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Como vencer um vício e a importância de superar a vergonha

Entender como vencer um vício é uma questão complexa, especialmente porque a dependência química não afeta apenas o consumo de uma substância.

Ela pode comprometer a saúde física, o equilíbrio emocional, os relacionamentos familiares, a vida profissional e a capacidade de tomar decisões.

As drogas, sejam lícitas ou ilícitas, provocam alterações no organismo e no funcionamento do cérebro.

Com o avanço da dependência, a pessoa pode continuar usando a substância mesmo reconhecendo os prejuízos causados por ela.

Nesse processo, sentimentos como culpa, medo e vergonha podem dificultar a busca por tratamento.

Muitas pessoas escondem o problema por receio de críticas, rejeição ou julgamento. No entanto, reconhecer a necessidade de ajuda não representa fraqueza.

Pelo contrário: pode ser o primeiro passo para interromper o ciclo do consumo e iniciar uma recuperação mais segura.

Como inicia o vício em drogas?

Não existe uma única causa para o desenvolvimento da dependência química. Normalmente, ela surge a partir da combinação de fatores biológicos, psicológicos, familiares, sociais e ambientais.

Por isso, não cabe julgar a pessoa que enfrenta essa condição. Enquanto para alguns o consumo de drogas pode parecer algo distante, para outros ele pode surgir como uma tentativa de aliviar dores, enfrentar situações difíceis, pertencer a um grupo ou fugir temporariamente da realidade.

Dentre os principais motivos para o uso de alguma droga pode se destacar:

  • Experiências traumáticas
  • Problemas com a família
  • Desequilíbrio nas substâncias dos neurotransmissores
  • Influência de grupos e/ou amigos
  • Condições duras de vida
  • Doenças crônicas
  • Transtornos mentais

Pessoas com doenças crônicas e com problemas graves no âmbito familiar, por exemplo, podem buscar as drogas para aliviar as dores que sentem (física, psicológica e emocional).

Entre adolescentes e jovens, fatores como curiosidade, desejo de pertencimento e pressão de amigos também podem favorecer a experimentação.

Mão sobre a mesa ao lado de uma garrafa de bebida e comprimidos coloridos

Quanto mais cedo ocorre o contato com álcool ou outras drogas, maiores podem ser os impactos no desenvolvimento emocional e cerebral.

A importância do tratamento adequado para vencer o vício

O tratamento adequado pode mudar o curso da vida de uma pessoa com dependência química.

Seu objetivo não é apenas interromper o consumo, mas cuidar dos prejuízos físicos, psicológicos, familiares e sociais relacionados à doença.

A dependência altera mecanismos cerebrais envolvidos na recompensa, na motivação, na memória, no controle dos impulsos e na tomada de decisões. Por isso, parar de usar uma substância não depende somente de força de vontade.

Um tratamento completo ajuda o paciente a compreender os fatores que contribuíram para o consumo, reconhecer gatilhos e desenvolver maneiras mais saudáveis de lidar com emoções, conflitos e frustrações.

É importante compreender que a recuperação não acontece de maneira imediata. Trata-se de um processo construído diariamente, que exige acompanhamento, responsabilidade e disposição para modificar comportamentos.

Vencer um vício não significa apagar o passado, mas aprender com ele e construir novas possibilidades para o futuro.

Como vencer um vício: os desafios do tratamento

A participação do paciente é importante para o tratamento, mas nem sempre ele chegará completamente motivado ou preparado para falar sobre seus sentimentos.

A motivação pode variar e ser desenvolvida ao longo do processo terapêutico. Um dos principais desafios é admitir que o consumo saiu do controle.

A pessoa pode sentir vergonha de reconhecer que possui uma dependência, principalmente por causa do estigma ainda existente na sociedade.

A dependência química costuma ser associada, de maneira equivocada, à falta de caráter, criminalidade, irresponsabilidade ou ausência de vontade.

Esses julgamentos aumentam o isolamento e fazem com que muitas pessoas escondam o problema.

Além disso, quem enfrenta a dependência pode se envergonhar de comportamentos adotados durante o período de consumo, como mentiras, conflitos, perdas financeiras, afastamento familiar ou abandono de responsabilidades.

Quando a vergonha se torna excessiva, a pessoa pode pensar que não merece ajuda ou que não possui capacidade para mudar.

Por isso, reconhecer a condição sem reduzir toda a identidade do indivíduo à dependência é fundamental.

