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Perfil de um alcoólatra: Tipos, sintomas e como identificar

É desafiador definir um único “perfil de alcoólatra”: não existe um padrão rígido para quem bebe de forma compulsiva. 

O álcool é amplamente aceito socialmente, e seu uso problemático está presente em muitos contextos culturais — o que torna o enfrentamento dessa dependência particularmente complexo.

Quando esse uso se acentua demais pode virar abuso. O passo seguinte já seria o alcoolismo.

O risco do álcool no mundo

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2,6 milhões de mortes por ano podem ser atribuídas ao consumo de álcool, com base em dados de 2019. 

Na região das Américas, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) estima que mais de 300 mil mortes por ano estão relacionadas ao álcool, embora “somente” cerca de 85 mil mortes sejam atribuídas diretamente ao consumo nocivo, segundo estudo conjunto OPAS/OMS.

Esses números reforçam que o uso prejudicial de álcool é uma importante prioridade de saúde pública.

O que é o alcoolismo?

O alcoolismo — ou dependência de álcool — é uma condição que envolve não apenas o uso físico da substância, mas uma dimensão emocional, psicológica e social. Para a OMS, trata-se de uma doença caracterizada pela incapacidade de controlar o consumo, mesmo frente a consequências negativas.

Quando alguém é dependente do álcool, pode apresentar desejos intensos pela bebida (craving), consumo compulsivo e perda de controle, além de tolerância (é necessário mais álcool para atingir os mesmos efeitos) e sintomas de abstinência.

Comportamentos e estilo de vida: como se manifesta um alcoólatra

Embora cada pessoa tenha uma trajetória única, alguns comportamentos são comuns entre aqueles que desenvolvem alcoolismo:

  1. Aumento da frequência e da quantidade: a pessoa bebe cada vez mais, com episódios mais intensos.
  2. Oscilações emocionais: irritação, agressividade, mudanças de humor, especialmente quando a bebida não está disponível.
  3. Isolamento social: afastamento da família e dos amigos, ou preferência por companhias que toleram ou incentivam o consumo.
  4. Negação: muitos não reconhecem seu problema, ou minimizam a gravidade, acreditando ainda ter controle.
  5. Comprometimento de responsabilidades: dificuldades para manter relacionamentos, trabalho ou compromissos cotidianos.

Esses sinais costumam surgir progressivamente, à medida que o álcool se torna central na vida da pessoa.

perfil de um alcoolatra

Tipos de alcoólatras

Alcoólatra emocional (ou de auto-medicação)

Bebe para aliviar:

  • ansiedade
  • depressão
  • traumas
  • estresse
  • solidão

A bebida funciona como “anestesia emocional”.

Alcoólatra impulsivo

Bebe sem planejamento e perde o controle rapidamente.

Comum em:

  • TDAH
  • transtorno bipolar
  • borderline
  • jovens com impulsividade acentuada

Alcoólatra social-dependente

Só bebe em grupo, mas sem conseguir se divertir sem álcool.

Padrão muito observado em:

  • universitários
  • trabalhadores de bares e eventos
  • ambientes de forte cultura etílica
perfil de um alcoolatra

Alcoólatra negociador (ou de recompensa)

Cria regras internas:

  • “só fim de semana”
  • “só com amigos”
  • “só depois do expediente”

Mas, quando bebe, perde totalmente o controle.

Alcoólatra de dependência física tardia

Surge após décadas de consumo aparentemente moderado.

Comum em:

  • idosos
  • pessoas com dor crônica
  • enlutados
  • aposentados

Alcoólatra de fuga (existencial)

Usa o álcool para evitar encarar:

  • conflitos
  • responsabilidades
  • crises emocionais
  • sensação de vazio

Alcoólatra esporádico-explosivo

Fica semanas sem beber, mas quando bebe:

  • exagera
  • perde o controle
  • se envolve em comportamentos de risco

Alcoólatra oculto

Dissimula totalmente o consumo.

Apresenta:

  • bebida escondida
  • garrafas camufladas
  • consumo em horários improváveis
  • vergonha extrema

Muito frequente em profissionais de alta responsabilidade.

Alcoólatra cultural

Em algumas famílias ou regiões, beber é normal.

O indivíduo bebe diariamente, mas não é visto como dependente, apesar dos prejuízos.

Alcoólatra cíclico

Passa por fases:

  1. sobriedade
  2. ansiedade crescente
  3. recaída
  4. arrependimento
  5. tentativa de controle

É comum em pessoas emocionalmente vulneráveis.

