Antes usada quase exclusivamente por profissionais da saúde, “comorbidades” ganhou destaque durante a pandemia de COVID-19, quando passou a fazer parte das conversas do dia a dia.
As comorbidades são doenças que se apresentam no corpo ou na mente de forma conjunta a outras. Ou seja, por causa do sintoma ou consequência de uma outra doença, uma segunda surge e passa a atuar ao mesmo tempo.
Doenças que causam incapacitação ou mexem muito com o nosso humor facilitam em muito o surgimento das comorbidades.
A questão é que o portador das comorbidades possui uma saúde muito mais fragilizada pelo somatório de problemas de saúde.
Por exemplo, imagine lidar com a depressão e desenvolver diabetes como consequência das alterações hormonais e de comportamento que ela provoca. Além de enfrentar o sofrimento emocional, é preciso cuidar de uma doença física crônica.

O que são comorbidades?
Comorbidades são a presença de duas ou mais doenças ou condições de saúde que ocorrem ao mesmo tempo na mesma pessoa.
Em outras palavras, uma comorbidade é quando alguém tem um diagnóstico principal (por exemplo, depressão) e outros problemas de saúde associados (como ansiedade, hipertensão, diabetes, uso de substâncias, etc.).
Essas condições podem influenciar uma à outra, tornando o tratamento mais complexo.
Existem três diferentes tipos de comorbidade:
- Comorbidade patogênica: situação em que duas doenças estão relacionadas pela sua causa (patogênese) — ou seja, uma pode contribuir para o surgimento ou o agravamento da outra;
Há um mecanismo biológico, psicológico ou comportamental comum que liga as duas condições. Exemplo: O uso crônico de álcool pode levar à hepatite alcoólica e, posteriormente, à cirrose hepática. Aqui, o álcool é o fator patogênico que gera ambas as doenças.
- Comorbidade Diagnóstica: Ocorre quando duas doenças são identificadas simultaneamente, mas sem que necessariamente uma cause a outra;
Elas coexistem no mesmo indivíduo, e o diagnóstico de uma não depende da outra. Exemplo: Um paciente pode ter transtorno depressivo maior e diabetes tipo 2. Essas condições coexistem, mas uma não é causa da outra.
- Comorbidade Prognóstica: doenças que influenciam o curso, a evolução ou o desfecho de outra condição.
Exemplo: Em dependência química, a presença de transtorno bipolar pode dificultar a abstinência e aumentar recaídas, sendo uma comorbidade prognóstica negativa.o ligados ao uso e as comorbidades pressupõem uma doença mental independente do uso de drogas.
Qual é a relação entre comorbidades e dependência química?

A dependência química pode surgir como comorbidade, tal qual também pode desencadear outros problemas correlacionados.
Dessa maneira, a dependência química por provocar danos físicos e mentais acaba fragilizando a pessoa e a deixando mais suscetível ao desenvolvimento de outras doenças, em especial outros transtornos mentais.
Exemplo: uma pessoa que já bebe ocasionalmente ao desenvolver uma depressão ou um transtorno de ansiedade pode passar a abusar do álcool, assim se viciando e levando a dependência.
Então, a dependência química pode ser tanto o vetor das comorbidades como uma delas. Sua relação com as comorbidades é intrínseca e os tratamentos precisam ser bem elaborados de forma a resolver não só a dependência, mas também o quadro geral.
Outro ponto importante é que, tais substâncias podem atingir as áreas clínicas, neurológicas, comportamentais causando grandes impactos na saúde mental do indivíduo.
No alcoolismo, o indivíduo tem sua área cognitiva atingida. Ele perde noção do seu juízo crítico, aumenta a agressividade, os delírios e a agitação psicomotora quando se encontra em abstinência do álcool.
Já com o uso de drogas, a busca obsessiva pelo uso de substâncias traz consigo um prazer intenso, falsas sensações de força e poder.
Comorbidades psiquiátricas
Nos estudos de compulsão por álcool e drogas, o surgimento de transtornos mentais, resultante do uso desenfreado de substâncias se torna mais frequente.
Os mais comuns são mudanças de humor (transtorno afetivo bipolar), transtornos de ansiedade, depressão, TDAH, e a esquizofrenia (transtornos psicóticos), além de transtornos alimentares e de personalidade.
As comorbidades apresentam-se mais comuns em dependentes químicos.

