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Afinal, como acontece o tratamento da dependência química?

O tratamento da dependência química é um processo estruturado que busca muito mais do que interromper o consumo de álcool ou outras drogas. Ele também procura cuidar dos impactos físicos, emocionais, familiares, profissionais e sociais provocados pelo uso de substâncias.

A dependência química não é falta de caráter, fraqueza ou ausência de força de vontade. Trata-se de uma condição complexa, que pode alterar áreas cerebrais relacionadas ao prazer, à motivação, à tomada de decisões e ao controle dos impulsos. 

Por isso, abandonar o consumo costuma exigir mais do que boas intenções: é necessário acompanhamento especializado e um plano terapêutico compatível com as necessidades de cada pessoa.

Com o tratamento adequado, é possível reduzir riscos, estabilizar a saúde, recuperar a autonomia, reconstruir vínculos e desenvolver estratégias para manter uma vida longe do uso de substâncias.

Neste artigo, você entenderá como acontece o tratamento da dependência química, quais profissionais participam desse processo e como o Grupo Recanto estrutura o cuidado de pacientes e familiares.

Aspectos importantes no tratamento da dependência química 

A dependência química é caracterizada pela dificuldade de controlar o consumo de uma substância, mesmo quando esse comportamento já provoca prejuízos importantes. 

O tipo de tratamento de cada paciente depende da sua demanda, quantidade, frequência e tempo de uso das substâncias causadoras da dependência, como também dos problemas de saúde ou transtornos pré-existentes ou daqueles decorrentes do consumo de drogas.

Entre os sinais que podem indicar a necessidade de avaliação profissional estão:

  • perda de controle sobre a quantidade ou a frequência do consumo;
  • tentativas frustradas de parar;
  • necessidade de aumentar a dose para alcançar o mesmo efeito;
  • sintomas de abstinência;
  • abandono de atividades pessoais, profissionais ou familiares;
  • uso da substância mesmo diante de consequências negativas;
  • forte desejo ou compulsão pelo consumo;
  • mudanças significativas de humor e comportamento;
  • exposição frequente a situações de risco

Um bom tratamento e avaliação deve ser feita por uma equipe multidisciplinar, pois a dependência química é uma doença complexa e multifatorial que acaba prejudicando todas as áreas da vida da pessoa.

A dependência também pode apresentar períodos de melhora e de retorno ao uso. Uma recaída não significa necessariamente que todo o tratamento fracassou. Ela indica que o plano terapêutico precisa ser revisto, fortalecido ou adaptado às novas necessidades do paciente. 

O tratamento varia conforme a gravidade da doença e a fase da vida do paciente. Nesse sentido, o sucesso depende de o adicto aceitar sua condição e a necessidade de ajuda. Dessa maneira, a conscientização permite que ele se desenvolva de forma satisfatória durante todo o processo terapêutico.

Como é definido o tratamento da dependência química? 

Não existe um único tratamento que funcione da mesma maneira para todas as pessoas. A escolha das intervenções depende de diversos fatores, tais como:

  • substância utilizada;
  • quantidade, frequência e tempo de consumo;
  • presença de sintomas de abstinência;
  • condições clínicas;
  • transtornos psiquiátricos associados;
  • histórico de tratamentos anteriores;
  • riscos para o paciente ou para outras pessoas;
  • condições familiares e sociais;
  • capacidade de manter o tratamento fora de um ambiente protegido.

O primeiro passo deve ser uma avaliação completa, realizada por profissionais capacitados. A partir dela, a equipe poderá indicar acompanhamento ambulatorial, atendimento em serviços especializados, internação ou outra modalidade de cuidado. 

Papel dos profissionais 

O tratamento da dependência química exige a participação de profissionais especializados, pois o uso prolongado de álcool ou outras drogas pode provocar prejuízos físicos, emocionais, comportamentais, familiares e sociais. 

Dessa forma, limitar o cuidado a apenas uma dessas áreas pode não ser suficiente para atender às necessidades do paciente.

Durante o processo de recuperação, profissionais de diferentes especialidades trabalham de maneira integrada, compartilhando avaliações e acompanhando a evolução do paciente. 

Médicos, psicólogos, profissionais de enfermagem, terapeutas, assistentes sociais, nutricionistas e outros membros da equipe contribuem com conhecimentos específicos para a construção de um cuidado mais completo.

