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A RELAÇÃO ENTRE: o uso de substâncias e a ideação suicida

O suicídio é um fenômeno complexo, multifatorial e profundamente marcado pelo sofrimento psíquico.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ele está entre as 20 principais causas de morte no mundo.

Luta contra a dependência

Para cada morte consumada, além disso, estima-se que ocorram até 20 tentativas. Esses números revelam que o problema não se limita ao ato final, mas envolve um longo processo de dor, silêncio e vulnerabilidade.

Nesse contexto, entre os fatores de risco mais estudados, o uso de substâncias psicoativas — como álcool, crack, cocaína, maconha, opioides e até medicamentos prescritos — aparece de forma recorrente como um dos principais. 

Essa relação não é mera coincidência: ela envolve alterações neuroquímicas, desregulação emocional, estigma social, isolamento e, em muitos casos, a presença de transtornos mentais associados.

Este texto, portanto, vai analisar a fundo a conexão entre dependência química e ideação suicida, abordando mecanismos biológicos e sociais, diferentes grupos de risco, estratégias de prevenção e alternativas de cuidado.

O que é ideação suicida?

De forma geral, a ideação suicida refere-se à presença de pensamentos relacionados a tirar a própria vida. Esses pensamentos podem variar em intensidade e clareza:

  • Ideação passiva: quando a pessoa deseja não estar viva ou pensa em “sumir”, mas não planeja ativamente como.
  • Ideação ativa: quando há intenção clara, incluindo elaboração de planos, escolha de métodos ou definição de um momento para o ato.

Clinicamente, a ideação suicida é considerada um sinal de risco iminente, sobretudo quando associada a histórico de tentativas, impulsividade ou uso de substâncias.

É importante destacar que, em muitos casos, a ideação não expressa o desejo real de morrer, mas sim de interromper uma dor psíquica insuportável. Nesse contexto, o uso de drogas, que inicialmente pode parecer um “anestésico”, acaba funcionando como combustível para esse sofrimento, elevando o risco de desfechos trágicos.

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Como as substâncias afetam a ideação suicida?

Nesse sentido, o consumo abusivo de drogas e álcool impacta diretamente o cérebro e o comportamento, funcionando como fator de risco direto e indireto para o suicídio.

1. Impulsividade aumentada

Nessas condições, sob efeito de álcool ou estimulantes, como cocaína e anfetaminas, a capacidade de julgamento é reduzida. Além disso, o córtex pré-frontal, responsável por avaliar riscos e consequências, fica menos ativo. 

Assim, pensamentos suicidas que poderiam ser contidos em estado sóbrio podem se transformar em tentativas concretas.

2. Desinibição emocional

O álcool diminui a censura interna e libera emoções reprimidas. Isso pode intensificar sentimentos de desesperança, raiva ou autodesvalorização, tornando mais provável um comportamento suicida impulsivo.

3. Agravamento de transtornos mentais

Em muitos casos, muitos dependentes usam drogas como forma de automedicação contra depressão, ansiedade ou traumas. Embora o alívio imediato pareça real, a médio e longo prazo o uso piora os sintomas, aumentando a ideação suicida.

4. Isolamento social e culpa

Com o tempo, o ciclo da dependência leva a conflitos familiares, perdas financeiras e afastamento social. Esse isolamento amplia o vazio, a vergonha e a sensação de inutilidade, todos fatores associados ao risco de suicídio.

5. Abstinência e desespero

Em crises de abstinência, sintomas como insônia, angústia e irritabilidade intensificam pensamentos autodestrutivos. Em alguns casos, a abstinência pode ser tão dolorosa que leva a tentativas suicidas como fuga da sensação insuportável.

O álcool e o risco de suicídio

De modo geral, o álcool é a droga mais associada a suicídios. No consumo agudo (40%) , a impulsividade aumenta de forma significativa.

  • Consumo agudo: a embriaguez aumenta a impulsividade e reduz o autocontrole, funcionando como um “gatilho” para a execução de ideias suicidas.
  • Consumo crônico: o alcoolismo prolongado está ligado à depressão, isolamento, dificuldades financeiras e problemas de saúde como cirrose, alimentando sentimentos de culpa e desesperança.

Nesse cenário, homens adultos, especialmente aqueles entre 35 e 55 anos, compõem o grupo de maior risco. Pesquisas apontam que a taxa de suicídio nessa população pode ser até 10 vezes maior do que entre não alcoólatras.

Drogas ilícitas e o risco de suicídio

Em síntese, cada substância tem efeitos distintos sobre a vulnerabilidade suicida:

  • Cocaína e crack: causam euforia seguida de queda abrupta de humor, além de paranoia e psicose, elevando tentativas impulsivas.
  • Opioides: estão associados a depressão severa e overdoses (acidentais ou intencionais), facilitadas pela depressão respiratória.
  • Maconha: embora considerada de baixo risco por alguns, pode intensificar sintomas de ansiedade e psicose em pessoas vulneráveis.
  • Anfetaminas e ecstasy: provocam insônia, agitação e paranoia, fatores que reduzem a capacidade de controle e aumentam a ideação.

