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O que é Síndrome de Munchausen, causas e como lidar

Indiscutivelmente, a Síndrome de Munchausen manifesta-se através da simulação ou exacerbação deliberada de patologias para atrair atenção e validar o papel de doente. Sobretudo, o paciente manipula percepções perante figuras de autoridade intelectual ou social mediante narrativas enganosas. Paralelamente, a nomenclatura homenageia o Barão de Munchausen, aristocrata célebre por suas fabulações compulsivas e relatos bélicos irreais. Desse modo, o transtorno transcende a mentira casual, consolidando-se como um padrão comportamental patológico de busca por visibilidade.

É recorrente pessoas que apresentam essa doença procurar hospitais incessantemente, em busca de tratamento para doenças que não existem. Quando examinadas, dizem ter febre alta, alegam ter cegueira e afirmam ter histórico de doenças, mesmo não possuindo nenhuma patologia prévia.

O que é síndrome de Munchausen?

A síndrome de Munchausen, também conhecida como transtorno factício, se manifesta quando a pessoa tem uma tendência a falsificar, exagerar e mentir sobre sintomas e distúrbios físicos, mentais e cognitivos.

Decerto, as nomenclaturas ‘síndrome hospitalar’ e ‘paciente-profissional’ refletem o comportamento compulsivo de buscar internações e manipular cuidadores com precisão técnica. Inquestionavelmente, o paciente domina o vocabulário médico para simular quadros clínicos e ludibriar equipes assistenciais de forma estratégica. Ademais, o DSM-5 classifica a patologia como Transtorno Factício, subdividindo-o entre aquele imposto a si mesmo e o imposto a outrem. Assim, o diagnóstico revela um padrão de falsificação de sinais físicos ou psicológicos motivado pela necessidade intrínseca de assumir o papel de enfermo.

As pessoas que sofrem desse distúrbio sentem uma necessidade intensa de serem enxergadas como seres frágeis, doentes e enfermos. Apesar de não ter um objetivo concreto para que tomem essas atitudes, geralmente elas surgem como uma fonte de prazer.

Quem possui essa síndrome sente a necessidade de ter a atenção e o cuidado que as pessoas que estão realmente doentes recebem. Para que isso aconteça elas são capazes de manipular exames, abrir feridas, prender sua circulação, ou mentir sobre seus sintomas.  

Quais são as principais causas dessa doença?

Os médicos não apontam uma causa específica para essa síndrome, mas pesquisadores e estudiosos acreditam que ela pode ter origem em aspectos psicológicos. Teorias da área de psicologia apontam que indivíduos com um histórico de abuso e negligências, possuem maior risco de desenvolver a doença, assim como pessoas que já sofreram com outras enfermidades duradouras e padecem da “falta” de cuidado depois de estarem curadas. 

Dentro do campo psicológico uma criança que vive em relações negligentes pode  desenvolver carência e necessidade de atenção, gerando um trauma e uma necessidade constante de ser cuidado. Isso pode ter repercussões no futuro, iniciando um movimento de imitação daquilo que no passado lhe fez falta.

A síndrome de Munchausen também pode se apresentar como um fenômeno decorrente de um transtorno de personalidade, por isso é importante avaliar as causas que podem estar por trás do desenvolvimento do quadro.

Quais são os sintomas da síndrome de Munchausen?

Na síndrome de munchausen, os sintomas estão ligados a mentiras e fingimentos para que o indivíduo obtenha a atenção que ele deseja. Deve-se ficar atento, pois, através da leitura desses sintomas o paciente poderá ser encaminhado para um profissional da psicologia. Dentre os principais sintomas, temos: a presença de arritmias cardíacas, vasto conhecimento de termos médicos e hospitalares, problemas de autoestima e melhora seguida de recaída, entre outros.

Síndrome de Munchausen: tipos

Um dos tipos da síndrome de Munchausen é o de procuração, que apresenta uma característica externa, ou seja, além da própria pessoa o ato factorio também vai se aplicar a outras pessoas. 

Síndrome de Munchausen por procuração

Nesse tipo, a procuração corresponde ao ato do transtorno factício imposto ao outro, ou seja, acontece em situações onde a sujeito age como se a pessoa que ele cuida tivesse alguma doença física ou mental, podendo até alegar que a pessoa possui uma doença grave, mesmo ela estando em perfeito estado de saúde, sendo muitas vezes um modo de abuso, principalmente, de crianças e idosos.

