O consumo de álcool faz parte da vida social de muitas pessoas e está presente em festas, comemorações, encontros e eventos culturais.
Apesar de ser uma substância legalizada em diversos países, o uso abusivo do álcool pode trazer sérios prejuízos para a saúde física, emocional e social, como por exemplo a dependência química.
O álcool é uma das substâncias mais usadas no país por jovens e se estende pelas faixas etárias, causando grandes riscos ao organismo humano antes mesmo da vida adulta.
Segundo os dados da Organização mundial de saúde (OMS), milhões de mortes por ano são causadas pelo alcoolismo no mundo.

Entre os padrões mais perigosos de consumo está o chamado binge drinking, prática cada vez mais comum, consistindo em ingerir grandes quantidades de bebida alcoólica em um curto período de tempo, elevando rapidamente a concentração de álcool no organismo.
Podendo causar várias doenças fisiológicas, deterioramento neurológico e neuroquímico, tendo também um potencial psicotrópico podendo despertar a psicose, além de outros problemas psicológicos.
Binge Drinking: o que é?
O termo binge drinking vem do inglês e pode ser traduzido como “beber em excesso”. O Binge drinking pode configurar a alta quantidade de concentração de álcool no sangue através do alto consumo de bebidas alcoólicas.
Na prática, esse padrão costuma acontecer quando:
- homens consomem cinco ou mais doses em cerca de duas horas;
- mulheres consomem quatro ou mais doses no mesmo período.
Esse comportamento faz com que a concentração de álcool no sangue aumente rapidamente, provocando intoxicação aguda e diversos efeitos no organismo.
O binge drinking não está necessariamente ligado ao alcoolismo crônico. Muitas pessoas praticam esse tipo de consumo apenas nos finais de semana, festas ou eventos sociais, mas ainda assim colocam a própria saúde em risco.
Binge drinking: quais os principais riscos?
É indiscutível que álcool em excesso causa grandes males para a saúde, juntamente com isso é importante informar quais os riscos desta prática pode causar diante da grande quantidade de consumo dessas bebidas.
Os efeitos podem surgir poucos minutos após o consumo e variam de acordo com fatores como peso, metabolismo, idade, quantidade ingerida e frequência do uso. Os riscos podem ser imediatos ou aparecer ao longo dos anos.
Reações imediatas
O binge drinking pode causar rápidas reações, uma vez que a alta concentração de álcool acaba por passar pelo organismo, levando em média cerca de 6 minutos para fazer o seu efeito.

Perda de coordenação motora
Altas concentrações de álcool interferem diretamente nos neurotransmissores, exercendo um efeito anestésico que compromete diversas regiões cerebrais.
Inquestionavelmente, essa supressão neurológica degrada o sistema nervoso reduzindo drasticamente os reflexos e a estabilidade postural afetando a coordenação motora fina e grossa, impedindo o manuseio firme de objetos.
Assim, a intoxicação aguda desativa mecanismos de controle essenciais, tornando o usuário vulnerável a quedas e acidentes graves.
Tontura
Ao afetar diferentes áreas do cérebro, o álcool também pode causar tontura, dificuldade de se permanecer de pé, visão turva, tonturas passam a ser bem recorrentes como um dos efeitos do binge drinking.
Isso acontece porque a intoxicação alcoólica interfere em regiões cerebrais responsáveis pela orientação espacial e pelo equilíbrio corporal.
Enjoo
O organismo reconhece o álcool em excesso como uma substância tóxica. Como mecanismo de defesa, o corpo pode provocar enjoo e vômitos para tentar eliminar parte da substância ingerida.
Em casos graves, o excesso de vômito pode causar desidratação e até risco de aspiração pulmonar.
Decisões impulsivas
A substância altera o córtex medial frontal, região crucial para o julgamento crítico e o controle inibitório. Subsequentemente, a intoxicação compromete as amígdalas cerebrais, desregulando as respostas emocionais e a percepção de risco do indivíduo.
Portanto, esse desequilíbrio neuroquímico substitui a racionalidade por reações instintivas, potencializando comportamentos perigosos e arrependimentos severos.
Consequências a longo prazo
A bebida alcoólica não somente pode causar malefícios a curto prazo, mas também a longo prazo.
O binge drinking também pode levar a doenças gravíssimas que debilitam o organismo a longo prazo, podendo causar uma vida de grande sofrimento para o dependente dessa substância.