Transtornos mentais, dependência e suicídio

A presença de comorbidades psiquiátricas amplia consideravelmente o risco. Indivíduos com transtorno depressivo maior, transtorno bipolar ou esquizofrenia que também usam drogas apresentam índices muito mais altos de tentativas de suicídio.

Estudos apontam que mais de 90% das pessoas que cometem suicídio têm algum transtorno mental diagnosticável, sendo a dependência química uma das mais recorrentes.

Aspectos neurobiológicos

O impacto das drogas vai além do comportamento: ele atinge os sistemas de neurotransmissores responsáveis pelo equilíbrio emocional.

  • Serotonina: baixos níveis estão associados à depressão e à ideação suicida. O álcool reduz sua atividade.
  • Dopamina: ligada à sensação de prazer e motivação, é artificialmente estimulada pelas drogas, mas cai abruptamente na abstinência, causando apatia e desespero.
  • Córtex pré-frontal: o uso crônico prejudica funções de decisão e controle de impulsos, favorecendo atos suicidas impulsivos.

Esse desequilíbrio ajuda a explicar por que períodos de abstinência ou recaída representam alto risco de suicídio.

Uso de substâncias e suicídio ao longo da vida

O risco varia conforme a fase da vida:

Adolescentes

  • O início precoce do uso de álcool e drogas está associado a maior risco de tentativas de suicídio.
  • Adolescentes frequentemente utilizam substâncias como forma de lidar com pressões sociais, bullying e transtornos emocionais.
  • A imaturidade cerebral nessa fase aumenta a impulsividade, tornando-os mais suscetíveis a atos extremos.

Adultos jovens

  • O uso recreativo pode evoluir para dependência, especialmente em contextos de estresse acadêmico e profissional.
  • O desemprego e a falta de perspectiva futura potencializam os efeitos negativos do uso de substâncias.

Meia-idade

  • Essa faixa etária apresenta altos índices de suicídio ligados ao alcoolismo crônico.
  • Perdas familiares, crises conjugais e pressões financeiras são gatilhos comuns.

Idosos

  • O consumo abusivo de medicamentos (como benzodiazepínicos e opioides) e o alcoolismo tardio aumentam o risco.
  • A solidão, doenças físicas e declínio da autonomia funcionam como fatores agravantes.

A importância da detecção precoce

Diante de tudo isso, uma das maiores barreiras na prevenção é a subnotificação da ideação suicida. E por muitas vezes, familiares e até profissionais de saúde interpretam sinais de forma equivocada.

Entre os principais alertas de risco, destacam-se:

  • Comentários frequentes sobre morte ou falta de sentido na vida.
  • Aumento repentino do uso de álcool ou drogas.
  • Isolamento social e abandono de atividades prazerosas.
  • Mudanças bruscas de humor.

Logo, identificar esses sinais precocemente pode ser decisivo para evitar tragédias.

Ciclo de dependência e suicídio

Nesse contexto, o relacionamento entre uso de substâncias e ideação suicida pode ser compreendido como um ciclo destrutivo que se repete em espiral, levando a pessoa a níveis cada vez maiores de vulnerabilidade. 

Logo, esse processo envolve gatilhos emocionais, alívio ilusório, consequências negativas e intensificação do sofrimento.

1. O surgimento da emoção dolorosa

Analisando isso, o ponto de partida costuma ser uma experiência interna de sofrimento: tristeza profunda, solidão, ansiedade, desespero ou sensação de inadequação. 

Em alguns casos, trata-se de um trauma não elaborado ou de um transtorno mental já instalado, como depressão ou transtorno de ansiedade generalizada.

Nessa fase, a pessoa sente que não tem recursos emocionais para lidar com a dor. Essa percepção de impotência abre espaço para a busca de uma “saída rápida”.

2. O recurso à substância como fuga

Diante desse cenário, a droga ou o álcool aparecem como uma estratégia imediata de enfrentamento. Para alguns, é o primeiro contato motivado pela curiosidade ou pela pressão social; para outros, já é um padrão consolidado de automedicação.

Do ponto de vista neurobiológico, a substância ativa o sistema de recompensa, liberando dopamina e serotonina, o que gera uma sensação de prazer, relaxamento ou anestesia emocional. Entretanto, esse alívio parece, a princípio, eficaz.

3. O alívio imediato, mas temporário

Portanto, o efeito prazeroso da substância não dura muito. Visto que ele é curto e artificial, incapaz de resolver as causas do sofrimento. Quando passa, a dor original permanece, às vezes ainda mais intensa devido à queda abrupta dos neurotransmissores envolvidos.

Esse padrão cria o que se chama de reforço negativo. Como resultado, esse condicionamento se torna um dos pilares da dependência química.

4. A chegada da culpa, do vazio e da autocrítica

Após o efeito, surge uma série de consequências emocionais: culpa por ter usado novamente, sensação de fracasso, vergonha diante da família, conflitos no trabalho ou em relacionamentos.

