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Purple Drank: o que é, quais são os efeitos e tratamento

O purple drank, também chamado de lean, syrup, sizzurp, dirty sprite, texas tea e até bebida roxa no Brasil, é uma droga feita a partir da mistura de medicamentos, xaropes e refrigerantes, com o objetivo de produzir uma sensação semelhante à do álcool, mas sem causar o estresse ou a depressão associados ao consumo de bebidas alcoólicas.

A droga tem se popularizado em festas e eventos, especialmente devido à sua associação com diversos artistas do cenário do rap, hip hop e trap norte-americano. Recentemente, artistas brasileiros do trap também têm contribuído para a disseminação da droga.

Como resultado, o purple drank está se tornando cada vez mais comum no Brasil, com um público jovem que é o principal consumidor. Diferente do álcool comum, essa substância não deixa odores característicos nem é detectada pelo bafômetro.

Diante disso, é importante ficar atento, especialmente se você é jovem ou tem filhos e filhas nessa faixa etária, pois a droga está se espalhando rapidamente pelo Brasil. 

Embora seja menos comum entre outras faixas etárias, elas também podem fazer uso do purple drank, e o risco de dependência é significativo, levando ao uso contínuo até que a pessoa busque tratamento ou venha a falecer.

Continue lendo para saber mais sobre o que é o purple drank, seus efeitos, sinais e sintomas. Fique atento!

O que é purple drank?

O purple drank, também conhecido como lean, é uma mistura composta por xarope para tosse, refrigerantes e doces. Especificamente, a receita utiliza xaropes à base de codeína combinados com bebidas como Sprite ou Fanta Uva, além de balas de goma ou prometazina para intensificar os efeitos.

É uma droga que surgiu num contexto diferente ao nosso, mas usada até hoje com o mesmo objetivo, que é o de simular os efeitos do álcool de euforia e libertação, mas sem o estresse e ressaca que o álcool trás.

Os principais efeitos são os de adrenalina e euforia, levando a alucinações, sensação de desequilíbrio e até mesmo convulsões se usada em alta quantidade, podendo ter seus efeitos ampliados quando associados a outras drogas opiáceas ou álcool.

Podendo gerar dependência por conter componentes como a codeína e a prometazina, que causam dependência física e psicológica.

Leia também: Efeitos do álcool: problemas causados pelo consumo excessivo

Quando surgiu o purple drank?

o que é purple drank

O purple drank surgiu em meados da década de 1960 em Houston, estado do Texas no cenário em que o estilo do blues estava em alta, e seus músicos misturavam remédio para resfriado com cerveja e mais tarde substituíram por vinho.

Décadas mais tarde na mesma região o cenário florescia para outro estilo musical, o Rap americano crescia e nessa mesma região possuía muitos Rappers, e eles fizeram a substituição dos ingredientes para xarope a base de codeína e medicamentos com prometazina, assim como a associação das balas de goma.

Fazendo com que se popularizasse na década de 1980 e 1990 pela associação com o Rap, pois era constantemente citada nas letras das músicas, principalmente pelo Rapper DJ SCREW onde em diversas de suas músicas mencionava o drink, até mesmo criou um estilo de mixagem onde a música fica mais lenta, simulando o efeito de câmera lenta da bebida.

Esse etilo perdura até hoje com algumas músicas ganhando o efeito de “Chopper and screw” que é um efeito de lentidão e confusão na música como se estivesse picotada e torcida, por causa do DJ SCREW.

A partir da morte do DJ SCREW por overdose de codeína houve um debate maior sobre a droga e na área de Houston foi embargado algumas medidas para limitar o uso.

Na década de 1990 para 2000 se espalhou por todos os Estados Unidos, principalmente no cenário do Rap e Hip hop, e posteriormente no Trap que é um subgênero dos dois anteriores.

Alguns dos artistas que já tiveram ou ainda tem ligação declarada com a droga são DJ SCREW, Big Hawk, Big moe, Three 6 mafia, Pimp C, UGK, Future, Juice wrld, Lil Nas X, Mac Miller, Lil Pump, Ty Dolla Sign, ASAP Rocky, Lil Wayne.

O uso de purple drank no brasil

Aqui no brasil a droga chegou por volta do ano de 2015 e apesar de não ser tão popular como outras drogas como maconha e cocaína, mas está crescendo rapidamente, apesar de que nos estados unidos levou de 1960 aos anos 2000 para se popularizar, no brasil e no mundo seu uso cresce a níveis alarmantes.

Contudo no brasil a agência nacional de vigilância sanitária (Anvisa), identifica e classifica a codeína com um entorpecente, entregue apenas com receita médica especialmente prescrita, ou seja, o uso do xarope de codeína é de modo ilegal.

Um caso recente envolveu a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que em 2023 apreendeu um jovem de 17 anos. Ele havia realizado várias compras de um derivado de opióide, substância muito forte comumente utilizada para fazer a chamada “purple drink”.

Sua expansão se deve em parte a aparição constante nos vídeos musicais de Trap norte americano e Rap nacional, que não só aparecem nas letras das músicas como nos clipes dentro de copos brancos com gelo, cheios da bebida roxa.