Dependência
As bebidas alcoólicas também estão ligadas ao prazer, sendo a falsa sensação de felicidade viciante, principalmente quando o usuário sente que precisa daquela substância para ficar mais alegre, desinibido e comunicativo, achando que são benefícios do consumo.
Diante disso, o sujeito tem um alto potencial de se tornar dependente e ao praticar o binge drinking, ele acredita que seu comportamento quando está sob o efeito da substância é melhor do que ele sóbrio.
Doenças no fígado
O fígado é um dos órgãos mais afetados pelo excesso de álcool. Sendo este responsável pela filtragem sanguínea e possuindo limites metabólicos que são rapidamente excedidos pelo consumo excessivo.
A incapacidade orgânica de processar tamanha carga tóxica permite que substâncias nocivas circulem livremente pela corrente sanguínea.
Desse modo, essa saturação hepática compromete a homeostase do corpo, resultando em danos inflamatórios agudos e crônicos ao sistema biológico do indivíduo.
Lesões cerebrais
Ao beber o álcool, e sua concentração ficar alta no corpo, ele percorre todo nosso organismo, gerando prejuízos em cada órgão que passa, podendo causar inclusive lesões cerebrais.
Por conta de suas capacidades psicotrópicas, o álcool causa grande mudança no funcionamento dos neurotransmissores, atacando o cérebro.
Em casos mais graves, o uso abusivo pode favorecer o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos e deterioração neurológica.
Doenças cardiovasculares
O uso de álcool é maléfico para diversos órgãos do corpo humano e as doenças cardiovasculares, representam uma das principais.
O binge drinking pode causar enfermidades cardíacas como a hipertensão, miocárdica, fibrilação atrial, entre outros.

Desta forma, doenças como essas também precisam de tratamento, e pode estar atrelada ao sujeito pelo resto da sua vida. Mesmo pessoas jovens podem apresentar complicações cardiovasculares após episódios intensos de consumo alcoólico.
Câncer
A alta toxicidade do álcool, pode causar grandes prejuízos à saúde do indivíduo, tanto com doenças menos graves, até mesmo nos levar a ter doenças de níveis terminais.
As substâncias que se encontram presentes na bebida, percorrem todo o corpo deixando por onde passam sequelas ou alterações, com isso, o câncer pode acometer diferentes áreas e funções do corpo.
Certamente, o câncer figura como uma das consequências mais letais do alcoolismo, podendo resultar em quadros clínicos terminais.
Invariavelmente, o consumo descontrolado eleva a acidez sanguínea e a concentração etílica, provocando lesões teciduais crônicas em diversos órgãos.
Logo, a detecção precoce aliada à abstinência total constitui a única via para controlar a progressão da doença e restaurar a saúde do paciente.
Binge drinking: quando é o momento de pedir ajuda?
Quando o binge drinking faz parte da sua vida, o alcoólico muitas vezes já se encontra dentro de um processo de dependência agravado e não consegue se desvencilhar tão facilmente do seu vício e muito menos limitar seu consumo.
A partir disso, é importante ficar atento ao comportamento do sujeito diante do consumo de bebidas alcoólicas, caso indique uma certa dependência, irritabilidade ou falta de controle.
Quando se torna incontrolável, acaba gerando um risco para todos, é nesse momento que a pessoa precisa de um auxílio de pessoas que possam ajudar.

