É muito difícil para um pai ou uma mãe suspeitarem, ou até mesmo admitirem, que o próprio filho possa estar fazendo uso de drogas, sejam substâncias lícitas, como álcool, nicotina e medicamentos, ou ilícitas, como maconha, cocaína, crack ou LSD.
O objetivo desse texto é fornecer as ferramentas e respostas para que você entenda e possa ajudar seu filho, uma vez que existem comportamentos que os usuários e os dependentes manifestam para esconder o uso, como manipulação, mentira, isolamento.
Possibilidade de ser dependente
Se você se pergunta: “como saber se meu filho usa algum tipo de droga?”, tenha em mente que seu medo pode vir a se confirmar e, por isso, é importante estar emocionalmente preparado para lidar com essa situação com equilíbrio, acolhimento e responsabilidade.

É natural que os pais desejem que seus filhos mantenham-se saudáveis e bem, mas infelizmente nem sempre é isso que acontece, o envolvimento com drogas é difícil e cheio de riscos, não só para a pessoa, como também para a família que muitas vezes sofre silenciosamente junto com a situação .
Além da possibilidade de seu filho estar fazendo uso de drogas, existe também o risco de que ele desenvolva dependência da substância consumida, o que torna a situação ainda mais delicada e exige atenção especializada.
Mas fique tranquilo, existe solução, com o tratamento adequado a dependência química pode ser solucionada e uma nova vida alcançada.
Sinais de que meu filho usa algum tipo de droga
Existem alguns sinais comportamentais que podem indicar o uso de drogas. No entanto, esses indícios nem sempre são facilmente percebidos ou compreendidos logo no início, o que pode dificultar a identificação do problema nas fases iniciais.
No início do uso, a alteração é pequena, ela se acentua com o tempo e querendo esconder dos pais, muitos tentam não deixar nenhum indício que possa indicar uso de drogas.

Primeiramente, tente conversar com seu filho, sem falar nada sobre drogas, apenas para saber como ele está, o que está fazendo, sem querer julgá-lo.
Nessas conversas é preciso praticar a empatia e escutar atentamente o que ele diz, uma boa dica é falar com ele sobre coisas de que gosta.
Mudanças de comportamento
Alterações de humor súbito podem ser indicativas, é estressante ficar mantendo uma vida dupla, nem sempre ele conseguirá agir como se nada acontecesse.
Mudanças no ciclo de amizades também podem ser indicativas, mudanças drásticas e rápidas nos interesses sociais também são indícios de que algo está acontecendo.
Dificilmente você surpreenderá seu filho no momento exato do uso, o melhor a se fazer é observar e analisar com calma até se ter alguma evidência concreta, o que torna ainda mais importante estar atento a mudanças sutis no comportamento e na rotina.
Ao descobrir é importante agir com seriedade, procurar entender o porquê e o como chegou a esse ponto, tenha conversas sobre o tema e continue acompanhando o seu filho, buscar apoio e tratamento especializado também é fundamental.
Como é o comportamento de um dependente químico?
Quando usamos o termo “dependente químico”, não estamos falando do usuário eventual, mas daquele que está dependente, a ponto de ter dificuldade em controlar o consumo.
Nesses casos a substância passa a ocupar um lugar central em sua vida, influenciando pensamentos, emoções e comportamentos, e muitas de suas ações acabam sendo direcionadas à busca pelo efeito da droga.

Em termos um pouco mais técnicos, um dependente químico é todo aquele que possui a doença da dependência química, uma doença crônica e sem cura, mas que possui tratamento eficaz que pode garantir uma nova vida à pessoa.
E como é o comportamento de um drogado afinal? O drogado age de forma a conseguir seu objetivo final que é a droga.
Ele fará tudo aquilo que puder para conseguir, inclusive aquilo que para ele seja moralmente condenável.
Com o tempo, seu desejo e fissura pela droga estarão tão altos que não se importará em mentir, roubar, magoar, agredir, mesmo que isso seja contra seu próprio código moral.
Mudanças que podem ser observadas
O efeito da droga faz com que o corpo fique biologicamente e psicologicamente dependente dela, ou seja, o centro das relações da pessoa passa a ser controlado pela vontade e desejo do consumo da droga.
Além disso, o indivíduo negligencia a própria higiene e nutrição, comprometendo funções vitais básicas. Nesse sentido, surgem distúrbios mentais e danos graves em órgãos como coração, pulmões, rins e fígado.
Nesse sentido, a droga desfigura a identidade do dependente e degrada sistematicamente todo o seu organismo.
Olhos vermelhos
Algumas substâncias, como a maconha, podem dilatar os vasos oculares, ocasionando a vermelhidão dos olhos devido a inflamação.
Inclusive a dilatação também pode ocorrer nos canais lacrimais fazendo com que o olhos fique vermelho e molhado ou lacrimejando.
Cheiro forte
Existem substâncias que ao serem consumidas deixam um cheiro forte nas roupas, cabelo e no corpo.