Na população normal, a incidência de doenças mentais é de 1 a 2%, já nos dependentes é de 40 a 60% que apresentam algum tipo de transtorno mental, onde, na maioria dos casos, é a depressão.
Ainda no que se refere a comorbidades e doenças psíquicas, o aumento de agressividade, recaídas e de suicídio (no qual está relacionado ao transtorno de personalidade) são bastantes fortes em dependentes de substâncias psicoativas.
Há estudos que apontam que mesmo a não frequência ou quantidade de uso de drogas ilícitas ou lícitas, não isenta qualquer que seja a pessoa de desenvolver transtornos mentais de alta gravidade.
Ainda existem os pacientes que já apresentam uma multiplicidade de doenças mentais e quando fazem uso de substâncias agravam ainda mais seu quadro.
O aumento destas comorbidades também está ligado ao consumo que, por sua vez, está ligado à facilidade que se tem em adquirir drogas, praticamente em qualquer lugar.
Quais fatores levam à comorbidade?
Fatores de risco reais podem acentuar ou desencadear doenças designadas como comorbidades. Nesse sentido, o uso de substâncias frequentemente funciona como um catalisador que “escancara” quadros clínicos antes ocultos. Dessa forma, o consumo revela patologias pré-existentes que só são diagnosticadas após o início da dependência. Portanto, o que parecia apenas um efeito da droga pode ser, na verdade, uma doença mental que já coexistia no indivíduo.
Dependentes químicos têm mais probabilidade de desenvolver quais comorbidades?

Como mencionado acima, os dependentes químicos possuem muito mais chances de desenvolverem uma comorbidade psiquiátrica e mental que uma pessoa que não é dependente.
Dentre eles se destacam especificamente transtornos de humor, sobretudo os depressivos, transtornos ansiosos e os de personalidade.
Além disso, essas comorbidades podem inclusive facilitar a recaída do dependente ou ainda levar para casos mais extremos como o suicídio, mais comum em casos de depressão, transtorno de personalidade limítrofe (Borderline) e antissocial.
Há ainda uma alta relação entre a dependência química e doenças contagiosas e transmissíveis.Isso é comum em casos de dependentes com HIV (AIDS) e HCV (Hepatite crônica), pela situação de marginalidade que muitos vivem ou o compartilhamento de materiais pessoais e de seringas, no caso de drogas injetáveis.
Como ocorre o diagnóstico das comorbidades
As comorbidades são identificadas tanto no diagnóstico quanto no prognóstico da dependência química. Nesse sentido, no diagnóstico, elas aparecem como condições inevitáveis que já acompanham o quadro clínico atual. Por outro lado, no prognóstico, as comorbidades referem-se ao que se espera da evolução da doença caso não haja intervenção. Portanto, compreender esses dois tempos permite que a equipe médica antecipe crises e planeje um tratamento mais assertivo.
Mas para se diagnosticar a comorbidade em si, é preciso uma série de instrumentos e ferramentas para que se chegue a um resultado confiável.
Por isso, o médico encarregado deve estar atento para as possibilidades do surgimento das comorbidades.
História familiar
O histórico médico da sua família é algo muito importante para saber as predisposições genéticas que você tem a certas doenças, principalmente considerando seus parentes de primeiro grau (Pai e Mãe)
Investigando o histórico familiar de sua família, o médico poderá entender para quais doenças você possui fator de risco e se essas chances genéticas podem influenciar uma comorbidade.