A pessoa não é o vício. Ela é alguém que enfrenta uma condição de saúde e precisa de cuidado especializado.

As barreiras que escondem a vergonha

A vergonha nem sempre é demonstrada diretamente. Em muitos casos, ela aparece por meio de comportamentos defensivos que dificultam a aproximação e a busca por tratamento.

Uma dessas barreiras é o perfeccionismo. A pessoa estabelece exigências muito altas para si mesma e acredita que admitir uma dificuldade representa fracasso.

Como ninguém consegue manter um padrão de perfeição, cada erro alimenta sentimentos de inadequação e incapacidade.

Outra barreira é a falsa autoconfiança. O indivíduo pode afirmar que controla o consumo, que consegue parar quando quiser ou que não precisa de ajuda.

Externamente, aparenta segurança, mas internamente pode sentir medo, solidão e perda de controle.

A agressividade também pode funcionar como uma defesa. Perguntas e tentativas de aproximação são interpretadas como acusações, fazendo com que a pessoa reaja com irritação ou se afaste.

A negação é outra manifestação frequente. O indivíduo minimiza os prejuízos, compara seu consumo ao de outras pessoas ou culpa exclusivamente os problemas externos.

Essas barreiras não devem ser interpretadas apenas como teimosia. Muitas vezes, elas escondem sofrimento, medo de julgamento e dificuldade para aceitar a própria vulnerabilidade.

Entendendo a vergonha para conseguir vencer um vício

A vergonha é um sentimento presente em diferentes momentos da vida. Ela pode aparecer após uma atitude da qual nos arrependemos, diante de críticas ou quando acreditamos que não correspondemos às expectativas dos outros.

O problema surge quando esse sentimento deixa de estar relacionado a uma situação específica e passa a definir a forma como a pessoa se enxerga.

Mãos segurando um recorte de papel em formato de cérebro, com substâncias e seringa ao fundo

Em vez de pensar “cometi um erro”, o indivíduo passa a acreditar: “eu sou um erro”. Essa interpretação pode provocar isolamento, baixa autoestima, desesperança e dificuldade para estabelecer relações saudáveis.

Na dependência química, a vergonha também pode alimentar o próprio consumo. A pessoa usa a substância, arrepende-se das consequências, sente vergonha e volta a consumir como tentativa de aliviar esse sofrimento.

Forma-se, assim, um ciclo difícil de interromper sem ajuda. Superar a vergonha não significa ignorar os danos causados. Significa reconhecer responsabilidades sem se condenar permanentemente.

Durante o tratamento, o paciente pode aprender a separar sua identidade de seus comportamentos, desenvolver autocompaixão e reparar danos quando isso for possível e seguro.

O sentimento de vergonha e os familiares

A família também pode sentir vergonha diante da dependência química de um de seus membros. O medo da opinião de vizinhos, amigos ou parentes pode fazer com que o problema seja escondido ou negado.

Em algumas situações, os familiares demoram a procurar ajuda por acreditarem que conseguirão resolver tudo sozinhos. Em outras, afastam-se emocionalmente da pessoa ou passam a tratá-la somente a partir dos erros cometidos.

Essas atitudes podem aumentar o isolamento e dificultar a recuperação.

A participação familiar é importante, mas precisa acontecer de maneira orientada. Apoiar não significa concordar com todos os comportamentos, encobrir consequências ou assumir responsabilidades que pertencem ao paciente.

Também é importante entender que a família não é responsável por causar a dependência e não consegue realizar o tratamento no lugar da pessoa.

Entretanto, pode ajudar a construir um ambiente mais seguro e favorável à recuperação.

Mulher pensativa apoiada na mesa de trabalho, com o olhar distante

Aceitando e tratando o vício

Querer mudar é importante, mas pode não ser suficiente. A pessoa precisa reconhecer que perdeu o controle sobre o consumo e que necessita de acompanhamento especializado.

Essa aceitação não deve ser confundida com desistência ou fraqueza. Ela significa admitir a gravidade da situação para que novas decisões possam ser tomadas.

No tratamento, abordagens como a Terapia Racional Emotiva ajudam o paciente a compreender que pensamentos, sentimentos e comportamentos estão relacionados à maneira como ele interpreta suas experiências.

O objetivo não é afirmar que nenhuma consequência existiu, mas analisar os fatos de maneira mais equilibrada.

