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(Des)controle: o alcoolismo funcional e a dificuldade de reconhecer-se doente, representada nos filmes

Inicialmente, o cinema tem o poder de jogar luz sobre temas que, muitas vezes, permanecem escondidos no silêncio do cotidiano. É exatamente isso que o filme “(Des)controle”, com estreia em fevereiro de 2026, promete fazer ao abordar de forma sensível, realista e sem julgamentos oalcoolismo feminino

Protagonizado por Carolina Dieckmann, o longa apresenta a personagem Kátia Klein, uma escritora bem-sucedida que, sob intensa pressão emocional e profissional, desenvolve uma relação cada vez mais perigosa com o álcool.

Assim, sem recorrer a moralismos ou estereótipos, o filme convida o público a refletir sobre uma verdade incômoda, mas necessária: é possível ser funcional, produtiva e socialmente aceita — e ainda assim estar doente. 

Essa narrativa dialoga diretamente com a realidade de milhares de mulheres que enfrentam o alcoolismo de forma silenciosa, muitas vezes sem sequer reconhecer que precisam de ajuda.

Dessa forma, é importante destacar que “(Des)controle” é uma obra de ficção. No entanto, o filme se inspira em relatos reais de mulheres que enfrentam o alcoolismo, suas contradições, dores silenciosas e o difícil caminho até o reconhecimento da doença.

Quem é Kátia Klein e por que sua história importa

Nesse contexto, Kátia Klein é apresentada como uma mulher admirada: escritora talentosa, intelectualmente respeitada e aparentemente no controle da própria vida. 

No entanto, por trás dessa imagem, existe uma rotina marcada por cobranças internas, sobrecarga emocional e a busca constante por alívio. É nesse contexto que o álcool surge, inicialmente como um recurso para relaxar, lidar com a ansiedade e silenciar dores emocionais.

Ao longo da trama, o consumo deixa de ser pontual e passa a ocupar um espaço central. O que torna a história tão potente é justamente o fato de Kátia não se encaixar no estereótipo clássico do “alcoólatra”. 

Ela trabalha, escreve, cumpre compromissos e mantém relações — ao mesmo tempo em que perde, gradualmente, o controle sobre a bebida.

Esse retrato dialoga com o conceito de alcoolismo funcional, uma condição frequentemente negligenciada tanto pela sociedade quanto pela própria pessoa que sofre com a dependência.

Alcoolismo funcional: quando tudo parece normal, mas não está

Nesse contexto, o alcoolismo funcional é uma das faces mais difíceis de identificar da dependência alcoólica. Nele, a pessoa mantém suas atividades profissionais, sociais e familiares, o que reforça a falsa ideia de que “está tudo sob controle”.

Alguns sinais comuns incluem:

  • Uso frequente do álcool para aliviar estresse, ansiedade ou frustrações
  • Dificuldade em relaxar ou dormir sem beber
  • Justificativas constantes para o consumo (“eu mereço”, “é só hoje”)
  • Tentativas frustradas de reduzir ou controlar a quantidade ingerida
  • Negação do problema, especialmente quando não há “prejuízos visíveis”

No filme, essa perda progressiva de controle ganha forma simbólica através da criação de um alter ego: Vânia. 

Dessa forma, essa outra versão de Kátia representa impulsividade, agressividade e comportamentos que ela não reconhece como seus — um recurso narrativo poderoso para ilustrar o impacto psicológico da dependência e o distanciamento da própria identidade.

O alcoolismo não tem um único rosto, classe social ou perfil psicológico. Ele pode atingir pessoas bem-sucedidas, criativas, responsáveis e admiradas — exatamente como a personagem do filme. 

Alcoolismo feminino: sobrecarga, culpa e invisibilidade

“(Des)controle” acerta ao colocar o alcoolismo feminino no centro da narrativa. Historicamente, mulheres que bebem em excesso enfrentam um julgamento social mais severo do que os homens. 

Além disso, muitas carregam múltiplas jornadas: trabalho, maternidade, relacionamentos, cuidados com a casa e expectativas sociais irreais.

Sob essa ótica, essa sobrecarga constante cria um terreno fértil para o sofrimento emocional. O álcool, nesse contexto, pode surgir como uma tentativa de autocuidado distorcido, uma forma de anestesiar dores que não encontram espaço para serem expressas.

