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Como cuidar de pessoas com transtorno mental com empatia

Certamente, o debate sobre saúde mental expandiu-se diante da crescente exposição humana a fatores estressores contemporâneos. Consequentemente, a atuação dos profissionais da área conquistou notoriedade estratégica na preservação do bem-estar social. Efetivamente, essa valorização reflete a urgência de mitigar os impactos psicológicos causados por rotinas exaustivas. Logo, o reconhecimento clínico torna-se essencial para estruturar respostas eficazes ao aumento global de transtornos emocionais.

As mídias sociais também passaram a debater a saúde mental no Brasil. Podcasts , séries, filmes e livros vêm trazendo conteúdos ricos que colaboram para o entendimento sobre como cuidar de pessoas com transtorno mental. Projetos como esses são importantes para desfazer certos tabus que acabam dificultando o diálogo sobre o tema.

O estigma da loucura

O estigma da loucura ainda é uma realidade que está muito presente nos dias atuais. Algumas pessoas seguem acreditando que psiquiatras e psicólogos servem apenas para tratar gente “louca”, contudo, é importante esclarecer que diversas alterações mentais podem demandar a intervenção desses profissionais.

A grande massa da sociedade ainda tem pouco conhecimento sobre os problemas de saúde mental, por isso, é importante que a criação de conteúdos utilize uma linguagem capaz de atingir essa parcela da população. Conhecer um pouco esse tema permite que a sociedade pense em alternativas sobre como cuidar de pessoas com transtorno mental.

Qual a definição de saúde mental?

Decerto, a saúde mental manifesta-se na resiliência do indivíduo ao gerenciar adversidades cotidianas com equilíbrio. Subsequentemente, o bem-estar psicológico integra a satisfação em esferas cruciais como trabalho, lazer e interações coletivas. Efetivamente, esse estado transcende a ausência de doenças, refletindo uma harmonia funcional entre o sujeito e seu meio social. Portanto, a qualidade de vida depende da capacidade de articular essas diferentes dimensões de forma plena e saudável.

Estar bem mentalmente implica em qualidade de vida para o sujeito. Segundo a OMS,  saúde mental é um estado de bem-estar no qual o indivíduo é capaz de usar suas próprias habilidades para recuperar-se do estresse rotineiro, ser produtivo e contribuir com a sua comunidade, ou seja, envolve o bem estar individual e coletivo.

Socialmente, é comum as pessoas pensarem que a saúde mental está associada com a ausência total de problemas, contudo, é importante entender que elas fazem parte da vida do ser humano e que o estado de saúde mental está mais relacionado à capacidade de resolver as dificuldades que surgem durante a vida. 

Inegavelmente, depressão e ansiedade configuram as alterações de humor mais prevalentes na clínica atual. Paralelamente, transtornos complexos como esquizofrenia e transtorno bipolar exigem manejo psiquiátrico especializado e contínuo. Ademais, o autismo e falhas no desenvolvimento infantil demandam intervenções precoces, enquanto o abuso de substâncias compromete a saúde de adolescentes e adultos. Logo, identificar o espectro específico de cada perturbação é fundamental para garantir o cuidado adequado em todas as fases da vida.

– Principais fatores que interferem na saúde mental

Uma série de fatores podem interferir na saúde mentaldos sujeitos. A genética tem grande influência na manifestação de transtornos mentais como a bipolaridade que é uma das alterações mentais com maior disposição genética para o desenvolvimento. 

Contudo, a predisposição genética não é determinante para o desenvolvimento das patologias mentais, associado a isso, temos os fatores ambientais que podem ser decisivos para a manifestação de determinadas condições. A pandemia do coronavírus, por exemplo, trouxe sérias implicações que contribuíram expressivamente para o desenvolvimento de quadros ansiosos e depressivos.

Além disso, sujeitos que moram em grandes centros urbanos, por exemplo, precisam conviver com o estresse diariamente e isso pode contribuir para o surgimento de alguns quadros mentais. Dificuldades na gestação ou consumo de bebidas alcoólicas e de substâncias psicoativas também podem contribuir na manifestação de problemas de saúde mental em crianças.

Fatores sociais como situação econômica, nível de escolaridade, excesso ou falta de trabalho também podem provocar impactos significativos no bem estar individual e coletivo do sujeito. A presença de uma rede de apoio bem estruturada e o bom relacionamento familiar contribui enormemente para a manutenção da qualidade de vida. 

A síndrome de Burnout é um exemplo de alteração do funcionamento mental e físico do sujeito que está associada ao excesso de trabalho e apresenta sintomas como: estresse, alterações de humor, fadiga, dificuldade em realizar atividades e perda da capacidade de sentir prazer nas coisas.

Como cuidar de pessoas com transtorno mental? 

