Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil está entre os países com maior prevalência de transtornos de ansiedade no mundo, atingindo cerca de 9% da população. O transtorno do pânico faz parte desse grupo de condições.
Essa síndrome costuma se manifestar por meio de crises intensas de ansiedade, conhecidas como ataques de pânico.
Mas qual a real ameaça desse transtorno? Ao longo deste artigo, vamos esclarecer essas dúvidas e compreender melhor como o transtorno do pânico funciona e por que ele merece atenção e cuidado adequados.

O que é a síndrome do pânico?
Atualmente, a síndrome do pânico, também chamada de transtorno do pânico, se configura principalmente por crises de ansiedade agudas, acompanhadas geralmente de uma sensação de possível morte.
Essas crises possuem intensidade alta e costumam durar até 10 minutos, ocorrendo de maneira inesperada e sem um motivo aparente, causando desespero por não saber o que está acontecendo.
Quando a frequência dessas crises é constante, ela passa a ser considerada uma síndrome do pânico e não simplesmente uma crise, ocorrendo de maneira episódica e sistêmica.
Como não se sabe ao certo quando a crise pode acontecer, isso acarreta um estado de tensão e preocupação ansiosa, podendo favorecer o aparecimento de outros transtornos ansiosos.
O que pode causar a síndrome do pânico?
A síndrome do pânico pode ser ocasionada por uma série de fatores, de todo modo, é bom entender que na maioria dos casos se inicia pela combinação de alguns fatores que serão apresentados a seguir.
Primeiramente existe o fator genético, pessoas com parentes próximos, principalmente os pais com transtornos ansiosos possuem mais chance de desenvolver síndrome do pânico.

Atrelado a isso há também o fator social de convivência. Nesse sentido, viver com alguém que possua algum tipo de transtorno ansioso pode levar com que a outra pessoa também passe a se sentir mais ansiosa.
Assim como experiências altamente estressantes e traumáticas podem levar a desencadear esse transtorno, há exemplo, temos crises familiares, luto, crise financeira, abusos, situações de violência, principalmente se esses fatores ocorrerem ainda na infância.
Qual o sintoma da síndrome do pânico?
O principal sintoma do transtorno do pânico é a ocorrência de ataques de pânico recorrentes e inesperados, acompanhados de ansiedade antecipatória, ou seja, o medo constante de que uma nova crise aconteça.
Essa preocupação persistente pode levar a mudanças comportamentais significativas, como evitar determinados lugares ou situações, impactando diretamente a rotina e a qualidade de vida da pessoa.
Durante as crises de pânico é comum que a pessoa sinta: tremores, tontura, sensação de morte iminente, náuseas, suor frio, dor no peito, sensação de perda de controle e desespero.
Além disso, vômitos, alteração de temperatura, aumento dos batimentos cardíacos e falta de ar.
Como diferenciar um ataque de pânico de um ataque cardíaco?
Diante desses sintomas, existe a impressão de que aquilo que está sendo sentido pode ser algo bem mais grave do que parece.

Esse é o poder que a mente pode ter no nosso corpo: Aquilo que se somatizar de sentimentos de ansiedade em nosso corpo acabam se tornando sintomas físicos.
É muito comum o ataque de pânico ser confundido com um ataque cardíaco. Existem algumas semelhanças em seus sintomas, mas também têm diferenças distintas.
Ambos podem apresentar dor no peito, taquicardia, falta de ar, náuseas e sudorese, entre outros sintomas. No entanto, suas características e origens são diferentes.
Os ataques cardíacos podem começar de forma leve e gradual, enquanto a maioria dos ataques cardíacos começa lentamente com dor leve ou desconforto que piora gradualmente, podendo ser súbitos e intensos.
Por outro lado, a síndrome do pânico é um tipo de transtorno de ansiedade que pode causar ataques de pânico repetidos. Esses ataques ocorrem rapidamente e atingem o pico de intensidade em cerca de 10 minutos, podendo ser desencadeados por eventos traumáticos ou mesmo ocorrer sem motivo aparente.
As diferenças mais marcantes entre os dois são as características das dores. No ataque cardíaco, a pessoa geralmente sente uma dor opressiva no peito que pode irradiar para mandíbula, ombros ou braços, sendo mais frequente do lado esquerdo.
Além disso, pode haver ardor no peito que pode ser confundido com azia, já no ataque de pânico, as dores podem se espalhar pelo tórax e pescoço, mas não provocam a sensação de pressão típica de um ataque cardíaco.
Qual a diferença entre ansiedade e síndrome do pânico?
A ansiedade é uma condição básica em todo ser humano, não ocorrendo apenas de maneira patológica, sendo comum por exemplo, almejar coisas boas para o futuro e se questionar “os comos” e “quando vão acontecer”.
Contudo, quando falamos da ansiedade patológica, relacionada aos transtornos de ansiedade, ela costuma ter causas bem definidas e conhecidas pela pessoa, geralmente algum desafio a ser superado.

