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Pó de anjo a relação entre o vício e a morte

De tempos em tempos novas drogas chegam no mercado e desafiam os profissionais da saúde no enfrentamento das dificuldades trazidas pelo consumo dessas substâncias. O pó de anjo é uma dessas drogas que vem se tornando cada vez mais popular entre os grupos de jovens, e nas festas que eles frequentam, apresentando efeitos como alterações de sensopercepção e juízo de realidade. 

Ademais, o pó de anjo altera o comportamento, provocando agressividade e angústia ligadas à ansiedade. Paralelamente, muitos usuários o utilizam como substituto da cocaína devido ao custo reduzido. Consequentemente, essa acessibilidade amplia os riscos de surtos e dependência na população.

Os efeitos do pó de anjo unidos ao valor acessível acabam trazendo grandes riscos à sociedade, principalmente, às parcelas que não possuem poder aquisitivo e acabam buscando satisfazer sua vontade de consumir uma droga,  encontrando o pó de anjo como uma alternativa. 

Nesse contexto, é importante trazer para a população as informações corretas sobre os riscos trazidos pelo uso do pó de anjo e de que maneira ele pode prejudicar a saúde de uma forma fatal, caso seu consumo não seja evitado.

O que é o Pó de anjo?

O pó de anjo, também conhecido como fenciclidina ou PCP, é uma substância psicoativa que promove modificações fisiológicas e comportamentais nos sujeitos que o consomem. Usado como anestésico durante algum tempo, essa droga vem ganhando popularidade nos últimos tempos por seu efeito neurotóxico, que provoca grandes alterações no sistema nervoso central.

História

Historicamente, o laboratório Parke & Davis desenvolveu a fenciclidina em 1959 para fins anestésicos humanos e veterinários. Todavia, os graves efeitos colaterais interromperam seu uso médico em 1965. Posteriormente, nos anos 70, a substância ressurgiu como droga recreativa na Europa, sendo apelidada de angel dust ou krystal.

Quais os efeitos e sintomas do pó de anjo?

Dentre os vários efeitos do uso do pó de anjo, podemos citar o aumento na frequência cardíaca, elevação da pressão arterial, vômito, depressão cardiovascular, um comportamento hiperssexual, psicose para as pessoas que possuem essa predisposição e convulsões. 

Além disso, o uso de fenciclidina pode ocasionar uma dissociação psicofísica, alucinações, sensação de flutuação, distorção das mensagens sensoriais, euforia, tendo um alto potencial de causar morte ou coma. Desta forma, a manifestação dos sintomas vai depender da quantidade de pó de anjo que foi consumida.

Quais seus riscos?

Um dos grandes riscos da fenciclidina, é sua interação medicamentosa, pois seu efeito sedativo, junto ao álcool e benzodiazepínicos, pode levar ao coma. Além disso, também pode ocorrer a overdose, nesse caso, é importante ficar atento aos sinais, como por exemplo, comportamentos violentos, pressão alta, convulsões, falta de coordenação e um estado alterado de consciência.

O consumo constante do pó de anjo também é prejudicial para a saúde do sujeito, levando a alterações de humor como a depressão, alterações cognitivas e motoras.

Qual a diferença entre o pó de anjo e o pó de macaco

A principal diferença entre as duas substâncias é a origem. Enquanto o pó de anjo foi criado em laboratório, o pó de macaco é extraído de uma planta conhecida como khat, originária da África Oriental. 
Além disso, as duas substâncias apresentam ações diferentes, uma vez que, o pó de macaco promove a liberação da dopamina, também conhecida como o hormônio da felicidade que provoca a sensação de prazer e satisfação, além de ser estimulante do sistema nervoso central.

Já o pó de anjo, age bloqueando os receptores do neurotransmissor glutamato que vem sendo estudado como uma das possíveis causas para o desenvolvimento da esquizofrenia.

Pó de anjo pode causar a morte?

Primacialmente, alucinógenos elevam o risco de morte ao distorcerem a sensopercepção com alucinações visuais e auditivas. Nessa linha, o usuário pode acreditar em capacidades inexistentes, como voar, ou sentir sensações táteis irreais. De outra parte, o consumo descontrolado traz o perigo iminente de overdose, conceito que detalharemos a seguir.

Overdose é um quadro caracterizado pelo consumo de substâncias em uma quantidade grande e intervalo curto de tempo, que acaba fazendo com que o corpo não suporte, podendo causar a morte.

Importância do apoio de familiares no tratamento do pó de anjo

O tratamento da dependência do pó de anjo, assim como a dependência em outras drogas, demanda o apoio familiar. É a partir do incentivo e da ajuda dos parentes e das pessoas próximas que os adictos podem manifestar uma motivação maior para aderir ao tratamento. 

A família também ajuda o paciente a ter uma base forte com todo o auxílio necessário para dar prosseguimento às intervenções realizadas durante o processo terapêutico, fornecendo um ambiente seguro e motivador.

Quais os tratamentos disponíveis?

Como em todos os casos de dependência química, é importante que o paciente possua uma rede de apoio bem estruturada para que o sujeito possa conseguir enfrentar as dificuldades do tratamento. 

Além disso, é necessária a intervenção de profissionais de saúde, principalmente psicólogos e psiquiatras. Esses profissionais podem fornecer o suporte ideal para que o paciente possa entender o estado em que se encontra. 

Efetivamente, medicamentos auxiliam no controle de sintomas ansiosos e depressivos causados pelo uso do pó de anjo. Sob tal ótica, a internação torna-se necessária em casos complexos para garantir estabilidade. Logo, escolher uma clínica de confiança é vital para assegurar a infraestrutura e o suporte técnico indispensáveis à recuperação.

Conclusão

Analogamente a outros entorpecentes, o pó de anjo causa danos severos à saúde. Sob esse prisma, evitar o consumo é a estratégia mais eficaz para prevenir a dependência química. Portanto, a conscientização sobre esses riscos torna-se vital para a preservação da vida.

O risco de morte em decorrência do consumo do pó de anjo é um dos principais perigos. É importante que os familiares busquem informações para compreender como esse tipo de substância age no corpo, e quais são suas principais consequências que podem levar à morte.

Indubitavelmente, buscar o tratamento adequado é vital para a reabilitação do dependente químico. Nessa perspectiva, a rede de apoio precisa monitorar constantemente as alterações físicas e comportamentais do indivíduo. Afinal, a detecção precoce desses sinais facilita a intervenção e aumenta as chances de recuperação.

A Clínica Recanto oferece uma infraestrutura completa para acolher pacientes que estão em tratamento da dependência química. Possuímos profissionais capacitados e com uma abordagem biopsicossocial, trabalhando todas as dimensões do sujeito durante o processo de reinserção na sociedade.

NÓS LIGAMOS PARA VOCÊ

Fabrício Selbmann é psicanalista, palestrante sobre Dependência Química e diretor da Recanto Clínica Hospitalar – rede de três clínicas de tratamento para dependência química e saúde mental, referência no Norte e Nordeste nesse segmento.

Especialista em Dependência Química pela UNIFESP, pós-graduado em Filosofia | Neurociências | Psicanalise pela PUC-RS, além de especialização na Europa sobre o modelo de tratamento Terapia Racional Emotiva (Minessota).

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