É fundamental que as pessoas próximas ao paciente entendam que o modo como cuidar de pessoas com transtorno mental é uma realidade rodeada de desafios e dificuldades. O diálogo, nesse sentido, é uma ferramenta essencial para promover sentimentos de acolhimento e pertencimento ao ambiente em que está presente.

Os familiares devem procurar se informar sobre o estado de saúde do parente, tendo em vista que, possuir o conhecimento adequado sobre o quadro traz grandes contribuições para esclarecer a melhor forma de como cuidar de pessoas com transtorno mental.

Os familiares também devem se preocupar com a sua própria saúde mental, considerando que a rotina dos cuidadores pode ser extremamente cansativa e desgastante, ou seja, o  estresse no cuidado de pessoas com transtorno mental é uma realidade que demanda uma atenção especial.

Evitar julgamentos e desfazer crenças e pensamentos estigmatizantes é muito importante, permitindo que o paciente se sinta acolhido pela família e pelos profissionais envolvidos no processo. Buscar uma rede de apoio bem estruturada e qualificada deve ser uma das prioridades dos familiares e cuidadores do paciente, esse aspecto é de extrema importância para a realização do tratamento adequado.

Fique atento aos sinais 

Antes da manifestação propriamente dita do adoecimento psíquico, o paciente demonstra alguns sinais. As pessoas mais próximas devem ficar atentas para buscar o tratamento o mais rápido possível.

Pacientes com esquizofrenia ou transtorno delirante, por exemplo, antes de iniciarem o surto vivenciam uma fase conhecida como humor delirante, onde ocorre um estranhamento com relação ao mundo, sensação de que algo vai acontecer e passam a se isolar. Esses sinais podem contribuir para que essas pessoas possam receber ajuda adequada. 

As mudanças de humor estão presentes em muitas alterações mentais. Na depressão, por exemplo, o paciente passa a apresentar desânimo e perda da capacidade de sentir prazer, esses sinais devem ser observados.

Alterações de apetite, sono, irritabilidade, faltas no trabalho e diminuição do contato social são outros sinais que podem se manifestar em diferentes alterações na saúde mental do paciente.

Incentive a busca por ajuda profissional

A demora na busca por um profissional de saúde pode dificultar o tratamento, além de trazer prejuízos para a qualidade de vida do paciente. Contudo, é comum que o paciente só busque ajuda quando o quadro já está dando sinais de prejuízos em sua vida há algum tempo.

A psicoterapia é uma das opções de tratamento que devem ser incentivadas, além de trazer efeitos positivos para a melhora ou estabilização do quadro, também é um momento de escuta e compartilhamento das aflições e dificuldades enfrentadas durante o tratamento.

Como muitos estigmas giram em torno dos quadros de saúde mental, a rede de apoio do paciente deve buscar maneiras de incentivar a procura pela ajuda profissional, sendo um aspecto essencial para a manutenção e a motivação do paciente no processo.

Pacientes que não possuem familiares e amigos que ajudem na busca e no incentivo para o andamento do tratamento, dificilmente terão forças e estrutura para seguir realizando o processo.

Ouça o que a pessoa tem a dizer e ofereça suporte

A escuta é uma habilidade essencial para as pessoas que convivem com pacientes que possuem transtornos mentais ou qualquer outro tipo de adoecimento psíquico, sendo um aspecto importante durante o tratamento.

Sentir que suas aflições e angústias estão sendo ouvidas e poder compartilhar as dificuldades do processo de enfrentamento do problema é um fator motivacional para a melhora do bem estar do paciente.

Uma rede de apoio bem estruturada e preocupada contribui bastante para a reabilitação do paciente. Tanto a família, quanto os profissionais de saúde devem promover um ambiente seguro e de confiança para que o paciente tenha forças para enfrentar os desafios. 

Tenha empatia e cuidado nas palavras

As ideias estigmatizantes trazem um aspecto negativo do adoecimento mental. As pessoas que estão próximas ao paciente, devem procurar ter empatia, buscando entender as dificuldades vividas pelos sujeitos. 

Nos momentos de estresse e esgotamento dos familiares certas atitudes impulsivas podem ser tomadas. Algumas palavras têm o poder de machucar o sujeito que vêm sofrendo com o adoecimento, logo, é importante tomar cuidado com aquilo que é dito, além das atitudes que podem causar grande sofrimento ao indivíduo.

Palavras que invalidam o sofrimento do outro devem ser evitadas. Apontar o adoecimento mental como frescura, tentativa de chamar atenção, falta de fé ou relacionar a pessoa unicamente com o distúrbio, tem um grande poder negativo.

