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Drogas ilícitas mais usadas no Brasil e seus impactos na saúde mental

Inicialmente, o uso de drogas ilícitas é um fenômeno que perpassa fronteiras, classes sociais, idades e culturas. No Brasil, assim como em muitos outros países, o consumo de substâncias psicoativas proibidas pela legislação tem relevância epidemiológica e de saúde pública. 

Além dos impactos físicos, um dos aspectos mais complexos e preocupantes relacionados ao uso de drogas é a sua relação com a saúde mental — incluindo transtornos psiquiátricos, dependência, prejuízos cognitivos, alterações comportamentais e uma série de consequências psicológicas que afetam o indivíduo e a sociedade como um todo.

Nesse sentido, antes de aprofundarmos nos impactos, é essencial entender a prevalência e os tipos de drogas ilícitas mais usadas no Brasil, pois esses dados fornecem o contexto para lidar com as consequências na saúde mental.

1. Drogas ilícitas mais usadas no Brasil

1.1 Prevalência geral do uso

De acordo com a pesquisa mais recente do Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira (LENAD), cerca de 18,7% dos brasileiros já experimentaram alguma droga ilícita ao longo da vida — o que representa cerca de um em cada cinco brasileiros. Nesse sentido, esse percentual inclui substâncias como maconha, cocaína e outras drogas ilegais.

Dessa forma, esses números mostram que o consumo de drogas ilícitas está presente em grande parte da vida adulta e juventude brasileira, constituindo uma realidade que exige atenção das políticas públicas de saúde.

1.2 Maconha (Cannabis)

Inicialmente, a maconha é a droga ilícita mais consumida no Brasil. Dados do 3° Levantamento Nacional indicam que 7,7% da população entre 12 e 65 anos relatou ter usado maconha ao menos uma vez na vida.

Dessa forma, esse padrão é observado tanto entre homens quanto entre mulheres, com maior prevalência nos primeiros. Assim, o uso regular de cannabis durante a adolescência está associado a alterações no desenvolvimento cerebral e maior risco de transtornos psiquiátricos ao longo da vida.

1.3 Cocaína e variantes (incluindo crack e oxi)

Em segundo lugar como droga ilícita mais experimentada no Brasil está a cocaína em pó. Aproximadamente 3,1% da população já consumiu cocaína pelo menos uma vez na vida.

Entre as formas da substância, o crack e variantes como o oxi ou merla são particularmente preocupantes. Logo, embora sua prevalência seja menor do que a da maconha, cerca de 1,4 milhão de brasileiros já relataram ter usado crack alguma vez na vida — o que corresponde a cerca de 0,9% da população.

Nesse sentido, essas substâncias, especialmente em formas de uso fumado como o crack, estão associadas a problemas sociais e de saúde muito mais severos — incluindo dependência rápida e graves prejuízos mentais.

1.4 Outras substâncias ilícitas

Além dos principais casos citados, outras drogas ilícitas também circulam no país com menor prevalência:

  • Solventes inalantes: seu uso, muitas vezes entre adolescentes em situação de vulnerabilidade, está ligado a danos neurológicos sérios.
  • Alucinógenos e ecstasy: apesar de menos prevalentes, são relatados em levantamentos específicos e associam-se a riscos psicológicos durante e após o uso.
  • Drogas sintéticas (anfetaminas, LSD, MDMA, etc.): essas substâncias circulam em nichos específicos e podem produzir efeitos severos de ansiedade, confusão e risco de psicose, especialmente em combinação com outras drogas como álcool.

2. Fatores que influenciam o consumo de drogas ilícitas

2.1 Juventude e experimentação

Dessa forma, o consumo de drogas ilícitas é mais prevalente entre jovens adultos de 18 a 34 anos, e entre adolescentes. Isso está associado a fatores como:

  • Pressão social e grupos de pares;
  • Busca por sensações de prazer ou “novidade”;
  • Maior exposição a ambientes onde o uso de substâncias é comum.

Nesse contexto, estudos mostram que muitos usuários iniciam o uso de drogas ainda na adolescência — período crítico de desenvolvimento cerebral — o que aumenta o risco de efeitos negativos prolongados sobre a saúde mental.

2.2 Vulnerabilidade social e psiquiátrica

Assim, outros fatores associados ao uso de drogas incluem:

  • Histórico de trauma;
  • Violência e insegurança;
  • Condições de vulnerabilidade econômica;
  • Preexistência de transtornos mentais.

Nesse contexto, pesquisas com pacientes psiquiátricos no Brasil revelam que o uso recente de drogas ilícitas é mais prevalente entre indivíduos com transtornos mentais, com fatores como hospitalização recente e história de violência sendo associados ao uso.

3. Impactos das drogas ilícitas na saúde mental

A relação entre consumo de drogas ilícitas e saúde mental é complexa, multifatorial e bidirecional — ou seja, tanto o uso de substâncias pode desencadear ou agravar transtornos mentais, quanto indivíduos com transtornos mentais podem usar drogas como tentativa de automedicação.

