando problemas de origem cardíaca, pode fazer com que o sujeito apresente arritmia cardíaca e consequentemente uma hipertensão arterial. 

Os riscos se tornam ainda maiores quando o produto é consumido junto com álcool, energéticos ou outras drogas. 

Complicações respiratórias

Algumas substâncias contidas no melzinho do amor, como sildenafila e a tadalafila, têm propriedades que tratam hipertensão pulmonar, agindo a partir do sistema vascular. 

Ao diminuir a pressão arterial, o oxigênio demora para chegar aos pulmões podendo causar dificuldade de respirar, e quando a pressão aumenta as artérias podem acabar sofrendo com uma circulação irregular. 

Pessoas com doenças cardíacas ou pulmonares apresentam risco ainda maior de complicações. 

Dependência psicológica

Além de todos os males físicos, esta substância também pode causar danos psicológicos para o sujeito. Neste caso, vem de um despreparo mental do usuário, que geralmente é jovem e não é muito seguro de si, acometido pelas angústias do dia-a-dia.

Ao usar o melzinho para melhorar o desempenho sexual, o jovem passa a acreditar que conseguiu se sair bem por conta da droga, e pode passar a usá-la toda vez que tiver um ato sexual para assegurar que terá um bom desempenho. 

Assim como muitos jovens acreditam que ao se alcoolizarem ficam mais corajosos e desinibidos causando uma dependência advinda de sua mente. 

Priapismo

O melzinho do amor é uma droga que potencializa a libido e consequentemente, é capaz de influenciar no órgão sexual da pessoa que o usufrui, no caso dos homens, essa droga pode causar um sério problema, chamado de priapismo.

O priapismo se refere a uma ereção elevada que dura de 4 a 6 horas, pode acontecer dele ser isquêmico ou não. 

No caso de um priapismo isquêmico, acontece uma ereção dolorosa que apresenta o risco de necrosar o órgão sexual masculino, trazendo por sua vez um risco real à saúde. 

Caso o priapismo seja detectado, se faz necessário procurar um urologista o mais rápido possível enquanto ainda existe a possibilidade de reverter o quadro.

O melzinho do amor é considerado droga?

Qualquer substância que modifique as estruturas biológicas e funcionais do corpo classifica-se tecnicamente como droga. A capacidade de induzir alterações fisiológicas profundas do ‘melzinho do amor’ confirma sua natureza como entorpecente perigoso. 

Portanto, o produto transcende a categoria de suplemento ao atuar como um agente químico transformador do organismo.

Como prevenir os riscos?

A principal forma de prevenção é evitar o consumo de produtos clandestinos e buscar informações confiáveis sobre saúde sexual.

Também é importante:

  • desconfiar de promessas milagrosas;
  • evitar produtos vendidos sem registro;
  • não utilizar medicamentos sem prescrição médica;
  • procurar ajuda profissional em casos de insegurança sexual;
  • compreender que desempenho sexual não depende apenas de substâncias químicas.

Conclusão

Primordialmente, a ampla divulgação digital torna o ‘melzinho do amor’ altamente acessível e atrativo ao público jovem. Invariavelmente, a busca por prazer imediato e autoconfiança sexual impulsiona o consumo dessa substância perigosa. 

Subsequentemente, a facilidade de aquisição mascara os riscos químicos inerentes à sua fórmula clandestina. Portanto, a popularidade da droga em ambientes sociais reflete uma negligência crítica quanto à segurança biológica do organismo.

Visto isso, a comercialização do ‘melzinho’ configura uma fraude ao simular segurança através de rótulos enganosos. Diferentemente da propaganda, análises da Unicamp confirmam a presença de substâncias sintéticas impróprias ao consumo humano. 

Ademais, até os componentes naturais citados sofrem falsificações frequentes, anulando qualquer benefício terapêutico. Logo, a discrepância entre a fórmula real e a anunciada expõe o usuário a intoxicações graves e danos sistêmicos.

NÓS LIGAMOS PARA VOCÊ

Fabrício Selbmann é psicanalista, palestrante sobre Dependência Química e diretor da Recanto Clínica Hospitalar – rede de três clínicas de tratamento para dependência química e saúde mental, referência no Norte e Nordeste nesse segmento.

Especialista em Dependência Química pela UNIFESP, pós-graduado em Filosofia | Neurociências | Psicanalise pela PUC-RS, além de especialização na Europa sobre o modelo de tratamento Terapia Racional Emotiva (Minessota).

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