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Quando um Bipolar deve ser internado? Entenda os sinais e como agir

O transtorno bipolar é uma condição de saúde mental que afeta o humor, a energia, o pensamento e o comportamento. A pessoa pode apresentar episódios de mania ou hipomania, fases depressivas e períodos de estabilidade entre as crises. 

Essas alterações são mais intensas do que mudanças comuns de humor e podem comprometer relacionamentos, trabalho, decisões financeiras, autocuidado e segurança.

Durante um episódio maníaco, podem surgir redução da necessidade de sono, fala acelerada, irritabilidade, agitação, autoestima excessivamente elevada, impulsividade e comportamentos de risco. 

Em alguns casos, a pessoa também pode apresentar delírios ou perder o contato com a realidade. 

Na fase depressiva, são frequentes a tristeza intensa, o isolamento, a perda de interesse pelas atividades, a falta de energia, as alterações no sono e no apetite, os sentimentos de culpa ou inutilidade e os pensamentos relacionados à morte ou ao suicídio.

Neste artigo, o Grupo Recanto explica quando a internação pode ser indicada no transtorno bipolar, quais sinais exigem atenção imediata e como a família pode agir com mais segurança.

Quando a internação é indicada no transtorno bipolar?

Nem toda alteração de humor ou recaída exige internação. A decisão deve ser tomada após avaliação médica individualizada, considerando a intensidade dos sintomas, os riscos envolvidos, a capacidade de autocuidado, a resposta ao tratamento e a disponibilidade de suporte fora do ambiente hospitalar.

As diretrizes clínicas recomendam avaliação especializada urgente quando há suspeita de mania, depressão grave ou risco de a pessoa causar danos a si mesma ou a terceiros. De modo geral, a internação pode ser considerada nas seguintes situações:

Crise maníaca grave

Na mania, a pessoa pode apresentar um aumento intenso de energia e atividade, acompanhado de irritabilidade, euforia, agitação ou comportamentos desinibidos. Alguns sinais de alerta são:

  • Permanecer vários dias dormindo muito pouco ou sem dormir;
  • Agitação intensa e dificuldade de permanecer em segurança;
  • Agressividade, ameaças ou envolvimento frequente em conflitos;
  • Gastos descontrolados ou decisões com graves consequências financeiras;
  • Direção perigosa, exposição sexual, uso de substâncias ou outros comportamentos impulsivos;
  • Fala muito acelerada e pensamentos difíceis de acompanhar;
  • Delírios de grandeza, perseguição ou ideias desconectadas da realidade;
  • Recusa de tratamento associada à perda do senso crítico.

Durante uma crise maníaca, a pessoa pode não reconhecer que está adoecida. Ela pode acreditar que está especialmente produtiva, poderosa ou saudável, mesmo quando seu comportamento está provocando prejuízos importantes.

A presença de delírios, agressividade, exposição a perigos ou incapacidade de avaliar as consequências das próprias ações pode tornar necessário um ambiente protegido e com monitoramento contínuo.

Crise depressiva grave

Na fase depressiva, a internação pode ser indicada quando o sofrimento é intenso e existe comprometimento significativo da segurança, da alimentação, da higiene, da mobilidade ou da capacidade de realizar atividades básicas. A família deve observar especialmente:

  • Falas sobre morte, despedidas ou desejo de desaparecer;
  • Pensamentos, planos ou tentativas de suicídio;
  • Automutilação;
  • Isolamento quase completo;
  • Desesperança intensa;
  • Recusa persistente de alimentos, líquidos ou medicamentos;
  • Abandono da higiene e de outros cuidados essenciais;
  • Permanência prolongada na cama;
  • Sintomas psicóticos, como delírios ou alucinações;
  • Incapacidade de permanecer em segurança sem supervisão.

A automutilação nem sempre representa uma tentativa de suicídio, mas é um sinal de sofrimento emocional intenso e deve ser avaliada por profissionais. 

Frases como “isso é para chamar atenção” aumentam o sentimento de desamparo e não contribuem para a proteção da pessoa. Pensamentos suicidas, tentativas de suicídio e situações de perigo imediato são emergências. 

A pessoa não deve ser deixada sozinha, e o acesso a medicamentos, armas ou outros meios que possam causar ferimentos deve ser reduzido enquanto o atendimento profissional é procurado.

Perda importante do senso crítico

A internação também pode ser necessária quando a pessoa perde a capacidade de compreender a gravidade de sua condição ou de avaliar adequadamente as consequências de seus atos. Isso pode ocorrer quando ela:

  • Não reconhece riscos evidentes;
  • Recusa qualquer forma de ajuda;
  • Torna-se vulnerável a exploração financeira ou sexual;
  • Compromete gravemente relacionamentos, patrimônio ou trabalho;
  • Coloca crianças, idosos ou outras pessoas dependentes em risco;
  • Apresenta desorganização intensa do pensamento ou do comportamento.

