“Ouvir vozes” nada mais é do que alucinações auditivas. Essas alucinações podem vir em formas de barulhos e ruídos, assim como vozes, sendo essas familiares ou não.
Podendo se manifestar, a partir de alguma condição externa ou transtorno psíquico. Algumas doenças biológicas e físicas também podem dar origem a esse acontecimento.
Ainda, para quem vivencia o fenômeno tudo parece muito real. Por isso, se o relato for persistente pode acabar por atrapalhar a vida cotidiana.

É normal ficar ouvindo vozes?
Pode-se dizer que em algumas situações escutar vozes é considerado comum, embora não seja algo esperado dentro dos padrões habituais de saúde mental, como em situações de luto ou de grande estresse.
Algumas crianças de até 12 anos afirmam ouvir vozes ou ouviram durante parte da infância, o que costuma cessar quando ficam mais velhas.
É bastante comum que alguém já tenha vivido a experiência de ouvir seu nome sendo chamado e, ao verificar, perceber que não havia ninguém ali. No entanto, esse fenômeno, se acontecer frequentemente, pode ser proveniente de alguma doença ou patologia.
O conteúdo dessas vozes pode se apresentar de forma crítica, reforçando a sua ideia sobre algo e de forma mais neutra. Algo que é muito comum nessas alucinações auditivas é a ideia de ordem e comando, assim como a ideia de perseguição.
É importante diferenciar também da chamada “voz de pensamento” ou quando você lembra de uma música ou um diálogo de um filme ou série e reproduz em sua mente. Quando isso ocorre, você não está ouvindo vozes, apenas lembrando de algo.

Qual doença psicológica pode causar alucinações?
O transtorno mais associado a essas alucinações é a esquizofrenia, assim como outros transtornos associados a esse quadro, uma vez que manifestam diversos tipos de alucinações, sendo a auditiva a mais comum.
No entanto, o problema também pode ser associado a diversos outros transtornos como os psicóticos e maníaco-depressivos.
Situações de estresse extremo e de trauma contribuem integralmente para que isso aconteça, como por exemplo, abandono parental, perda de um dos pais ou parente muito próximo de forma traumática, abuso sexual, abuso físico e psicológico constante, etc.
Além das vozes, quais são os outros sintomas da esquizofrenia?
Além das alucinações auditivas, os outros sentidos também podem manifestar percepções sem estímulo externo, a exemplo as alucinações visuais (visão), táteis (tato) e olfativas (olfato).
Ademais, o paciente frequentemente desenvolve delírios, ideias ou crenças que ele assume como reais, apesar da ausência total de evidências que as comprovem.
Outros sintomas incluem alterações e perturbações do pensamento, que podem levar à desorganização das ideias, como a desagregação do pensamento, além de incoerência e prolixidade, caracterizadas por uma fala confusa, excessivamente detalhada e difícil de compreender.
Comportamento diferente e/ou excêntrico, falta de cuidados pessoais, dificuldade em expressar e de sentir emoções e sentimentos, de sentir prazer, isolamento social e apatia, são outros possíveis sintomas.

Os delírios de pessoas esquizofrênicas frequentemente manifestam a ideia de perseguição e paranóia, assim como delírios de grandeza.
O que causa a esquizofrenia?
Ainda não há uma conclusão definitiva sobre o que pode causar a esquizofrenia, mas estudos apontam fatores genéticos, ambientais e problemas neurológicos como os mais prováveis.
Se a pessoa tiver parentes de primeiro grau que possuem esquizofrenia, há maior chance de desenvolver o transtorno também.
Assim como na depressão, se certas substâncias químicas cérebrais estiverem desreguladas, essas podem contribuir para o desenvolvimento de sintomas, como por exemplo, o glutamato e dopamina, principais neurotransmissores responsáveis pela regulação da percepção, pensamento e comportamento.
Esse desajuste pode acontecer de maneira natural ou pelo uso de drogas e entorpecentes.
Como é o diagnóstico da esquizofrenia?
O psiquiatra se baseia nos sinais e sintomas descritos nos manuais como DSM-V e CID-10. A observação clínica e a análise do histórico clínico são muito importantes, nesse caso, pois há exames laboratoriais que possam auxiliar no diagnóstico da esquizofrenia.
A esquizofrenia costuma se manifestar no fim da adolescência e início da vida adulta, ocorrendo geralmente após os 20 anos de idade.
O diagnóstico se pauta na análise da combinação entre os sinais e sintomas demonstrados e o histórico do paciente. Se for possível coletar informações de familiares, amigos e conhecidos, esses dados podem fornecer informações úteis para o diagnóstico também.