3.1 Dependência e transtornos do uso de substâncias

Uma das consequências mais diretas do consumo de drogas ilícitas é a dependência — um transtorno caracterizado pelo uso compulsivo da substância, dificuldades em controlar o consumo e sintomas de abstinência quando a droga é retirada.

A dependência está fortemente associada a sintomas de ansiedade, irritabilidade, depressão, alterações comportamentais e prejuízos na vida social e ocupacional.

3.2 Psicose e transtornos psicóticos

Dessa forma, o uso de certas drogas, especialmente em altos níveis ou em populações vulneráveis, pode desencadear psicose induzida por substâncias — um estado no qual o indivíduo experimenta alucinações, delírios e desorganização do pensamento similar a transtornos psicóticos como a esquizofrenia.

  • Cannabis: o uso precoce e intenso pode aumentar as chances de quadros psicóticos e problemas cognitivos de longo prazo, especialmente em pessoas com vulnerabilidade genética ou histórico familiar de transtornos psiquiátricos.
  • Cocaína e estimulantes: podem produzir estados de ansiedade severa, paranoia e experiências psicóticas durante e após o uso intenso.

3.3 Depressão e ansiedade

Nesse contexto, o consumo de drogas ilícitas está associado, de forma consistente, a síntomas de humor e ansiedade:

  • Em muitos casos, o uso prolongado de substâncias pode agravar um quadro depressivo existente ou contribuir para o desenvolvimento de depressão.
  • A ansiedade generalizada, ataques de pânico, irritabilidade e instabilidade emocional também são frequentemente relatados entre usuários regulares.

Além disso, quando a substância é retirada (abstinência), muitos usuários experimentam piora significativa do humor, disforia e ansiedade, o que pode dificultar ainda mais a interrupção do uso.

3.4 Deficiências cognitivas e alterações de funcionamento cerebral

O uso contínuo de drogas como maconha, cocaína e crack pode afetar áreas do cérebro responsáveis por:

  • Planejamento e tomada de decisões;
  • Controle dos impulsos;
  • Memória de curto e longo prazo;
  • Funções executivas.

Esses prejuízos cognitivos podem se prolongar mesmo após períodos de abstinência, dependendo da intensidade e duração do uso.

3.5 Relação bidirecional entre drogas e transtornos mentais

Nesse contexto, a relação entre drogas e transtornos mentais não é unilateral:

  1. Transtornos mentais podem levar ao uso de drogas
    Indivíduos que experimentam depressão, ansiedade ou outras condições psiquiátricas podem usar substâncias como forma de “automedicar”, buscando alívio temporário dos sintomas.
  2. O uso de drogas pode desencadear ou agravar transtornos mentais
    O consumo repetido de substâncias psicoativas pode alterar a química cerebral, aumentando a vulnerabilidade a condições psiquiátricas.

Essa interação bidirecional torna o tratamento mais complexo e exige abordagem integrada — ou seja, que trate simultaneamente a dependência de substância e o transtorno mental.

4. Consequências sociais e econômicas

Além dos impactos diretos na saúde mental, o uso de drogas ilícitas no Brasil tem efeitos mais amplos: 

4.1 Prejuízo nas relações familiares e sociais

Nesse contexto, o consumo problemático de drogas pode levar à:

  • Isolamento social;
  • Conflitos familiares;
  • Dificuldades no desempenho escolar e no trabalho;
  • Quebra de laços comunitários.

4.2 Aumento do risco de violência e envolvimento com o crime

O uso de drogas e o tráfico associado podem aumentar o risco de:

  • Violência comunitária;
  • Criminalidade relacionada ao mercado ilegal;
  • Encarceramento e marginalização.

Essa realidade contribui para maior estresse, trauma e sofrimento psicológico tanto para usuários quanto para seus familiares e comunidades.

4.3 Custos para o sistema de saúde

O tratamento de dependências, dos transtornos mentais associados e das consequências de uso — como emergências psiquiátricas, internas relacionadas ao abuso de substâncias e traumas — representa um custo elevado para o sistema público de saúde.

Além disso, a falta de acesso adequado a tratamento especializado pode agravar quadros de doença mental e perpetuar ciclos de uso nocivo.

5. Estratégias de intervenção e atenção à saúde mental vinculada ao uso de drogas

O enfrentamento dos impactos das drogas ilícitas na saúde mental exige muito mais do que ações pontuais ou abordagens isoladas. Trata-se de um processo complexo, que demanda intervenções contínuas, integradas e humanizadas, considerando o indivíduo em sua totalidade — aspectos físicos, emocionais, sociais e familiares.

Nesse contexto, instituições especializadas como o Grupo Recanto exercem um papel fundamental ao oferecer modelos terapêuticos estruturados, baseados em evidências científicas, ética profissional e cuidado humanizado.