O que leva uma pessoa a consumir purple drank

As causas para o consumo são multifacetadas, assemelhando-se às de qualquer outra substância. Sob esse prisma, os fatores podem ser internos, vinculados à saúde emocional e ao ambiente familiar, ou externos, decorrentes da pressão social e do exemplo de ídolos musicais.

A maioria dos consumidores dessa mistura que é a droga são os jovens e que relatam em geral que a consomem principalmente por curiosidade, que nem sabem de seus efeitos colaterais, pois como está em circulação muitos se arriscam a provar o que é sem necessariamente saber.

Outros também fazem pela a admiração ao artista que gosta e para se parecer mais com o Rapper ou Trapper que mais gosta, e como seu ídolo faz uso, a pessoa procurará se espelhar nele.

Outros procuram pelo efeito semelhante ao álcool de euforia e relaxamento, trazendo uma certa tranquilidade, porém sem a embriaguez e sem liberar o estresse da pessoa, fazendo assim uma troca do álcool pelo lean.

Alguns relatam ainda que seu sabor é melhor do que os das bebidas alcoólicas e que seus efeitos relaxantes ajudam na obtenção do sono.

Leia também: Alcoolismo: como se inicia e como acontece o tratamento

Purple drank pode causar overdose?

A codeína é um depressor potente que, em altas doses, induz ao sono profundo e ao coma. Sob esse prisma, a mistura com álcool potencializa a depressão respiratória de forma drástica, tornando o desfecho fatal muito mais provável.

Quais são os sinais de que uma pessoa está consumindo purple drank?

Embora o purple drank se assemelhe visualmente a um refrigerante comum, a ausência de odor forte exige uma atenção redobrada aos sinais visuais. Nesse sentido, o uso frequente de copos térmicos ou descartáveis contendo líquidos de coloração arroxeada é um alerta importante, já que poucas bebidas convencionais possuem esse tom específico.

A presença frequente de frascos de xarope, balas de goma e comprimidos de antialérgicos no lixo ou nos pertences é um forte indicativo de preparo da droga. Paralelamente, o isolamento social e a troca súbita de amizades sinalizam que o indivíduo está buscando ambientes onde o consumo seja aceito ou incentivado.

Em casos de suspeita de overdose por purple drank, a identificação rápida destes sinais é vital para salvar vidas. Com efeito, a depressão respiratória causada pelos opioides reduz a oxigenação no sangue, o que reflete diretamente na coloração azulada (cianose) das extremidades e na fraqueza extrema.

Quais os principais efeitos colaterais do uso de purple drank?

drink roxo, parecido com Purple Drank,

A codeína, a prometazina e outras substâncias depressoras geralmente presentes na mistura, costumas produzir efeitos colaterais, abaixo exemplificarei e explicarei os mais importantes.

Dores de cabeça

As dores de cabeça surgem tanto na abstinência quanto durante o auge do efeito da codeína. Isso ocorre porque, ao ser metabolizada, a codeína transforma-se em morfina, gerando euforia e anestesia, mas também elevando a pressão sanguínea e tensionando os vasos cranianos.

Visão embaçada

A visão embaçada é uma consequência direta da interação entre a prometazina e a codeína, que afetam o controle muscular e a pressão arterial. Com efeito, essas substâncias depressoras alteram a capacidade de foco dos olhos e a irrigação sanguínea ocular, prejudicando a nitidez visual.

A flutuação da pressão arterial e o pico glicêmico são gatilhos imediatos para o embaçamento visual. Paralelamente, como a receita do lean leva refrigerantes e doces em excesso, a carga de açúcar no sangue sobe bruscamente, afetando a densidade do humor vítreo nos olhos.

Tontura

A tontura é uma resposta direta do organismo à codeína, figurando entre os efeitos mais emblemáticos do purple drank. Sob esse prisma, a própria nomenclatura “lean” deriva do verbo inglês que significa “inclinar-se” ou “apoiar-se”, descrevendo a dificuldade do usuário em manter o equilíbrio e permanecer ereto.

Essa sensação de “câmera lenta” é a tradução física do colapso sensorial causado pela mistura. Nesse sentido, a tontura constante e a perda de reflexos tornam o usuário dependente de apoio externo, evidenciando que o corpo já não consegue sustentar o próprio peso.

Prisão de ventre

A prometazina provoca o ressecamento das membranas mucosas e da pele. Com efeito, no trato intestinal, essa secura atinge a mucosa responsável por lubrificar e facilitar o transporte do bolo fecal, tornando o movimento lento ou inexistente e resultando em constipação severa.

Infecções do trato urinário

As infecções urinárias decorrem de diversos fatores desencadeados pela droga, iniciando pela prisão de ventre severa. Sob essa ótica, a constipação prolongada favorece a proliferação de bactérias no intestino, as quais podem migrar para o trato urinário e causar infecções.

A escassez de líquidos prejudica a filtragem renal, permitindo que toxinas permaneçam no organismo e favoreçam a proliferação bacteriana. Sob essa ótica, quem consome o purple drank costuma sentir menos sede, o que, com o uso frequente, culmina em quadros graves de desidratação.