A internação voluntária, por exemplo, acontece quando o paciente tem consciência de que precisa de ajuda e procura por espontânea vontade realizar um tratamento.
Já na involuntária ocorre quando a pessoa não reconhece os prejuízos do consumo exacerbado da bebida, e mesmo assim acontece a sua internação, para que receba o tratamento adequado que o auxilie em seu processo de recuperação.
Caso o sujeito represente um risco para a sociedade, ou cometer crimes devido ao consumo abusivo do álcool, é possível que seus familiares de primeiro grau peçam ajuda à justiça para que sua internação seja compulsória por ordem judicial.
Você pode pedir ajuda a clínicas especializadas que conseguem lidar com pessoas em estado de dependência, como o Grupo Recanto que é reconhecida tanto no ramo da dependência química de álcool e outras drogas, como na saúde mental.
Abstinência
A abstinência faz parte de um processo orgânico sentido pelo dependente químico, que acontece quando a pessoa não está consumindo a substância causadora de sua dependência, o que gera sintomas desagradáveis.
É importante notar como o sujeito se comporta quando está em abstinência, pois a partir da visão desse comportamento, se terá noção da gravidade.
A abstinência traz à tona sentimentos incontroláveis que muitas vezes o indivíduo expressa através de seus comportamentos, podendo assim ficar muitas vezes agressivo, com uma alta irritabilidade, com tremores, vômitos e enjoos, entre outros sintomas.
Com esses comportamentos que acontecem juntamente com o binge drinking, o usuário pode se tornar uma pessoa diferente da que era antes, tornando-se muitas vezes irreconhecível.
Perda de capacidade cognitiva
A capacidade cognitiva é a habilidade que cada ser humano possui de modo individual, de interpretar os estímulos que acontecem tanto no ambiente, quanto com ele próprio, para que se tome decisões sobre o comportamento.

O álcool, como dito antes, afeta diretamente o cérebro e quanto maior seu consumo, maior é sua nocividade, em um dependente que realiza a prática do binge drinking recorrentemente o risco da perda de suas capacidade cognitivas é muito maior.
Decerto, a dependência química degrada a capacidade interpretativa, forçando o indivíduo a agir sob a lógica exclusiva do vício, sem reflexão crítica.
Inquestionavelmente, esse declínio cognitivo torna o comportamento instintivo, elevando o potencial agressivo diante da privação da substância.
Ademais, a perda da racionalidade em favor da impulsividade exige intervenção clínica imediata para resgatar as funções psíquicas superiores.
Assim, um tratamento personalizado é imprescindível para restaurar a cognição e permitir que o paciente compreenda e governe seu próprio processo de recuperação
Irritabilidade
Certamente, a irritabilidade crônica no dependente químico funciona como um catalisador para a agressividade, elevando o risco de lesões físicas ao próprio usuário e a terceiros.
Invariavelmente, esse estado hostil manifesta-se pela intolerância à opinião alheia e pela negação veemente da própria patologia. Efetivamente, quando a irritação atinge níveis críticos, o comportamento culmina em agressões verbais e físicas severas contra o círculo social.
Logo, a intervenção psicoterapêutica é vital para mediar esses conflitos e desenvolver o autocontrole emocional necessário para a coexistência segura. Caso o dependente represente esse risco, a ajuda deve ser pedida rapidamente.

A irritabilidade é muito instável, podendo resultar em ocorrências irreversíveis, ao pedir essa ajuda o dependente poderá ser encaminhado para sua recuperação livrando sua família de futuros riscos.
Conclusão
Indiscutivelmente, o binge drinking impõe riscos severos à integridade física e mental, disparando danos potencialmente irreversíveis ao organismo.
Sobretudo, o consumo excessivo lesiona órgãos vitais, como o fígado e o cérebro, além de elevar a incidência de câncer e patologias cardiovasculares.
Paralelamente, a toxicidade do álcool altera o comportamento do dependente, tornando-o um perigo para si e para terceiros.
Desse modo, a intervenção clínica precoce é vital para conter a progressão dessas doenças e restaurar o equilíbrio biopsicossocial do paciente.
O usuário pode apresentar emoções e comportamentos altamente compulsivos, dentro do processo da abstinência.
Diante disso, uma perda de cognição pode causar uma falta de reflexão do paciente fazendo com que tome atitudes que podem piorar sua saúde, pois ele terá dificuldades de obter um pensamento crítico sobre suas atitudes.
Além da irritabilidade que pode causar riscos iminentes de agressão, a saúde tanto física, quanto mental do indivíduo, também pode estar comprometida, gerando sofrimento aos seus familiares e a si próprio. es e a si próprio.