Sinais que alguém está alucinando
Segundo a revista brasileira de neurologia e psiquiatria, as alucinações são distorções sensoriais, que possuem a mesma qualidade de eventos reais, porém sem a estimulação de um órgão sensorial.
As alucinações ocorrem quando os sentidos humanos assumem um estado de inatividade, resultando numa confusão completa para o indivíduo afetado.
Uma forma de identificar essas ocorrências é observar possíveis alterações na percepção sensorial da pessoa, o que pode indicar a presença de um fenômeno atípico.
Essas alterações podem se manifestar de diferentes maneiras, sendo a auditiva uma das mais comuns, quando o indivíduo escuta algo que não corresponde a um estímulo real do ambiente.
Existe ainda um indicador bastante significativo, que é a mudança incomum no comportamento da pessoa.
Quando alguém que habitualmente apresentava um perfil tranquilo passa, por exemplo, a demonstrar ideias grandiosas sem fundamento na realidade, isso pode sinalizar uma alteração importante em seu estado mental.
Adicionalmente, e com igual significância, a existência de problemas de comunicação deve ser tomada em conta. Se uma simples conversa casual parece agora um diálogo desorganizado e sem sentido, poderá tratar-se de uma manifestação de alucinações.
Quais são os tratamentos para quem está ouvindo vozes?
Quem está ouvindo vozes pode acreditar que é a única pessoa a vivenciar essa experiência, o que pode gerar isolamento e sofrimento.

Por isso, é fundamental oferecer orientação adequada, acolhimento e informação qualificada, favorecendo a troca segura de experiências e uma melhor compreensão do que está acontecendo.
O primeiro passo indicado é a busca por um psiquiatra para que seja averiguado e feito o diagnóstico. E se for confirmado que realmente é esquizofrenia, há opções de tratamento, inclusive com medicamentos.
A psicoterapia pode também ser usada para auxiliar e controlar os sintomas, ajudando a pessoa a continuar convivendo com o transtorno em meio a sociedade e fortalecendo a resiliência.
Também é possível que se recorra a reabilitação, através das clínicas de reabilitação, que trabalham a partir do treinamento de habilidades psicossociais e que oferecem suporte médico necessário.
Qual é o papel da clínica de recuperação no tratamento da esquizofrenia?
A clínica de reabilitação, para além de diminuir e controlar os sintomas, também trata o lado social, supervisionando e promovendo a autonomia e independência na medida do possível para o paciente.
Os cuidados prestados são psicológicos, sociais e físicos. Por isso, é importante a presença de uma equipe multiprofissional, ou seja, composta por profissionais de áreas diferentes atuando em conjunto.
As clínicas de reabilitação são indicadas e procuradas em casos mais graves e severos da doença, pois precisam de um acompanhamento maior e diário.
Funcionam como um hospital de pequeno ou médio porte, fornecendo os cuidados médicos necessários aliado a cuidados sociais e psicológicos também providos num mesmo espaço.
A clínica faz o controle da crise, ameniza os sinais e sintomas, procura entender as causas, estabiliza o paciente e após isso o insere nos modelos de tratamento.
Como os familiares podem ajudar no tratamento?
Os familiares têm papel fundamental e podem ajudar desde quando ainda se suspeita que a pessoa esteja ouvindo vozes.
Diferente de décadas atrás, hoje a esquizofrenia é um problema que pode ser controlado. Então tente não agir com estranheza ou repúdio.

Procure se informar e contribua para o processo, incentivando a busca por tratamento, inclusive acompanhando quando for possível.
Demonstrar apoio emocional e não julgar a pessoa nessa condição é o melhor que você pode fazer, então procure conversar com o(a) psiquiatra e com o psicólogo (a) para entender como está a situação e de que maneira você pode seguir ajudando.
Onde encontrar uma clínica de tratamento?
O Grupo Recanto possui um amplo tratamento para questões de saúde mental, inclusive a esquizofrenia e que está de acordo com as determinações federais.
Possuímos suporte médico 24h, ambulatório com veículos disponíveis para o transporte em caso de emergência e uma equipe multiprofissional preparada.
Nossa clínica especializada no cuidado da saúde mental conta com três unidades, duas em Igarassu no Pernambuco e outra no estado de Sergipe.
Conclusão
O ato de escutar vozes em si não significa que a pessoa é portadora de um transtorno. Porém, é um sinal de alerta caso o problema persista.

Dentre as várias possibilidades, a esquizofrenia costuma ser a principal causa. Isso porque é um transtorno mental que tem por características delírios e alucinações, dentre elas a mais comum seria justamente ouvir vozes.
Essa é uma doença ainda muito estigmatizada, isto é, marcada pela sociedade de forma negativa. Muito por conta do mito que o esquizofrênico não tem sanidade, o que não poderia estar mais errado.
Ouvir vozes não é o problema em si, esse aspecto sozinho não configura nenhuma patologia. Porém, a associação dele com outros sintomas pode gerar muitos resultados e para isso é importante a consulta médica.