O indivíduo pode reconhecer seus erros, assumir responsabilidades e, ao mesmo tempo, compreender que continua sendo digno de cuidado.

Esse processo não acontece rapidamente. Ele é construído durante atendimentos individuais, grupos terapêuticos, acompanhamento médico, convivência estruturada e participação da família.

Como vencer o vício: o papel da clínica de recuperação no tratamento

A clínica de recuperação oferece um ambiente protegido e estruturado para que o paciente possa se afastar temporariamente dos gatilhos mais imediatos, estabilizar sua saúde e participar de um tratamento intensivo.

A internação não tem como objetivo punir, isolar ou abandonar a pessoa. Quando corretamente indicada, ela funciona como um recurso de proteção e cuidado.

Dentro da clínica, o cuidado não deve se limitar à retirada da substância. A desintoxicação é uma etapa importante, mas não representa todo o tratamento.

É necessário trabalhar os fatores emocionais, comportamentais, sociais e familiares que participam da dependência. Também é fundamental preparar o paciente para lidar com os desafios que encontrará após a internação.

A atuação de uma equipe multiprofissional permite que o indivíduo seja avaliado de maneira integral, considerando sua saúde física, mental e social.

Onde encontrar uma clínica de recuperação para dependentes químicos?

A clínica de recuperação do Grupo Recanto está sempre disposta a lhe atender, somos referência no tratamento de dependentes químicos no Norte-Nordeste e estamos no mercado há 19 anos.

Em nosso modelo terapêutico contamos com três tratamentos que funcionam como tripé para toda a fundação, que são a utilização do modelo dos doze passos, terapia racional emotiva e abordagem de aconselhamento em dependência química.

Entre as abordagens utilizadas estão:

  • Modelo Minnesota;
  • Prevenção à Recaída;
  • Acompanhamento psicológico;
  • Atendimento psiquiátrico;
  • Grupos terapêuticos;
  • Orientação familiar;
  • Atividades de organização da rotina e reinserção social.

O planejamento terapêutico considera a história, as condições clínicas, os riscos, o contexto familiar e os desafios particulares de cada paciente.

Juntos formam um modelo de tratamento capaz de tratar essa doença biopsicossocial que é a dependência química.

Nós possuímos clínicas nos Estados de Sergipe e Pernambuco. São clínicas que contam com médicos 24h, ambulatórios e equipe com multiprofissionais da saúde para atender diversas demandas do tratamento.

Clique aqui para saber sobre as clínicas de recuperação do Grupo Recanto!

Conclusão

A dependência química é uma condição de saúde que pode provocar graves consequências físicas, emocionais, familiares e sociais. Por isso, quanto antes ocorrer uma avaliação profissional, maiores serão as possibilidades de reduzir riscos e iniciar um tratamento adequado.

A vergonha pode ser uma das principais barreiras para pedir ajuda. Ela faz com que a pessoa esconda o consumo, negue os prejuízos e se afaste daqueles que poderiam apoiá-la.

Homem com as mãos na cabeça, em foto preto e branco, representando o peso da vergonha

Superá-la não significa apagar responsabilidades ou ignorar erros. Significa compreender que ninguém precisa ser definido exclusivamente por suas piores escolhas.

Para a família, acolher não significa permitir tudo. É possível oferecer apoio, estabelecer limites e buscar orientação profissional ao mesmo tempo.

Vencer um vício é um processo construído diariamente. Ele pode envolver psicoterapia, acompanhamento médico, medicamentos, grupos de apoio, orientação familiar e, em determinados casos, internação.

Caso você ou alguém próximo esteja enfrentando dificuldades relacionadas ao consumo de álcool ou outras drogas, não espere que a situação chegue ao limite. Entre em contato com a equipe do Grupo Recanto e busque uma avaliação especializada para compreender qual é o cuidado mais adequado.

NÓS LIGAMOS PARA VOCÊ

Fabrício Selbmann é psicanalista, palestrante sobre Dependência Química e diretor da Recanto Clínica Hospitalar – rede de três clínicas de tratamento para dependência química e saúde mental, referência no Norte e Nordeste nesse segmento.

Especialista em Dependência Química pela UNIFESP, pós-graduado em Filosofia | Neurociências | Psicanalise pela PUC-RS, além de especialização na Europa sobre o modelo de tratamento Terapia Racional Emotiva (Minessota).

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