Como se inicia o vício do álcool?

A trajetória para a dependência alcoólica pode ter diversas origens, mas alguns fatores são recorrentes:

  • Contexto social e cultural: a bebida é muitas vezes presente em celebrações, reuniões, festas.
  • Influência familiar: a presença de familiares que bebem, ou mesmo normalização do álcool desde cedo, aumenta o risco.
  • Fatores emocionais: situações de dor, perda, estresse ou vulnerabilidade podem motivar o uso do álcool como “escudo” ou “fuga”.
  • Transições de vida: mudança de emprego, término de relacionamento, luto — eventos que desencadeiam ou agravam o consumo.

Esses fatores atuam em conjunto com predisposições biológicas — como vulnerabilidade genética — para aumentar a probabilidade de dependência.

Consequências físicas, mentais e sociais

O alcoolismo compromete praticamente todas as esferas da vida da pessoa:

  • Saúde física: doenças hepáticas (como cirrose), pancreatite, problemas cardiovasculares, distúrbios gastrointestinais.
  • Risco oncológico: o álcool está associado a vários tipos de câncer — fígado, mama, esôfago, entre outros.
  • Funções cognitivas: memória, atenção, raciocínio podem ser seriamente afetados com o tempo.
  • Saúde mental: aumento da ansiedade, depressão, transtornos de personalidade.
  • Vida social / profissional: isolamento, conflitos familiares, perda de emprego ou rendimento.

Esses danos tendem a se acumular e piorar se não houver intervenção.

Sinais de alerta: quando é hora de buscar ajuda

perfil de um alcoolatra

Alguns sintomas indicam que o consumo alcoólico ultrapassou o controle e que é importante procurar apoio:

  • Tentativas falhas de parar de beber ou reduzir o consumo.
  • Desejo intenso (craving) e necessidade física ou emocional de beber.
  • Alterações profundas no círculo social: preferência por ambientes onde se pode beber, afastamento de quem não bebe.
  • Mudanças de humor, irritabilidade, especialmente quando não está bebendo.
  • Problemas persistentes no sono (insônia ou sonolência) ou flutuações de peso.
  • Dificuldade de concentração, esquecimentos, raciocínio lento.

Reconhecer esses sinais é o primeiro passo para buscar suporte e tratamento.

Tratamento e apoio: como superar o alcoolismo

A dependência de álcool é uma condição tratável, e há várias abordagens eficazes:

  • Terapia psicológica: psicoterapia (individual, familiar) ajuda a lidar com gatilhos emocionais e comportamentais.
  • Grupos de apoio: reuniões como Alcoólicos Anônimos oferecem rede de acolhimento e estratégias de manutenção da sobriedade.
  • Tratamento médico: em alguns casos, medicamentos ajudam a reduzir o desejo ou minimizar os efeitos da abstinência.
  • Apoio social: reconectar-se com a família, retomar atividades saudáveis, desenvolver uma rede de suporte.
  • Mudanças de estilo de vida: prática de exercícios, alimentação equilibrada, novas atividades para substituir o consumo.

Para quem está no Brasil, os serviços do Grupo Recanto se colocam como uma opção especializada e de confiança para o tratamento da dependência química.

Conclusão

O alcoolismo não é um “mau hábito”: é uma condição séria, multifacetada, que envolve fatores biológicos, emocionais, sociais e culturais. 

Embora os perfis possam variar bastante — do alcoólatra funcional ao crônico ou antissocial —, todos compartilham a realidade de que o álcool se torna central na vida, em prejuízo de outras prioridades.

Se você se identificou com alguns dos sinais descritos ou percebe que alguém próximo está em risco, esse é um sinal de alerta importante. Procurar ajuda não é fraqueza: é um passo corajoso e essencial.

No Grupo Recanto, temos experiência e estrutura para apoiar quem enfrenta a dependência do álcool. Entre em contato, nós podemos caminhar juntos nessa jornada de recuperação.

NÓS LIGAMOS PARA VOCÊ

Fabrício Selbmann é psicanalista, palestrante sobre Dependência Química e diretor da Recanto Clínica Hospitalar – rede de três clínicas de tratamento para dependência química e saúde mental, referência no Norte e Nordeste nesse segmento.

Especialista em Dependência Química pela UNIFESP, pós-graduado em Filosofia | Neurociências | Psicanalise pela PUC-RS, além de especialização na Europa sobre o modelo de tratamento Terapia Racional Emotiva (Minessota).

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