A perda do senso crítico deve ser avaliada junto aos demais sintomas. Um comportamento isolado nem sempre significa necessidade de internação, mas mudanças intensas e progressivas exigem avaliação especializada.

Incapacidade de realizar autocuidados

Algumas crises comprometem a capacidade de atender necessidades básicas. A pessoa pode deixar de se alimentar, beber água, tomar banho, trocar de roupa, usar corretamente os medicamentos ou tratar doenças clínicas já existentes.

Quando a família não consegue garantir esses cuidados com segurança, a internação pode oferecer supervisão, avaliação clínica e suporte multiprofissional até que o paciente recupere maior estabilidade.

Interrupção do tratamento e piora rápida

Durante a mania, algumas pessoas acreditam que não precisam mais de acompanhamento e interrompem a medicação por conta própria. 

A retirada ou alteração de medicamentos sem orientação pode favorecer recaídas e agravamento dos sintomas. A falta de adesão, sozinha, não determina automaticamente uma internação. 

Entretanto, quando o abandono do tratamento é acompanhado de mania, depressão grave, psicose, agressividade, comportamento suicida ou incapacidade de autocuidado, pode ser necessária uma intervenção mais intensiva.

Diretrizes clínicas também recomendam nova avaliação especializada quando há baixa adesão, piora expressiva do funcionamento ou intenção de interromper medicamentos.

Necessidade de ajuste medicamentoso com monitoramento intensivo

Em determinados casos, a internação é indicada para que a equipe possa observar continuamente a evolução dos sintomas, realizar ajustes no tratamento e acompanhar possíveis efeitos adversos. Esse cuidado pode ser necessário quando:

  • A resposta ao tratamento ambulatorial é insuficiente;
  • Os sintomas evoluem rapidamente;
  • Existem efeitos colaterais clinicamente relevantes;
  • Há associação com álcool ou outras drogas;
  • O paciente necessita de supervisão durante todo o dia;
  • O ambiente familiar não consegue oferecer proteção adequada;
  • Há condições clínicas que precisam ser acompanhadas juntamente com o quadro psiquiátrico.

A internação não deve ser determinada apenas pelo diagnóstico de transtorno bipolar tipo I ou tipo II. O principal critério é a gravidade do episódio atual e o nível de risco apresentado.

Quais são os 3 tipos de internação psiquiátrica?

A Lei nº 10.216/2001 regulamenta a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais no Brasil. 

A legislação estabelece que a internação deve ser indicada somente quando os recursos extra-hospitalares forem insuficientes e exige um laudo médico circunstanciado que justifique a medida.

Isso significa que a internação deve possuir uma finalidade terapêutica definida, ocorrer pelo período necessário e respeitar a dignidade, a segurança e os direitos do paciente. A legislação reconhece três modalidades: voluntária, involuntária e compulsória.

Internação voluntária

A internação voluntária acontece quando o paciente reconhece a necessidade do cuidado e concorda com a internação.

como lidar com uma pessoa bipolar

No momento da admissão, ele deve assinar uma declaração manifestando sua escolha por essa modalidade. A internação voluntária pode terminar mediante solicitação escrita do próprio paciente ou por determinação do médico responsável.

Mesmo quando existe consentimento, a equipe deve explicar o tratamento, preservar os direitos do paciente e trabalhar para que ele participe das decisões sempre que suas condições clínicas permitirem.

Internação involuntária

A internação involuntária ocorre sem o consentimento do paciente. Ela pode ser solicitada por familiar ou responsável, mas somente pode ser autorizada após avaliação de um médico devidamente registrado.

Essa modalidade pode ser considerada quando a pessoa não reconhece a necessidade de tratamento e apresenta riscos graves, perda do senso crítico ou incapacidade de permanecer em segurança fora do ambiente hospitalar.

A Lei nº 10.216/2001 determina que a internação involuntária e a respectiva alta sejam comunicadas ao Ministério Público Estadual em até 72 horas pelo responsável técnico do estabelecimento. 

O encerramento pode ocorrer por solicitação escrita do familiar ou responsável legal ou por decisão do profissional responsável pelo tratamento. A solicitação da família, isoladamente, não é suficiente. A necessidade deve ser confirmada por avaliação e indicação médica.

Internação compulsória

A internação compulsória é determinada judicialmente. Nesse caso, o juiz analisa as circunstâncias apresentadas e as condições de segurança do estabelecimento onde o tratamento será realizado.

Mesmo quando a internação é determinada pela Justiça, o paciente mantém os direitos assegurados pela legislação, incluindo tratamento digno, proteção contra abusos, acesso a informações e cuidado orientado para sua recuperação e reinserção social.