Outro ponto importante abordado pelo filme é a dificuldade de reconhecer a doença. Muitas mulheres demoram a buscar ajuda por medo de estigmatização, vergonha ou por acreditarem que “não estão tão mal assim”. 

O resultado é o agravamento silencioso do quadro, com impactos profundos na saúde física, mental e emocional.

Alcoolismo é doença — e tem tratamento

Ao mostrar a trajetória de Kátia sem julgamentos, o filme reforça uma mensagem essencial: o alcoolismo é uma doença crônica, multifatorial e tratável. Ele não está relacionado à falta de caráter, fraqueza ou ausência de força de vontade.

O reconhecimento do problema é, muitas vezes, o passo mais difícil — e também o mais importante. O tratamento adequado pode envolver:

  • Avaliação médica e psiquiátrica
  • Acompanhamento psicológico
  • Intervenções terapêuticas individuais e em grupo
  • Em casos mais graves, internação especializada, especialmente quando há risco à saúde ou perda significativa de controle

Buscar ajuda não significa fracasso. Pelo contrário: é um ato de coragem e cuidado consigo mesma.

Reconhecer é o primeiro passo para retomar o controle

A história de Kátia Klein nos lembra que ninguém perde o controle de uma vez. A dependência se constrói aos poucos, muitas vezes disfarçada de normalidade. Reconhecer os sinais, acolher o sofrimento e procurar ajuda especializada pode mudar completamente o curso de uma vida.

Se você ou alguém próximo se identificou com essa narrativa, saiba que existem caminhos seguros, éticos e humanizados para o tratamento do alcoolismo e de outros transtornos relacionados à saúde mental.

Quando a internação se torna necessária no tratamento do alcoolismo

Nem sempre o tratamento do alcoolismo pode ser feito apenas de forma ambulatorial. Em muitos casos, especialmente quando a pessoa já perdeu o controle sobre o uso do álcool, a internação se torna uma medida de cuidado, proteção e recuperação — e não de punição.

Principais sinais de que a internação pode ser indicada

A internação costuma ser recomendada quando há risco à saúde física, mental ou à integridade da própria pessoa e de terceiros. Alguns sinais de alerta incluem:

  • Incapacidade de reduzir ou interromper o consumo de álcool por conta própria
  • Uso diário ou compulsivo da bebida, mesmo diante de prejuízos claros
  • Crises de abstinência (tremores, sudorese, ansiedade intensa, confusão mental)
  • Alterações importantes de humor, impulsividade ou comportamentos de risco
  • Comprometimento da saúde mental, como depressão, ansiedade severa ou ideação suicida
  • Negação persistente da doença, mesmo após tentativas frustradas de tratamento
  • Isolamento social, conflitos familiares ou prejuízo significativo nas relações

Nessas situações, a internação oferece um ambiente seguro, estruturado e supervisionado, fundamental para interromper o ciclo da dependência.

Por que a internação pode salvar vidas

A internação especializada permite que a pessoa passe pelo processo de desintoxicação de forma segura, com acompanhamento médico e psicológico 24 horas. Além disso, cria um espaço de afastamento dos gatilhos externos, favorecendo a reflexão, o autoconhecimento e o início de mudanças reais.

É importante reforçar:

  • Internar não é desistir, é cuidar.
  • Internar não é perder a autonomia, é recuperá-la gradualmente.

Quando bem indicada, a internação é um ponto de virada no tratamento, especialmente para quem já tentou outras abordagens sem sucesso.

Um passo difícil, mas necessário

Reconhecer que o tratamento precisa ser intensivo é um dos momentos mais desafiadores — e também um dos mais transformadores. A internação não apaga a história da pessoa, mas pode oferecer as condições necessárias para que ela escreva um novo capítulo, com mais saúde, consciência e dignidade.

Se você percebe esses sinais em si ou em alguém próximo, buscar avaliação profissional é fundamental. Existe ajuda, existe tratamento e existe recomeço.

A Recanto Clínica Hospitalar: cuidado especializado, ético e humanizado

Na Recanto Clínica Hospitalar, a internação é compreendida como um ato de cuidado integral, que respeita a história, os limites e a dignidade de cada paciente.