Entretanto esse momento é crucial: a pessoa não apenas retoma a dor inicial, mas adiciona novas camadas de sofrimento. A sensação de estar “preso” ao ciclo gera desesperança — um dos principais preditores de ideação suicida.

5. A intensificação do sofrimento e a escalada do risco

Com o passar do tempo, o ciclo se acelera. O intervalo entre uso, culpa e recaída fica cada vez menor. A dor emocional cresce e o indivíduo passa a acreditar que não há saída possível, aumentando o risco de tentativa de suicídio.

Aqui, a relação é direta: o consumo da substância não só não resolve o problema, como amplia o sofrimento original. O que começou como “fuga” se transforma em prisão psicológica e biológica.

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Estratégias de prevenção

Considerando isso, a prevenção do suicídio em pessoas com dependência exige múltiplas estratégias:

  • Tratamento integrado: abordar ao mesmo tempo a dependência e os transtornos mentais.
  • Terapias baseadas em evidências:
    • TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) para reestruturação de pensamentos negativos.
    • DBT (Terapia Comportamental Dialética) para pacientes com risco elevado, ensinando regulação emocional.
  • Grupos de apoio: como Alcoólicos Anônimos (AA) e Narcóticos Anônimos (NA), que reduzem o isolamento.
  • Medicação: uso de antidepressivos, estabilizadores de humor e antipsicóticos, quando indicado.
  • Redução de danos: programas de substituição de opioides e aconselhamento em contextos de acolhimento.
  • Tecnologia e monitoramento: aplicativos de apoio psicológico e redes online de suporte.
  • Detecção precoce: observar sinais como falas sobre morte, aumento súbito do consumo, isolamento e mudanças bruscas de humor.

Alternativas saudáveis e fortalecimento da vida

Seguindo esse ponto de vista, quando alguém está preso no ciclo da dor e da dependência, pode parecer que nenhuma saída é possível sem o uso de substâncias. O alívio imediato das drogas, apesar de ilusório, exerce grande poder sobre a mente e o corpo. 

No entanto, existem caminhos mais seguros e eficazes que, embora não tragam prazer instantâneo, oferecem sustentação real, equilíbrio emocional e reconstrução de sentido para a vida.

Fica visível, porém, que essas práticas funcionam como ferramentas de fortalecimento interno, criando um espaço onde a pessoa aprende a lidar com suas emoções sem recorrer à autodestruição.

  • Exercícios físicos e caminhadas.
  • Escrita terapêutica.
  • Técnicas de respiração e mindfulness.
  • Conversar com alguém de confiança.

Logo, é fundamental compreender que nenhuma dessas alternativas traz alívio instantâneo como a droga. Porém, ao serem praticadas de forma consistente, elas constroem bases sólidas para o fortalecimento da vida.

E por causa disso, o processo é gradual: cada caminhada, cada página escrita, cada respiração consciente ou conversa significativa representa uma forma de interromper o ciclo da dor e criar novas possibilidades de futuro.

Essas estratégias não substituem tratamento profissional, mas atuam como aliadas poderosas no processo de recuperação e na prevenção da ideação suicida.

Conclusão

Por fim, a relação entre o uso de substâncias e a ideação suicida é um dos temas mais urgentes em saúde mental contemporânea. Longe de ser apenas uma questão individual, trata-se de um fenômeno complexo e coletivo, marcado pela interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais.

No campo biológico, as drogas alteram neurotransmissores e o funcionamento cerebral, comprometendo o controle de impulsos e aumentando a vulnerabilidade emocional. Já no aspecto psicológico, funcionam como “anestésicos” temporários que, em vez de aliviar, intensificam a dor interna. Na temética social, a exclusão, o estigma e o isolamento se somam, criando um terreno fértil para a desesperança.

Portanto, essa combinação evidencia que o suicídio associado à dependência química não pode ser visto como “fraqueza pessoal”, mas como resultado de um conjunto de fatores de risco que precisam ser enfrentados com empatia, ciência e políticas públicas eficazes.

👉 Se você ou alguém que ama está sofrendo com esse tema saiba que não está sozinho. O caminho pode ser difícil, mas nunca é impossível. No Grupo Recanto, acreditamos que cada ser humano merece a chance de recomeçar. 

Nesse contexto, nossa equipe multidisciplinar está preparada para oferecer um tratamento integrado, humanizado e baseado em evidências científicas, unindo saúde mental, espiritualidade e acolhimento familiar.

Logo, cada passo dado em direção ao cuidado é também um passo em direção à vida. E nós estaremos ao seu lado em cada etapa desse processo.👉Entre em contato conosco e descubra que recomeçar é possível.

NÓS LIGAMOS PARA VOCÊ

Fabrício Selbmann é psicanalista, palestrante sobre Dependência Química e diretor da Recanto Clínica Hospitalar – rede de três clínicas de tratamento para dependência química e saúde mental, referência no Norte e Nordeste nesse segmento.

Especialista em Dependência Química pela UNIFESP, pós-graduado em Filosofia | Neurociências | Psicanalise pela PUC-RS, além de especialização na Europa sobre o modelo de tratamento Terapia Racional Emotiva (Minessota).

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