Já a síndrome do pânico não possui uma causa aparente, além disso os sintomas quase sempre são agudos, já nas crises de ansiedade podem variar mais de intensidade.
Síndrome do pânico: Saiba como acontece o diagnóstico
O diagnóstico desse transtorno, geralmente ocorre por um médico clínico ou por um psiquiatra que ao se atentar aos critérios do DSM-V e do CID-11, deve verificar se há uma frequência episódica dos sintomas.
Para além disso, verifica-se se há medos reais e causas evidentes por trás dessas crises, pois se houver, se configura como crise de ansiedade e não uma crise de pânico, dessa forma, sem razões claras para tal, e se as crise se manifestarem de forma constante, pode-se afirmar que é uma síndrome de pânico.
É importante também para que se possa realizar o diagnóstico, que o psiquiátra investigue o histórico médico e familiar, para que se identifique se há correlações familiares para esse diagnóstico.
É possível prevenir um ataque de pânico?
A síndrome do pânico é um transtorno de ansiedade que pode causar ataques de pânico repetidos e intensos em certas situações. Existem medidas preventivas que podem ajudar a lidar com essa condição e reduzir a frequência e intensidade das crises.
Pratique atividades físicas, como caminhada, corrida, meditação, yoga e pilates, que liberam hormônios importantes para o cérebro e promovem a sensação de felicidade e bem-estar.

Evite locais desconfortáveis, como ambientes lotados e barulhentos, preferindo ambientes calmos e silenciosos. Evite bebidas estimulantes, como álcool e cafeína, optando por bebidas mais naturais, como sucos ou chás.
Pratique a gratidão e tente enxergar os acontecimentos pelo lado positivo, entendendo que cada experiência pode contribuir para o crescimento pessoal.
Além disso, em situações específicas que normalmente geram desespero, como viajar de avião, é possível utilizar medicamentos prescritos por um profissional de saúde, mas é fundamental seguir a recomendação médica.
A síndrome do pânico é um transtorno sério que requer acompanhamento e tratamento adequado, e caso os sintomas persistam ou se tornem incapacitantes, é importante buscar ajuda médica e psicológica para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento efetivo.
Principais tratamentos para síndrome do pânico
Os tratamentos para a síndrome do pânico incluem psicoterapias e o uso de medicamentos. No caso das psicoterapias, se destacam principalmente as de cunho comportamental.
Porém, todos os diferentes tipos de abordagem servem para ir na razão do problema e ajudar a pessoa a se fortalecer emocionalmente.

O uso de medicamentos se dá principalmente pelo uso de antidepressivos, principalmente os tricíclicos, para o controle dos neurotransmissores e realizar uma regulação emocional orgânica.
Em geral, o paciente utiliza esses medicamentos por longo tempo e realiza o desmame obrigatório, pois muitos deles geram dependência.
Há também casos mais graves, em que o sistema de saúde convencional não conseguiu resolver, a alternativa da internação em uma clínica de saúde mental para maior conforto e foco no tratamento.
A importância do tratamento correto para a síndrome do pânico
Primordialmente, o pânico não tratado condiciona o cérebro a viver em um ciclo de medo da própria ansiedade. Nesse sentido, terapias sem evidência científica podem mascarar sintomas sem tratar a desregulação do sistema nervoso.
Ademais, a demora em buscar o suporte correto aumenta o risco de isolamento social severo e depressão secundária. Portanto, o diagnóstico preciso e a intervenção de especialistas são as únicas garantias de que o paciente está, de fato, caminhando para a cura e não apenas adiando o problema.

O tratamento quando feito de forma inadequada e não profissional pode resultar em consequências devastadoras, não só na piora do quadro, na frustração do paciente e ainda aparecimento de outros sintomas.
Conclusão
A síndrome do pânico, ou transtorno do pânico, é uma condição séria, mas tratável. Embora muitas vezes seja confundida com crises comuns de ansiedade, apresenta características específicas que exigem avaliação profissional.
Esse é um dos transtornos ansiosos que mais apresentou crescimento durante e após a fase mais intensa da pandemia de COVID-19, acompanhando o aumento global de aproximadamente 25% nos casos de ansiedade e depressão, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Nós do Grupo Recanto estamos disponíveis para tratamentos em saúde mental, incluindo síndrome do pânico. Se você ou alguém próximo enfrenta esse desafio, não hesite em buscar apoio. Cuidar da saúde mental é um compromisso com a própria vida.
E lembre-se: buscar ajuda não é sinal de fraqueza — é um passo de coragem em direção à recuperação.