Objetos estranhos
Muitas drogas para serem consumidas, como o crack, necessitam de alguns objetos que auxiliam na hora do consumo, como seringas, cachimbos, variedade de isqueiros e papel seda, por exemplo.
Isolamento
Afastamento do convívio social, optando por passar a maior parte do tempo dentro do quarto ou de outro lugar onde se sinta confortável e não seja incomodado.
Agressividade e irritação
Comportamentos agressivos e irritabilidade, principalmente por motivos mínimos, esses impulsos podem vir acompanhados de inquietação e mudanças abruptas de humor.
Horários alternativo
Mudanças dos horários habituais, chegando muito tarde em casa, acordando fora dos horários convencionais, a troca do dia pela noite, entre outras mudançasnsão recorrentes em muitos usuários de drogas.
Desmotivação
Desinteresse pelas atividades que antes eram normalmente realizadas, essa desmotivação pode até mesmo causar descuido com a higiene pessoal.
Alterações no apetite
Algumas substâncias podem mudar o apetite do usuário, causando picos de fome intensa ou falta de apetite.

Despesas incomuns
Gastar mais que o habitual e pedir dinheiro com frequência, além de sumiços de objetos em casa.
Como ajudar um dependente químico
Inicialmente o ideal é estabelecer uma relação de confiança, senão, ficará mais difícil prosseguir. Portanto, se houver fragilidade no vínculo, o primeiro passo deve ser fortalecer essa relação, criando um ambiente seguro para o diálogo e a escuta.
Conversar sobre temas que despertem o interesse ajudam a manter o diálogo aberto. Caso perceba abertura e confiança, você pode abordar a questão do uso de substâncias.
No entanto, trata-se de um assunto extremamente delicado: só toque no tema se já houver indícios concretos ou confirmação, e se seu filho demonstrar que se sente minimamente à vontade para falar sobre isso. O cuidado na abordagem faz toda a diferença.
Enquanto trabalha a confiança é importante que comece a buscar tratamento e se informar como funcionam os tratamentos para dependência química.
De início, o diálogo deve focar no incentivo ao tratamento, destacando os benefícios. Todavia, é preciso evitar a pressão excessiva, permitindo que o dependente reconheça os danos da droga sem se afastar.
Essa doença afeta o âmbito social, físico e psicológico, de modo que uma síndrome de abstinência e o uso prolongado podem comprometer a saúde do dependente, assim como ele pode acabar machucando aqueles em que estão perto, seja física ou emocionalmente.

Além do tratamento usual é importantea procura pelos grupos de apoio, os mais conhecidos são os Alcoólicos Anônimos (AA) e Narcóticos Anônimos (NA), que vão ajudar a pessoa a se encontrar e se entender através de pessoas que já passaram pela mesma situação.
Procure auxílio e orientação de especialistas
Por mais que você tenha a boa intenção de ajudar e se empenhe nisso, provavelmente não conseguirá sozinho. Por isso, procurar ajuda especializada é fundamental.
Participar dos grupos de família durante o tratamento também é fundamental, pois ajuda a compreender melhor o processo terapêutico e orienta sobre como agir de forma adequada para apoiar a recuperação.
Esses encontros fortalecem a família e oferecem direcionamentos práticos para auxiliar no tratamento de maneira saudável e construtiva.
Não ceda a manipulação emocional
Uma das artimanhas usadas pelo dependente é a manipulação emocional. Ela é feita ameaçando sair de casa, usando os filhos ou parentes próximos como argumento, se fazendo de vítima, colocando a culpa em você.
Não será fácil enfrentar essa situação, mas é preciso se manter firme para que o tratamento continue e seja eficaz.
Não sinta culpa
É natural pensar o que podería ter feito de diferente para não chegar a este ponto, mas é importante entender que as escolhas do próprio dependente que o levaram a tal ponto.

Pode parecer insensível dizer para não sentir culpa, mas o propósito é que além de recuperar o dependente a família também se recupere.
Procure a raiz do problema
Tentar entender como tudo começou através do diálogo é importante. Muitas vezes pode ser para fugir de um problema familiar ou na busca por novas experiências, indicações de amigos.
Independentemente de qual motivo for, aquilo que conseguir descobrir pode ajudar no desenvolvimento do tratamento.
Posso internar meu filho contra a sua vontade?
Sim você pode, e por mais que isso pareça estranho no começo, a internação involuntária, isto é, sem consentimento do paciente, já é maioria predominante nos números de internações.
A partir da lei (13.840/2019) foi permitida internação involuntária em comunidades terapêuticas e hospitais de pequeno porte. essa modalidade pode ser solicitada por um familiar ou responsável legal, e exige laudo médico que ateste a necessidade de internação.
A legislação compreende que, em situações nas quais o dependente esteja causando prejuízos a si próprio ou às pessoas ao seu redor, a internação involuntária pode ser utilizada como um recurso legal para proteção e cuidado.
Nesses casos, trata-se de uma medida prevista em lei, que pode ser solicitada pela família como forma de viabilizar o tratamento e preservar a saúde e a integridade do ente querido.

Conclusão
Muitas famílias não sabem o que fazer ao se deparar com um filho que está usando drogas. E quase todas não acreditam ou não querem acreditar que estejam passando por isso.
Diante dessa situação, é comum que erros sejam cometidos por desinformação, medo ou desespero.
Por isso, é fundamental adotar atitudes conscientes e responsáveis, que realmente contribuam para ajudar a pessoa a se libertar da dependência, oferecendo apoio, orientação adequada e, quando necessário, tratamento especializado.
É através da família que deve haver o diálogo com o sobre o tratamento adequado e, também, sobre outros meios para se resolver o problema. A família tende a ser a principal referência de apoio e suporte nos momentos mais difíceis.
É por meio desse acolhimento, da escuta e do incentivo constante que seu filho pode encontrar motivação e segurança para reconhecer a necessidade de ajuda e buscar tratamento especializado.