Casos reais da síndrome de Munchausen

Existem casos reais de pessoas que sofrem da síndrome de Munchausen e que, ao mesmo tempo, acometem outras pessoas, se enquadrando no tipo procuração. Nessas situações, é possível ver o grande sofrimento e mobilização das pessoas que acompanham o caso e também das vítimas.

Há um exemplo nos EUA onde temos um dos casos mais famosos, o de Dee Dee e sua mãe, Gypsy. Gypsy fazia com que sua filha acreditasse ser uma pessoa muito doente, apresentando doenças graves com potencial de comprometer a vida da jovem, sendo assim, a mãe passa a subordinar sua filha aos seus cuidados.

Quando Gypsy descobre que tudo que ela viveu não passou de ideias fingimentos idealizados por sua mãe e que ela não possuía nenhuma doença, a garota toma a atitude de matar a própria mãe.

Exemplos de filmes e séries que retratam a síndrome de Munchausen

O distúrbio factício é famoso e está presente nas mídias, em séries e filmes, justamente por se tratar de algo curioso e por ser uma enfermidade psicológica pouco conhecida. Entre os filmes mais famosos que falam sobre o tema, temos: 

O Sexto Sentido

O filme aborda um garoto que se comunica com pessoas mortas e um psicólogo infantil que está empenhado em ajudá-lo. O garoto tem problemas com relações sociais e dificuldades em restabelecer essas relações. No decorrer da obra, o personagem se comunica com o espírito de uma garota que morreu depois de passar muito tempo doente, caminho que sua irmã mais nova estava seguindo. 

O garoto junto ao psicólogo, descobre que as crianças nunca estiveram realmente doentes e que os problemas que manifestavam eram decorrentes do uso de medicamentos que a mãe as faziam tomar, expondo ali, a síndrome de munchausen da mãe.

The Act

Esta série aborda o caso real de distúrbio factício de procuração onde a mãe Dee Dee mostra sua filha para a sociedade como se ela tivesse uma doença gravíssima, as duas ficam famosas, onde a mãe foi condecorada como uma pessoa que abdicou de tudo para cuidar da sua filha doente, gerando grande comoção no país.

Mais tarde, a filha descobre que não tinha doença nenhuma, que tudo que ela passou fazia parte de uma invenção da sua própria mãe que a submeteu a várias situações, fazendo ela mesma acreditar que estava doente, após descobrir toda a verdade, Gypsy resolve se vingar da mãe a matando.

Objetos Cortantes

Objetos Cortantes, é uma série e livro que aborda a volta da personagem para a sua cidade natal a trabalho, depois de ter passado por um período de tratamento em uma clínica psiquiátrica. Sua família, composta pela mãe, irmã e padrasto não tem muita aproximação com a mesma, além de possuir uma relação conturbada com a mãe que a causou vários traumas.

Ao nos depararmos com o comportamento do personagem da mãe, vemos que ela possui a síndrome, manipulando e subordinando sua filha e causando traumas na relação. 

Fuja!

Neste filme somos apresentados a uma jovem que sofre de várias doenças, inclusive de paralisia, sua mãe é sua cuidadora e está sempre com ela. A jovem ainda aguarda uma carta da faculdade a aceitando para que comece seus estudos.

Ao notar o comportamento estranho da sua mãe, a garota começa a investigar o que estava acontecendo, até que ela descobre que sua mãe a faz tomar um remédio que causam consequências em seu corpo e geram enfermidades inclusive a paralisia.

The Politician

Por sua vez, The Politician aborda a história de uma jovem que sofre de uma doença misteriosa e que tem um passado também misterioso. Quem cuida dela é a sua avó, que está concorrendo à eleição da escola junto com seu companheiro de chapa ambicioso.

Assim passa-se a notar que sua avó usa a doença de sua neta para se promover e entrar em restaurantes de graça.

Como lidar com a síndrome de Munchausen?

Para lidar com o distúrbio é fundamental a intervenção terapêutica que, além de fornecer o tratamento adequado e esclarecer dúvidas sobre a origem do problema, também dará um suporte importante para que o sujeito tenha um bom convívio social. Muitas vezes é difícil para o paciente em síndrome aceitar suas condições, nesse contexto surge a importância da família para ajudar e apoiar.