Exames laboratoriais
Exames laboratoriais servem para comprovar as suspeitas do médico que lhe acompanha e para checar se está tudo normal com sua saúde.
Os exames padrões, geralmente, são, os hemogramas, exames de urina, exames de fezes, mas exames mais específicos podem ser solicitados como transaminases para o fígado e glicemia.
Esses permitem que o médico encarregado tenha uma visão geral sobre sua saúde.
Combinado com outras ferramentas como o histórico médico familiar e questionários ou observação, é possível saber a chance de desenvolver uma comorbidade.
Questionários direcionados
É uma série de questões feitas ao paciente, sobre um assunto específico, como, por exemplo, a vida sexual, sobre o consumo de drogas, dieta e rotina da pessoa, entre outros.
O tema muda de acordo com a necessidade do médico de colher informações do paciente sobre determinado assunto.
Por exemplo, uma pessoa com histórico médico de diabetes na família e pelas suas taxas nos exames já está num estado pré-diabético, é possível que o médico faça um questionário sobre a alimentação do paciente, se ele faz exercícios e como e com o que trabalha.
O questionário vai ajudar o médico a entender mais detalhadamente como seu corpo chegou à situação presente e o que será preciso mudar.
Testes psicológicos
Os testes psicológicos são ferramentas essenciais para mensurar capacidades cognitivas e verificar o funcionamento cerebral. Desse modo, os avaliadores analisam processos como memória, concentração, atenção e linguagem. Complementarmente, os exames focam nas funções executivas, responsáveis pelo controle de pensamentos, emoções e ações. Portanto, esses dados permitem mapear com precisão as áreas preservadas e as que demandam reabilitação específica.
Os testes psicológicos possuem finalidades distintas, desde processos de recrutamento e demissão até avaliações clínicas profundas. Nesse sentido, eles são fundamentais para identificar prejuízos em funções cognitivas e padrões comportamentais ligados a comorbidades. Dessa maneira, instrumentos específicos avaliam a personalidade, o gerenciamento do tempo e os níveis de ansiedade. Assim, cada ferramenta oferece um diagnóstico preciso sobre como o indivíduo reage sob pressão ou em situações cotidianas.
É importante ressaltar que apenas psicólogos podem aplicar os testes.

Tratamento de comorbidade e a dependência química
Após a comorbidade ser identificada, o ideal é tratar as doenças conjuntamente. Dessa forma, além do tratamento para a dependência química é preciso buscar tratamentos para cada uma das comorbidades.
Nas clínicas de reabilitação quando identificadas comorbidades em relação a dependência, elas são prontamente tratadas para que o paciente evolua num quadro geral.
As clínicas de reabilitação possuem suporte especializado para esse tipo de situação, uma vez que é comum o caso de comorbidades na dependência química.
Para a dependência química, as opções de tratamentos vão desde desintoxicação, psicoterapias, terapias de grupo, grupos de apoio como o AA (Alcoòlicos Anônimos) e NA (Narcóticos Anônimos), tratamentos com medicamentos, até aconselhamentos em dependência química.
Equipes médicas adotam medidas paralelas, como medicamentos para controle de sintomas, psicoterapia e terapias complementares. Nesse contexto, exercícios regulares e alimentação balanceada estabilizam o humor e as emoções do paciente. Além disso, esses hábitos geram efeitos positivos no corpo, acelerando a recuperação da dependência e de transtornos mentais. Portanto, o estilo de vida saudável atua como um pilar biológico essencial para a manutenção da sobriedade.
Em casos de doenças que afetam o organismo de forma mais física, a equipe de saúde irá monitorar cada passo e avanço e tomar as medidas necessárias para o controle da doença.
Onde encontrar uma clínica de reabilitação para dependentes químicos?

As clínicas do grupo Recanto estão equipadas com uma estrutura de primeira qualidade para suprir as necessidades e desafios do tratamento da dependência química, tais como UDC (unidade de desintoxicação e crise), dormitórios, espaço para lazer, ambulatórios e muito mais.
Contamos com um dos mais modernos modelos de tratamentos — modelo Minnesota — desenvolvido na Europa e adaptado para uma abordagem só nossa, sendo o foco individualizado nos aspectos biopsicossociais do paciente.
Também possuímos uma clínica de tratamento em dependência química exclusiva para mulheres.
Nossa equipe conta com os mais diversos profissionais de saúde, incluindo médicos, enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, educadores físicos, técnicos e conselheiros em dependência química.
O Grupo Recanto é pioneiro no Norte-Nordeste com um modelo de tratamento, no nível de clínicas do sul e sudeste, e com a experiência de mais dezessete anos de história no ramo

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Conclusão
As comorbidades são uma das prioridades na hora do diagnóstico da dependência química.
As comorbidades são indissociáveis de várias doenças como transtornos mentais e condições crônicas como pressão alta, diabetes e câncer, assim como possui efeito considerado no fenômeno da dependência química.
O tratamento das comorbidades não pode ser dissociado da dependência química, pois as patologias influenciam-se mutuamente. Nesse sentido, tratar os transtornos associados é, simultaneamente, tratar o vício. Dessa maneira, o cuidado integral torna-se fundamental para evitar que uma condição agrave a outra. Portanto, a abordagem simultânea é a única via eficaz para garantir a estabilidade física e mental do paciente.
O esforço vale a pena — manter-se saudável é também uma forma de cuidar de quem você ama.