Nossa instituição atua há anos no tratamento da dependência química e dos transtornos mentais, oferecendo uma estrutura preparada para acolher pacientes em momentos de crise, vulnerabilidade e sofrimento intenso.

Estrutura hospitalar e segurança clínica

A Recanto Clínica Hospitalar conta com unidade hospitalar de desintoxicação e manejo de crise, especialmente indicada para pacientes que apresentam:

  • Uso abusivo e descontrolado de álcool
  • Risco clínico durante a abstinência
  • Alterações emocionais importantes, como ansiedade intensa, depressão ou impulsividade
  • Necessidade de acompanhamento médico contínuo

Durante a internação, o paciente recebe assistência médica 24 horas, com monitoramento constante, garantindo segurança física e estabilidade clínica em uma das fases mais delicadas do tratamento.

Tratamento integrado e individualizado

Nesse sentido, mais do que interromper o uso do álcool, a internação tem como objetivo tratar a pessoa como um todo. O cuidado é baseado no modelo biopsicossocial, que integra:

  • Avaliação e acompanhamento psiquiátrico
  • Psicoterapia individual e em grupo
  • Intervenções terapêuticas estruturadas
  • Acolhimento emocional e escuta qualificada
  • Planejamento terapêutico individualizado

Assim, cada paciente possui um Projeto Terapêutico Singular, construído por uma equipe multidisciplinar experiente, respeitando o tempo, as necessidades e a realidade de cada caso.

Internação como recomeço, não como punição

Assim como o filme reforça, o alcoolismo não é uma falha moral — é uma doença. Por isso, a internação não tem caráter punitivo ou coercitivo, mas sim protetivo e terapêutico. Logo, trata-se de oferecer um espaço onde a pessoa possa:

  • Romper com o ciclo do uso compulsivo
  • Reduzir riscos físicos e emocionais
  • Reconectar-se consigo mesma
  • Desenvolver consciência sobre a doença
  • Construir bases sólidas para a continuidade do tratamento

Um ambiente de acolhimento para pacientes e famílias

Aqui na Recanto entendemos que o alcoolismo impacta não apenas quem adoece, mas também toda a família. Por isso, o processo de internação envolve orientação, suporte e acolhimento aos familiares, ajudando-os a compreender a doença e a participar, de forma saudável, do processo de recuperação.

Buscar ajuda especializada no momento certo pode mudar o rumo de uma história. A internação, quando bem indicada, é um ponto de virada — um verdadeiro espaço para recomeçar.

Conclusão

Por fim, “(Des)controle” nos lembra que o alcoolismo nem sempre se apresenta de forma explícita. Muitas vezes, ele se instala no silêncio, na rotina aparentemente funcional, na tentativa de aliviar dores emocionais que não encontram espaço para existir. 

Nesse sentido, a história de Kátia Klein — uma personagem de ficção inspirada em relatos reais — representa milhares de mulheres que seguem produzindo, cuidando e performando, enquanto adoecem por dentro.

Assim, reconhecer que o álcool deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade é um dos passos mais difíceis — e também o mais transformador. O filme reforça uma verdade fundamental: o alcoolismo é uma doença, e como toda doença, precisa ser tratada com seriedade, empatia e suporte profissional adequado.

Quando o sofrimento se intensifica e o controle já não é possível, buscar ajuda especializada — inclusive por meio da internação — não significa fracasso. Significa cuidado, proteção e compromisso com a própria vida. 

Logo, em ambientes estruturados e humanizados, como a Recanto Clínica Hospitalar, é possível interromper o ciclo da dependência e iniciar um processo real de reconstrução.

Se você ou alguém próximo se identificou com essa história, saiba: existe tratamento, existe acolhimento e existe recomeço. Falar sobre o problema, buscar orientação e aceitar ajuda são atos de coragem. 

NÓS LIGAMOS PARA VOCÊ

Fabrício Selbmann é psicanalista, palestrante sobre Dependência Química e diretor da Recanto Clínica Hospitalar – rede de três clínicas de tratamento para dependência química e saúde mental, referência no Norte e Nordeste nesse segmento.

Especialista em Dependência Química pela UNIFESP, pós-graduado em Filosofia | Neurociências | Psicanalise pela PUC-RS, além de especialização na Europa sobre o modelo de tratamento Terapia Racional Emotiva (Minessota).

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