Essa atuação interdisciplinar permite identificar transtornos mentais associados, alterações clínicas, dificuldades emocionais, conflitos familiares e situações sociais que podem influenciar o consumo de substâncias. 

Com base nessas informações, a equipe desenvolve e atualiza o Projeto Terapêutico Individual, definindo intervenções adequadas para cada etapa do tratamento.

Tipo de tratamento 

O tratamento utiliza a abordagem biopsicossocial, pois entende que a dependência química impacta todas as esferas da existência. Nesse sentido, o foco não é apenas a desintoxicação física, mas a restauração integral do indivíduo.

Dessa maneira, a metodologia abrange as necessidades biológicas, as questões psicológicas e o contexto social. Portanto, essa visão holística aumenta as chances de uma recuperação sólida e duradoura.

Diante disso, com os mais variados tipos de tratamento é possível sim fazer com que o paciente tenha consciência de seu estado, compreendendo que ele possui um problema e que pode sim viver sem o álcool ou outras drogas, construindo para si um novo modo de viver.

Os tratamentos incluem a desintoxicação, conscientização de que o adicto possui uma doença, programa de doze passos do N.A e A.A, terapia, Terapia Racional Emotiva (TER) entre muitos outros que são essenciais e que ajudam bastante o dependente a alterar os seus comportamentos considerados problema.

Conheça nosso modelo de tratamento contra a Dependência Química

Os ambientes de tratamento da Dependência Química 

Acima de tudo, cada ambiente de tratamento possui vantagens e desvantagens; não existe um melhor, mas pacientes mais indicados para cada um. São eles:

  • Rede primária de atendimento à saúde: casos de menor complexidade.
  • Unidades comunitárias de álcool e drogas: alternativa ao tratamento hospitalar e às clínicas de reabilitação especializadas ao passo que são mais acessíveis e flexíveis.
  • Unidade ambulatorial especializada: centro de tratamento multidisciplinar; aborda diversos tratamentos.
  • Hospital geral: funciona como método de desintoxicação, bem como atende pacientes com síndrome de abstinência.
  • Moradia assistida e albergue comum: proporciona um ambiente estável e protegido para dependentes em recuperação.
  • Hospital psiquiátrico: trata da dependência e da comorbidade.
  • Hospital-dia: pode haver tratamento intensivo, intermediário ou “quase ambulatorial”.
  • Comunidades terapêuticas: envolvem abordagens educativas, encenações dramáticas, assim como discussões.
  • Grupos de autoajuda: A.A. e N.A. são os mais conhecidos, nestes grupos, os dependentes têm a possibilidade de conversar com pessoas que estejam passando pela mesma situação a fim de obter conselhos de profissionais.
  • Sistema judiciário: o tratamento nos sistemas penitenciários geralmente fica a cargo do A.A., N.A. ou grupos religiosos.
  • Empresas: o local de trabalho também pode fornecer serviço de prevenção.

Quais são os profissionais e suas respectivas funções? 

Conforme o avanço da medicina, foi constatado que unir profissionais de diferentes áreas para reabilitar o dependente químico é fundamental para o sucesso na recuperação.

A dependência química pode afetar diferentes dimensões da vida. Por isso, o cuidado deve envolver profissionais de áreas complementares.

Médico e psiquiatra 

Realizam avaliações clínicas e psiquiátricas, acompanham sintomas de abstinência, investigam comorbidades e prescrevem medicamentos quando necessário.

Psicólogo 

Trabalha pensamentos, emoções, comportamentos, traumas, conflitos e estratégias de enfrentamento. Pode realizar atendimentos individuais, familiares e em grupo.

Enfermeiro e técnico de enfermagem 

Acompanham a saúde do paciente, administram medicamentos prescritos, monitoram sinais clínicos e observam alterações físicas ou comportamentais.

Assistente social 

Atua na relação entre paciente, família e rede de apoio, além de contribuir para o planejamento da reinserção social e para a orientação sobre direitos e recursos disponíveis.

Terapeuta ocupacional 

Ajuda na reconstrução da rotina, da autonomia e das habilidades necessárias para as atividades cotidianas.

Nutricionista 

Avalia o estado nutricional e auxilia na recuperação de possíveis deficiências provocadas pelo consumo prolongado de substâncias.

Educador físico 

Orienta atividades que contribuem para a saúde física, a organização da rotina, o sono e o bem-estar emocional.