A existência de uma decisão judicial não substitui a necessidade de acompanhamento médico e de um projeto terapêutico adequado.

Como funciona o tratamento durante a internação para transtorno bipolar?

Dessa forma, ao internar um familiar com transtorno bipolar não é abandono — é ato de amor e responsabilidade. Isso significa reconhecer que, naquele momento, ele precisa de mais cuidado do que a família pode oferecer.

Logo, quando feita com critério e em ambiente humanizado, a internação é uma oportunidade de renascimento, não um fim. Ao escolher uma clínica, procure saber se ela oferece:

  • Equipe multiprofissional (psiquiatra, psicólogo, terapeuta ocupacional, enfermeiro, assistente social).
  • Acompanhamento 24 horas.
  • Espaços terapêuticos e atividades estruturadas.
  • Acolhimento familiar.
  • Compromisso com a dignidade e o respeito ao paciente.

Visto isso, o Grupo Recanto, localizado em Pernambuco e Sergipe, é reconhecido por seu modelo biopsicossocial, que une ciência, cuidado e empatia.
 

Nesse sentido, seu Projeto Terapêutico Individualizado busca resgatar a autonomia e o equilíbrio emocional de cada paciente, respeitando sua história e seus limites.

Benefícios da internação para pacientes com transtorno bipolar

A internação pode oferecer um ambiente protegido e estruturado para pacientes que estão enfrentando episódios graves de mania, depressão ou sintomas psicóticos. 

Seu principal objetivo é reduzir riscos, estabilizar o quadro e possibilitar um cuidado mais intensivo. Entre os principais benefícios da internação estão:

  • Proteção diante de risco de suicídio, automutilação, agressividade ou comportamentos impulsivos;
  • Monitoramento contínuo dos sintomas e das condições clínicas;
  • Ajuste seguro das medicações, com acompanhamento médico;
  • Organização do sono, da alimentação e dos cuidados básicos;
  • Redução de estímulos que possam intensificar a crise;
  • Interrupção do uso de álcool ou outras drogas quando essas substâncias agravam o quadro;
  • Acompanhamento por equipe multiprofissional;
  • Orientação dos familiares sobre a condição e os cuidados necessários;
  • Planejamento da continuidade do tratamento após a alta.

Durante a internação, a equipe também pode identificar fatores que contribuíram para a crise, como interrupção dos medicamentos, privação de sono, conflitos familiares, uso de substâncias ou ausência de acompanhamento regular.

A estabilização em ambiente hospitalar ajuda o paciente a recuperar gradualmente o senso crítico, a capacidade de autocuidado e a participação nas decisões relacionadas ao próprio tratamento.

É importante destacar que a internação não representa a cura do transtorno bipolar nem substitui o acompanhamento contínuo. 

Ela faz parte de uma etapa do cuidado e deve estar conectada a um plano terapêutico que inclua acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia, uso adequado das medicações e apoio familiar após a alta.

Qual o papel da família durante e após a internação?

Visto isso, a internação não encerra o tratamento, ela marca o recomeço. A participação da família é essencial em todas as etapas:

Como lidar com uma pessoa bipolar
  • Durante a internação: mantenha contato com a equipe terapêutica e envie mensagens de apoio.
  • Após a alta: estimule o paciente a seguir o plano terapêutico, comparecer às consultas e tomar as medicações corretamente.
  • Em casa: promova um ambiente calmo, com rotina e acolhimento.

Logo, no Grupo Recanto, o acompanhamento familiar é parte do processo terapêutico. Nesse sentido, a equipe ajuda os familiares a entender o transtorno, lidar com recaídas e fortalecer os vínculos.

Conclusão

Por fim, o Transtorno Bipolar é uma condição tratável. Por isso, com acompanhamento adequado, medicação correta e apoio familiar, é possível levar uma vida plena e equilibrada.

Mas em alguns momentos, a internação é o passo necessário para garantir segurança, dignidade e recuperação. Por isso, se você tem dúvidas, não espere a crise se agravar. Logo, busque ajuda profissional. 

Aqui, no Grupo Recanto, você encontra uma equipe especializada em saúde mental e dependência química, preparada para acolher com respeito, técnica e sensibilidade.

Entre em contato, converse com nossa equipe e descubra como podemos ajudar você e sua família a superar esse momento com segurança e esperança.

NÓS LIGAMOS PARA VOCÊ

Fabrício Selbmann é psicanalista, palestrante sobre Dependência Química e diretor da Recanto Clínica Hospitalar – rede de três clínicas de tratamento para dependência química e saúde mental, referência no Norte e Nordeste nesse segmento.

Especialista em Dependência Química pela UNIFESP, pós-graduado em Filosofia | Neurociências | Psicanalise pela PUC-RS, além de especialização na Europa sobre o modelo de tratamento Terapia Racional Emotiva (Minessota).

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