Certamente, o papel familiar transcende o apoio emocional, consolidando-se como uma sentinela estratégica na identificação precoce dos sinais da síndrome. Invariavelmente, monitorar a frequência de hospitalizações, mudanças comportamentais e a dinâmica das relações interpessoais é vital para o diagnóstico assertivo. Efetivamente, ao desmistificar a psicoterapia e ressaltar os benefícios clínicos, os parentes reduzem a resistência do indivíduo às intervenções necessárias. Logo, a família atua como um elo facilitador que suaviza a rigidez do paciente, integrando-o com segurança ao processo de cura.

Qual o tratamento para síndrome de Munchausen?

Certamente, o suporte especializado de psiquiatras e psicólogos é vital devido à natureza atípica e complexa da Síndrome de Munchausen. Invariavelmente, o tratamento prioriza a modificação comportamental para cessar a busca injustificada por intervenções médicas invasivas. Efetivamente, após a estabilização da conduta, a psicoterapia aprofunda-se na resolução de angústias pretéritas e gatilhos emocionais. Logo, a transição do controle de sintomas para a investigação psicológica permite que o paciente compreenda a raiz do distúrbio e desenvolva mecanismos de enfrentamento saudáveis.

Sendo assim, o tratamento indicado para este tipo de problema é a terapia cognitivo-comportamental, onde através dela será possível trabalhar a mudança de pensamento junto com o comportamento. Outras terapias também podem ser eficazes como a intervenção familiar através da terapia familiar, onde se promove uma troca de informações sobre a síndrome junto com a escuta da família.

Além de terapias de grupo, o paciente pode passar pela terapia cognitiva comportamental, pois ela pode reduzir um sentimento de isolamento e depressão, além do sentimento de baixa autoestima.

A importância da terapia

Primordialmente, a psicoterapia humanizada prioriza a compreensão profunda dos processos psíquicos de quem convive com síndromes ou distúrbios. Não obstante, o terapeuta utiliza referenciais teóricos para incitar reflexões críticas e promover a reestruturação dos padrões de pensamento. Subsequentemente, essa mudança comportamental rompe o ciclo vicioso autodestrutivo, restaurando a saúde do organismo e da mente. Portanto, ao consolidar uma nova perspectiva existencial, o paciente torna-se capaz de trilhar caminhos fundamentados em objetivos saudáveis e autônomos.

Além disso, a partir de ideias do passado o indivíduo pode ter uma mudança de humor drástica que pode levar ao sentimento de que suas atitudes erradas fizeram com que ele não fosse mais bem quisto, contudo, através da terapia de grupo o paciente tem a possibilidade de renovar sua autoestima se sentindo amado e fazendo parte de um grupo social.

Conclusão

Sendo assim, com as informações dadas, vemos que a síndrome de Munchausen pode trazer grandes riscos à saúde das pessoas. Tanto a pessoa que possui o distúrbio quanto os indivíduos que vivem ao redor da mesma, tendo em vista que esse transtorno é um grande instrumento de manipulação que faz o paciente pensar e elaborar várias formas de manter uma falsa doença.

É essencial que familiares e amigos fiquem atentos aos sinais dados pelos pacientes com o intuito de prevenir eventuais complicações de saúde e buscar os tratamentos mais adequados para o bom funcionamento do sujeito.

Primordialmente, a psicoterapia capacita o indivíduo a reestruturar padrões cognitivos e comportamentais, interrompendo o ciclo de danos a si e aos outros. Não obstante, no manejo da Síndrome de Munchausen, a eficácia clínica exige intervenções minuciosas que contemplem as múltiplas dimensões psíquicas e sociais do paciente. Subsequentemente, o foco terapêutico reside em desconstruir a necessidade patológica de assumir o papel de doente para obter atenção. Portanto, o cuidado atento e multidimensional torna-se o caminho viável para restaurar a funcionalidade e a integridade do sujeito.

NÓS LIGAMOS PARA VOCÊ

Fabrício Selbmann é psicanalista, palestrante sobre Dependência Química e diretor da Recanto Clínica Hospitalar – rede de três clínicas de tratamento para dependência química e saúde mental, referência no Norte e Nordeste nesse segmento.

Especialista em Dependência Química pela UNIFESP, pós-graduado em Filosofia | Neurociências | Psicanalise pela PUC-RS, além de especialização na Europa sobre o modelo de tratamento Terapia Racional Emotiva (Minessota).

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