Busque entender e aceitar a doença 

Primordialmente, o domínio teórico sobre a patologia permite identificar dificuldades reais e acolher as particularidades de cada paciente. Invariavelmente, discernir mitos de fatos científicos é o caminho mais curto para neutralizar o estigma social que isola o indivíduo. Ademais, a educação psicossocial de familiares e amigos torna-se indispensável para humanizar o suporte e compreender comportamentos sintomáticos. Logo, o conhecimento compartilhado fortalece a rede de apoio e acelera a eficácia do manejo clínico.

Todos precisam cuidar da saúde mental?

O processo de adoecimento dos pacientes também promove alterações na saúde mental dos familiares, logo, a busca por um processo terapêutico para todos os sujeitos que enfrentam junto com eles o tratamento e os desafios dos transtornos mentais é essencial para a continuidade da intervenção.

O uso de técnicas grupais ou psicoterapia individual é muito indicado, mas outras atitudes podem ajudar no cuidado à saúde mental, como: a prática de exercícios físicos, boa alimentação, realização de atividades de lazer e a quantidade e qualidade do sono.

Importância do apoio de familiares e amigos

Nesse contexto, o suporte familiar constitui o pilar de proteção indispensável em qualquer processo de adoecimento. Paralelamente, a união entre parentes e amigos deve fomentar um ambiente inclusivo que priorize o bem-estar e o acolhimento afetivo. Subsequentemente, esse engajamento coletivo atua como combustível motivacional para evitar a evasão do tratamento clínico. Logo, uma rede de apoio sólida fortalece a resiliência do paciente e acelera sua recuperação psicossocial.

O que não falar para alguém que está passando por algum transtorno mental?

Certamente, o manejo de transtornos mentais exige um percurso ético pautado pela seriedade e pelo respeito à vulnerabilidade do sujeito. Diferentemente de interações triviais, o suporte de amigos e familiares requer cautela extrema ao aconselhar ou debater sintomas. Efetivamente, diálogos desqualificados ou julgamentos precipitados podem agravar o sofrimento e retardar a adesão ao tratamento. Assim, a empatia responsável constitui a base para um acolhimento seguro que preserve a dignidade e a saúde do paciente.

A utilização de determinadas palavras e expressões, pode trazer sérios prejuízos para o paciente. Rotular os sujeitos como loucos, fracotes, estranhos ou anormais, são atitudes inaceitáveis.

Além disso, não acreditar nas coisas que o paciente afirma, diminuir o seu sofrimento ou fazer comparações com outras pessoas que já passaram pelo mesmo quadro não são atitudes positivas.

Vale pontuar que o sujeito não escolhe ter um transtorno mental, pois uma série de fatores contribui para o seu desenvolvimento e não é possível se curar do dia para a noite. O processo de melhora na qualidade de vida acontecerá gradualmente e com o auxílio de diferentes profissionais de saúde.

Logo, a empatia e o respeito são condutas indispensáveis no cuidado e na promoção da saúde mental dos indivíduos. Pensar as atitudes que serão tomadas e as palavras que serão ditas tem um poder transformador no estabelecimento de relações de confiança e amor.

Conclusão

Vimos que encontrar a maneira mais adequada de como cuidar de pessoas com transtorno mental não é uma tarefa fácil. O processo de adoecimento de um familiar ou amigo pode trazer repercussões para todos os sujeitos que vivem perto do paciente. A utilização de terapia familiar ou em grupo surge como uma boa ferramenta nestes casos.

Ficar atento aos sinais que são demonstrados pelo paciente é importante na hora de buscar ajuda. Quanto mais cedo as intervenções ocorrerem, melhor para a qualidade de vida do paciente e, consequentemente, das pessoas que estão ao seu redor. 

A procura por profissionais bem qualificados e capacitados para a realização de intervenções eficazes é muito importante, tendo em vista que, alguns transtornos mentais não têm cura, mas, todos têm a possibilidade de um tratamento capaz de melhorar a maneira como os sujeitos lidam com o transtorno.

O grupo Recanto possui uma rede de apoio bem estruturada e capacitada para atender as necessidades dos pacientes com alguma desordem mental e dependentes de substâncias psicoativas. Além de ajudar os familiares a se adaptarem ao modo de como cuidar de pessoas com transtorno mental.

NÓS LIGAMOS PARA VOCÊ

Fabrício Selbmann é psicanalista, palestrante sobre Dependência Química e diretor da Recanto Clínica Hospitalar – rede de três clínicas de tratamento para dependência química e saúde mental, referência no Norte e Nordeste nesse segmento.

Especialista em Dependência Química pela UNIFESP, pós-graduado em Filosofia | Neurociências | Psicanalise pela PUC-RS, além de especialização na Europa sobre o modelo de tratamento Terapia Racional Emotiva (Minessota).

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