5.2 Tratamento integrado

Um dos maiores desafios no cuidado de pessoas que fazem uso problemático de drogas ilícitas é a coexistência de transtornos mentais e dependência química. 

O Grupo Recanto adota uma abordagem biopsicossocial integrada, reconhecendo que o tratamento eficaz precisa atuar simultaneamente sobre:

  • O transtorno por uso de substâncias;
  • As comorbidades psiquiátricas associadas;
  • Os fatores emocionais, sociais e familiares que influenciam o adoecimento.

O modelo terapêutico do Grupo Recanto se destaca por:

  • Avaliação psiquiátrica individualizada, desde o início do tratamento;
  • Acompanhamento psicológico contínuo, com foco em autoconhecimento, regulação emocional e prevenção de recaídas;
  • Equipe multiprofissional especializada, composta por médicos, psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros e assistentes sociais;
  • Plano terapêutico singular, ajustado à realidade clínica e emocional de cada paciente.

Esse cuidado integrado é essencial porque tratar apenas a dependência química, sem olhar para a saúde mental, aumenta significativamente o risco de recaídas, abandono do tratamento e agravamento do sofrimento psíquico.

5.3 Redução de danos

A redução de danos é uma abordagem reconhecida internacionalmente como parte fundamental das políticas modernas de saúde mental e dependência química. 

Ela parte do princípio de que nem todos os indivíduos conseguem, inicialmente, alcançar a abstinência total — e que o cuidado deve acontecer independentemente do estágio em que a pessoa se encontra.

A atuação do Grupo Recanto inclui:

  • Manejo clínico seguro da desintoxicação, especialmente em casos de uso intenso ou prolongado de drogas ilícitas;
  • Prevenção de crises psiquiátricas, surtos psicóticos e riscos associados à abstinência abrupta;
  • Educação terapêutica, ajudando o paciente a compreender os riscos do uso e a desenvolver estratégias de autocuidado;
  • Construção gradual da abstinência, respeitando os limites emocionais e físicos do indivíduo.

Essa abordagem humanizada reduz riscos graves, fortalece o vínculo terapêutico e aumenta significativamente a adesão ao tratamento, principalmente em pacientes com histórico de múltiplas internações ou recaídas.

5.4 Acesso ampliado a tratamento

Dessa forma, outro ponto crucial no enfrentamento dos impactos das drogas ilícitas na saúde mental é o acesso a serviços especializados e estruturados, capazes de atender desde situações agudas até o acompanhamento de longo prazo.

Por isso, o Grupo Recanto atua de forma abrangente nesse processo, oferecendo diferentes níveis de cuidado conforme a necessidade clínica do paciente.

Por exemplo, entre os principais recursos oferecidos estão:

  • Unidade hospitalar de desintoxicação e crise, voltada para momentos mais delicados do tratamento, com assistência médica 24 horas;
  • Internação voluntária, involuntária e compulsória, sempre respeitando a legislação vigente e os princípios éticos;
  • Tratamento  estruturado, com rotina terapêutica organizada e acompanhamento constante;

Dessa forma, essa continuidade do cuidado é um dos grandes diferenciais do Grupo Recanto, pois reconhece que a recuperação não se encerra com a alta, mas é um processo contínuo de reconstrução da vida.

Por isso, quando o paciente tem acesso a um serviço estruturado e humanizado:

  • Reduz-se o risco de recaídas;
  • Melhora-se a adesão ao tratamento;
  • Fortalece-se a autonomia emocional;
  • Reconstrói-se o vínculo familiar e social.

Conclusão

Por fim, o uso de drogas ilícitas no Brasil é um fenômeno significativo que envolve milhões de pessoas e possui impactos profundos na saúde mental individual e coletiva

Nesse sentido, as substâncias mais utilizadas incluem maconha, cocaína e seus derivados, cada uma com efeitos distintos, mas todos associados a riscos psicológicos importantes — desde dependência e transtornos de humor até psicose e prejuízo cognitivo.

Dessa forma, os impactos na saúde mental vão além da experiência individual do usuário, repercutindo em famílias, comunidades e nos serviços de saúde pública. 

Nesse contexto, o entendimento desses efeitos e a implementação de políticas públicas integradas, que abordem prevenção, tratamento, atenção à saúde mental e suporte social, são essenciais para reduzir danos e melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas.

NÓS LIGAMOS PARA VOCÊ

Fabrício Selbmann é psicanalista, palestrante sobre Dependência Química e diretor da Recanto Clínica Hospitalar – rede de três clínicas de tratamento para dependência química e saúde mental, referência no Norte e Nordeste nesse segmento.

Especialista em Dependência Química pela UNIFESP, pós-graduado em Filosofia | Neurociências | Psicanalise pela PUC-RS, além de especialização na Europa sobre o modelo de tratamento Terapia Racional Emotiva (Minessota).

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