Conselheiros e monitores terapêuticos 

Acompanham a rotina, promovem acolhimento e auxiliam na aplicação cotidiana das orientações terapêuticas.

Nenhum desses profissionais atua de maneira isolada. O compartilhamento de informações e o alinhamento da equipe são fundamentais para que o cuidado permaneça coerente com o PTI (Plano Terapêutico Individual).

Aspectos fundamentais do tratamento da Dependência Química 

Todo tratamento deve levar em consideração quatro aspectos fundamentais para caracterizar um tipo de tratamento. 

Caráter da intervenção 

Determina qual o tipo de intervenção mais prevalente dentro de um serviço de atendimento, salvo que pode se restringir ao dependente ou incorporar também seus grupos de convívio. Existem as intervenções biofísica, farmacológica, psicológica, social e combinada.

Estratégia terapêutica 

É a combinação do tratamento profissional especializado, com estruturas de apoio não profissional e atividades não oficiais de ajuda mútua ou autoajuda (12 passos).

Metas terapêuticas 

Referem-se ao propósito maior que o tratamento pretende alcançar, afastando o residente da droga, criando a percepção dos prejuízos causados pela mesma e buscando estratégias para se manter em recuperação após o tratamento.

Filosofia do tratamento 

Refere-se aos aspectos ideológicos e teóricos que estruturam o programa de tratamento, existem as orientações morais, espirituais, biológicas, psicológicas e socioculturais.

Você precisa de ajuda ou conhece alguém que precisa? 

Tudo o que um dependente químico necessita nesse momento de dificuldade, é de compreensão, paciência e de muito apoio.

O Grupo Recanto é referência no tratamento da dependência química no Norte e Nordeste, oferecendo suporte especializado para a reconstrução da saúde, dos vínculos familiares e da qualidade de vida. 

Contamos com uma equipe interdisciplinar formada por profissionais qualificados, que oferecem acompanhamento especializado e as ferramentas necessárias para a construção de uma vida mais saudável, autônoma e longe das drogas. 

Conheça nosso modelo de tratamento contra a Dependência Química

Conclusão 

O tratamento da dependência química não acontece por meio de uma única técnica e não se encerra na desintoxicação.

Ele envolve avaliação, estabilização clínica, acompanhamento interdisciplinar, psicoterapia, conscientização, organização da rotina, participação familiar, prevenção de recaídas e continuidade do cuidado após a alta.

Cada pessoa apresenta uma história, necessidades e fatores de risco diferentes. Por isso, o Projeto Terapêutico Individual é essencial para orientar as intervenções e acompanhar a evolução de forma responsável.

A recuperação não significa apenas permanecer sem consumir uma substância. Ela envolve recuperar a capacidade de fazer escolhas, cuidar da própria saúde, estabelecer relações mais saudáveis e construir um novo projeto de vida.

Com suporte especializado, estrutura adequada e participação progressiva do paciente e da família, é possível interromper o ciclo da dependência e iniciar um processo consistente de reconstrução.

No Grupo Recanto, os profissionais buscam oferecer um atendimento humanizado, respeitando a história, as necessidades e o momento vivido por cada paciente. O objetivo não é apenas interromper o consumo, mas auxiliar na reconstrução da autonomia, da rotina, dos vínculos e da qualidade de vida.

A família também recebe atenção ao longo desse processo, pois a dependência química afeta todas as pessoas envolvidas na convivência. 

Por meio de orientações e acompanhamento, os familiares podem compreender melhor a doença, aprender a estabelecer limites mais saudáveis e participar da recuperação sem assumir responsabilidades que pertencem ao paciente.

Assim, o trabalho conjunto entre equipe, paciente e família contribui para um tratamento mais organizado, seguro e coerente com os desafios encontrados durante a recuperação.

NÓS LIGAMOS PARA VOCÊ

Fabrício Selbmann é psicanalista, palestrante sobre Dependência Química e diretor da Recanto Clínica Hospitalar – rede de três clínicas de tratamento para dependência química e saúde mental, referência no Norte e Nordeste nesse segmento.

Especialista em Dependência Química pela UNIFESP, pós-graduado em Filosofia | Neurociências | Psicanalise pela PUC-RS, além de especialização na Europa sobre o modelo de tratamento Terapia Racional Emotiva (Minessota).

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