Convulsões

O consumo do purple drank pode desencadear convulsões devido ao conflito químico entre as substâncias misturadas. Com efeito, a prometazina atua diretamente no sistema nervoso central, reduzindo o limiar convulsivo e facilitando a ocorrência desses episódios.

Purple drank é viciante?

A codeína pertence à classe dos opioides e promove um estado de euforia, o que facilita o desenvolvimento de dependência. Sob essa ótica, o organismo cria tolerância rapidamente, obrigando o usuário a consumir doses cada vez maiores para obter a mesma sensação inicial.

Muitos usuários tornam-se dependentes da mistura de forma silenciosa, já que experimentam a bebida sem conhecer sua composição ou o alto potencial viciante. Sob esse prisma, além da codeína, os demais ingredientes elevam os níveis de dopamina, o que ativa o sistema de recompensa cerebral e consolida o vício.

Leia também: Binge Drinking: entenda o que é e os riscos

Afinal, como é o tratamento para o uso de purple drank?

O tratamento para o purple drank segue o protocolo padrão de recuperação de dependências, iniciando obrigatoriamente pela desintoxicação. Em seguida, o processo evolui para intervenções estruturadas, como a psicoterapia, o suporte de grupos de apoio e a internação em clínicas especializadas.

A psicoterapia vai auxiliar a entender e se conscientizar da sua doença, procurando resolver os conflitos internos da pessoa de forma que venha a refletir.

Os grupos de apoio oferecem um ambiente seguro para o compartilhamento de vivências, o que permite ao indivíduo compreender a própria realidade sob novos ângulos. Com efeito, essa troca mútua ensina comportamentos mais saudáveis diante da dependência, utilizando as ferramentas práticas fornecidas pelo programa de 12 passos.

O uso de medicamentos é essencial para controlar os sintomas da abstinência do purple drank, garantindo maior estabilidade ao paciente. Paralelamente, essa intervenção clínica atende outras necessidades de saúde, tratando doenças que podem ou não estar ligadas diretamente ao uso da substância.

As clínicas de reabilitação funcionam como ambientes protegidos, onde o foco total reside na recuperação do dependente. Nesse sentido, o paciente acessa um modelo terapêutico integrado que combina diversas abordagens para restaurar as áreas biológica, psicológica e social afetadas pelo vício.

No Grupo Recanto, a dependência química é tratada como uma doença que impacta as esferas biológica, psicológica e social. Desse modo, desenvolvemos um modelo terapêutico que aborda cada uma dessas áreas por meio de um tripé metodológico específico.

Para aprofundar seu conhecimento sobre essas questões, convido você a explorar os outros artigos em nosso blog. Dessa forma, você poderá compreender detalhadamente nosso modelo terapêutico e os múltiplos fatores que envolvem a dependência química.

Conclusão

Embora tenha chegado ao Brasil em meados de 2015, a popularidade do purple drank cresceu rapidamente devido à influência dos cenários musicais nacional e internacional. Nesse sentido, dados recentes do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III) indicam que o uso de opioides disparou mais de 800% na última década, evidenciando que essa moda não é inofensiva.

Sendo dessa forma muito necessário que se traga textos que conduzam informações sobre a droga e o que ela é, porque consomem e buscam ela.

Escrevi este texto devido à necessidade urgente de informar sobre um risco crescente, especialmente entre os jovens. Dessa forma, evitamos que o álcool seja visto apenas como uma “bebida de festa”, alertando sobre os perigos ocultos e a composição de substâncias que muitos desconhecem.

O fator curiosidade e a influência da mídia já foram abordados como motores do consumo. Dessa forma, compartilhe este artigo com quem vê o álcool glamourizado em músicas e clipes, mas desconhece sua real composição. Nesse sentido, transformamos a curiosidade em conhecimento sobre os riscos envolvidos.

Este tema continuará sendo debatido amplamente, contudo, espero que este texto tenha demonstrado que os riscos superam qualquer benefício. Com efeito, é difícil separar a substância da imagem de status vendida na cultura do Rap. Sob esse prisma, a glamourização midiática mascara a realidade da dependência.

Essa estética vincula o consumo a riquezas e sucesso, sugerindo que a substância faz parte da vida de quem triunfou. Consequentemente, muitos jovens acreditam que devem replicar esse comportamento para alcançar o mesmo patamar. Diante disso, recomendo atenção redobrada consigo mesmo, com amigos e familiares.

Agradeço por sua presença comigo até esse momento e que você possa voltar aqui novamente, se busca ajuda ligue para nós ou se cadastre para conhecer o tratamento.

NÓS LIGAMOS PARA VOCÊ

Fabrício Selbmann é psicanalista, palestrante sobre Dependência Química e diretor da Recanto Clínica Hospitalar – rede de três clínicas de tratamento para dependência química e saúde mental, referência no Norte e Nordeste nesse segmento.

Especialista em DependênciaQuímica pela UNIFESP, pós-graduado em Filosofia | Neurociências | Psicanalise pela PUC-RS, além de especialização na Europa sobre o modelo de tratamento Terapia Racional Emotiva (Minessota).

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